domingo, julho 23, 2006

Notas da semana

Imparcialidade- Enquanto a maioria dos telejornais preocupa-se em evidenciar o sofrimento do povo libanês em detrimento de Israel, o programa de rádio a Voz do Brasil mostrou um jornalismo imparcial em relação ao conflito, mostrando os motivos dos dois lados e as verdadeiras causas da guerra israelense contra o grupo terrorista Hezbollah e as forças que o apóiam (Irã, Síria, o próprio Líbano etc). No Jornal Nacional, o estilo “Homer Simpson” junto com o “shownalismo” prejudica a fidelidade das informações e aumentam o ódio contra Israel e os judeus.

Trânsito – No último mês a prefeitura natalense instalou uma faixa de pedestres num trecho da Av. Brancas Dunas, ao lado do Condomínio Bairro Latino. Em todos os dias de sua existência não vi NENHUM motorista respeitando a tal faixa. A maioria continua passando por ela em alta velocidade. Ou as placas de sinalização estão mal posicionadas ou o motorista natalense continua precisando de aulas de trânsito.

sexta-feira, julho 14, 2006

O Sheik Revoltado

Destruiram a casa do líder do grupo terrorista Hezbollah, o xeque Hassan Nasrallah. Mataram civis libaneses, destruiram emissoras de tv e de rádio e tudo continuava na mesma. Mas quando quebraram a casa dele, o sr. Nasrallah ficou tão enraivecido que decidiu declarar "guerra aberta" contra Israel. Mas, sequestrar dois soldados israelenses e matar outros oito seria uma "guerra fechada"?

É interessante observar que, no Líbano, o Hezbollah não é visto como um grupo terrorista, mas sim como uma entidade de resistência contra a invasão israelense ao país, em 1982. Ou seja, é um grupo com objetivo morto. Afinal, não existia invasão israelense desde então. Mas parece que suas últimas ações estão provocando a reocupação e justificando seu antigo objetivo.

Segundo informações do site da Folha, o grupo também é um dos principais partidos libaneses, realiza ações humanitárias e possui uma rede de escolas e hospitais!? Deve ser uma boa idéia misturar armas com ensino. Só nos resta saber que tipo de coisas eles ensinam lá. Isso nos lembra imagens de criancinhas palestinas e libanesas posando com trajes militares e armas. Lá, o ódio é ensinado pouco depois de nascer.

Não vai demorar muito para que o próprio governo do Líbano declare guerra contra Israel. Se isso acontecer, podemos esperar a mesma atitude da Síria e do Irã, que já estava praguejando contra o Estado judeu há muito tempo.

E tudo isso por causa de uns bandidos presos em Israel que o Hezbollah quer libertar. Soldados por bandidos. A exigência do Hezbollah inclui a libertação de Samir al Quntar - que cumpre múltiplas penas perpétuas em Israel, no total de 542 anos, e é acusado de matar o soldado israelense Danny Haran, 28, e sua filha de quatro anos, após seqüestrá-los em 1979.

Israel, Líbano e o telejornalismo brasileiro

“Ataque israelense mata família brasileira”, imprimem os veículos de comunicação nos títulos das notícias mais recentes sobre o conflito no Oriente Médio. Será que vai começar tudo de novo? Em 2002 a mídia brasileira e internacional iniciou uma onde de ataques contra o Estado de Israel devido ao conflito local que esse país mantinha com os palestinos, mais especificamente por causa do agravamento da segunda intifada(revolta) palestina, iniciada em 2000. Lembro-me claramente das notícias altamente parciais a favor dos “pobres palestinos” que eram divulgadas tanto pela imprensa internacional quanto pelos meios jornalísticos brasileiros, acusando os “terríveis judeus” de um genocídio ou coisa parecida que, na verdade, inexistia. Bom, isso acontecia apesar de alguns acusarem os judeus de controlarem a mídia mundial. Acusações contra judeus nunca foram novidades. Ora, existem até aqueles que acham que eles controlam o mundo!

