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Critérios Injustos e Desemprego

Os critérios de admissão nos empregos são injustos e ainda prejudicam a qualidade dos produtos e serviços do país.

Por Nestor Burlamaqui

Todos nós sabemos que um dos obstáculos para o desenvolvimento de nossa sociedade está na falta de emprego para pessoal qualificado. Se o único fator fosse a falta vagas, o problema seria compreensível. Mas acontece que, muitas vezes, esse desemprego é provocado também por critérios injustos, que são adotados por empresários no momento de contratar alguém para um trabalho, estágio ou um serviço qualquer. Esses critérios frequentemente se baseiam apenas no nível ou no grau de amizade que o empresário possui em relação ao candidato ao empregado, constituindo um dos problemas de nossa sociedade.

O mercado de trabalho de comunicação social no Rio Grande do Norte é um exemplo muito bom para mostrar essa grande injustiça para com as pessoas que passaram tempo estudando com objetivo de possuir diferencial na hora da contratação. Eu mesmo deixei um currículo na Cabugi.com, uma empresa de jornalismo web que hoje está extinta. Eu já havia realizado alguns trabalhos na área de jornalismo digital durante a faculdade, mas fiquei sabendo posteriormente que a vaga havia sido preenchida por outra pessoa que não tinha nenhum conhecimento nessa área, mas tinha o grande diferencial de conhecer alguns funcionários da Cabugi! Trata-se do famoso e popular diferencial do Q.I(Quem Indique).

Não só no ramo da comunicação esses critérios de amizade prevalecem. Um amigo contou-me que suas notas altas nas aulas práticas da faculdade de farmácia não chamaram a atenção da professora na hora de escolher o aluno para ser estagiário, já que ela preferiu um de notas baixas, mas muito extrovertido e simpático! É óbvio que a adoção desses critérios injustos de amizade desvaloriza o estudo e desestimula os alunos que acreditam na qualificação técnica como o melhor caminho para o crescimento profissional. Essa cultura retrógrada, além de prejudicar as pessoas qualificadas, atrasa o desenvolvimento econômico e social, já que não adianta ser o melhor tecnicamente quando o importante é apenas ser bajulador, simpático e amigo.

O PROBLEMA É GERAL
Tal prática negativa certamente acontece, não só no Rio Grande do Norte, como também em outras regiões brasileiras, atingindo diversos ramos da atividade econômica e política. Sabe-se que, na administração pública, essa prática encontra dificuldades, mas nada impede que isso seja feito por debaixo dos panos. Lembremo-nos dos inúmeros casos de nepotismo em diversas instituições públicas como tribunais, secretarias, assembléias legislativas e câmaras municipais, sem falar das fraudes em concursos públicos que privilegiam amigos e parentes de servidores. Consequentemente, isso leva o país a desenvolver serviços e produtos inferiores ao que ele poderia produzir, já que os candidatos melhores preparados estão desempregados ou ocupando cargos que bloqueiam seus verdadeiros potenciais.

UMA SOLUÇÃO IMEDIATA
Sabendo que essa realidade não mudará tão cedo nem tão fácil, aconselho aos menos simpáticos e aos mais tímidos para que a partir de agora tentem imitar uma pessoa muito simpática e extrovertida na frente de todos. Se possível, também seja amigo ou bajulador de alguma autoridade política ou empresarial, mesmo que não goste dela. Dessa forma, vocês terão mais chances de ser lembrados na hora de receber a indicação de alguém para um estágio ou trabalho. Inclusive para um cargo de elevado nível técnico, mesmo que vocês não tenham a menor idéia sobre como executá-lo.

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