Nos jornais impressos e na internet a notícia sobre a morte da família brasileira é bem mais detalhada e imparcial do que aquela encontrada nas matérias televisivas. Como a notícia de televisão é mais espetáculo do que informação, os responsáveis por ela preocupam-se em destacar os pontos mais fortes e as imagens mais chocantes para o telespectador médio brasileiro, representado por aquele indivíduo de nível intelectual baixo que aumenta os níveis audiência, trazem anúncios, e que ainda recebem o apelido de Homer Simpson. “Se Homer não entender a notícia, ela não vai ao ar. Ainda precisa deixá-la mais simples”, disse um famoso apresentador de telejornal. Dane-se a informação, o que importa é a audiência. O fato de a família morta no Líbano possuir uma das nacionalidades brasileira e ter sido executada por militares judeus é o ponto de destaque. “Nossa! Os judeus estão matando até brasileiros!”, pensam alguns, mal informados por esse tipo de atitude da mídia. Para alguns telejornais, certamente aqueles de maior audiência, não importam detalhes como o fato de a família ser, de fato, libanesa e ter se naturalizado brasileira somente após alguns anos morando aqui. Nem o cônsul-geral do Brasil no Líbano soube informar em que período o casal viveu no Brasil, já que não há registro de sua passagem pelo país no consulado. Mas os telejornais transformam essa família de dupla nacionalidade em uma família legitimamente brasileira apenas para que os telespectadores identifiquem-se com ela e, dessa forma, fazer seu “shownalismo”. Também não importa se o ataque foi provocado pela irresponsabilidade, para não falar condescendência, do governo libanês em relação ao grupo terrorista Hezbolah, que se encontra em seu território. Quais forças fazem o senhor presidente Émile Lahoud ficar de mãos atadas perante esses fatos? Alguns especialistas no assunto afirmam que o governo libanês não tem força para controlar o Hezbolah e que ele precisaria de uma ajuda internacional para que isso fosse feito. No entanto, o governo libanês nem sequer tentou fazer alguma coisa além de pedir que Israel parasse de atacar. “Por favor, parem de atirar em nós, mesmo que vocês continuem sendo mortos”. Temos que concordar que esse pedido é “um pouco” complicado e alguém tem que fazer alguma coisa. Afinal, normalmente, ninguém é agredido sem reagir.

Voltando para a questão do tratamento das mensagens televisivas, um dia ainda espero ver a chamada de uma notícia assim: “Ação do Hezbolah provoca morte de brasileiros”. Mas talvez esse dia não chegue nunca, pois é um título complicado demais para o povão brasileiro. Homer não entende. Afinal, quem sabe o que é Hezbolah? Além disso, essa chamada não seria tão fiel ao que realmente ocorreu. Então vejamos essa: “Conflito entre Israel e Líbano mata família brasileira”. Agora sim o título reflete com mais veracidade a tragédia da família, cuja culpa recai sobre os dois países, além do Hezbolah, é claro.

Além desse problema encontrado nas telenotícias, o título ou manchete é muito importante também nos jornais impressos. Apesar de ser mais explicativa, as notícias impressas não costumam ser lidas na íntegra. Muitas vezes o leitor do jornal simplesmente passa os olhos sobre os títulos para ver se encontra algo que lhe interesse. Por exemplo, se o leitor está mais preocupado na situação do crime organizado em São Paulo, ele apenas colherá a informação sobre o conflito no Oriente Médio baseando-se apenas no título: “Israel mata família brasileira”.

Como observamos, com o objetivo de oferecer uma notícia espetáculo – ou “shownalismo” - ao telespectador médio brasileiro, as emissoras acabam manipulando uma realidade que termina influenciando a opinião de todos os telespectadores do país. Opinião essa que, por mais vezes do que deveria, acaba denegrindo o Estado de Israel e os próprios judeus, auxiliando assim a perpetuação do anti-semitismo e também contribuindo para a falta de qualidade no telejornalismo brasileiro.

quinta-feira, julho 13, 2006

Da Vinci e as questões cristãs *

Por Nestor Burlamaqui
* Este artigo também foi publicado no Jornal de Hoje.
Muitos cristãos, sejam católicos ou evangélicos, já estavam revoltados e indignados com a mensagem da obra “O código Da Vinci”, do escritor Dan Brown. E a recente publicação do filme baseado no mesmo livro reacendeu a polêmica e a revolta dos mais religiosos. Todos já sabem que o centro dessa polêmica seria um eventual casamento de Jesus com Maria Madalena. Os cristãos simplesmente não aceitam essa hipótese que abalaria as bases do cristianismo: “Imaginem se Jesus fosse casado. O que seria da igreja católica?”. A verdade é que caso isso fosse confirmado, pouco mudaria no cristianismo, pois o fato de Jesus ser pai talvez afetasse apenas a obrigação do celibato dos sacerdotes católicos. Por acaso, é a mesma obrigação que andou causando escândalos sexuais envolvendo crianças nos EUA e alguns casos no Brasil também.

Por isso, a igreja e seus fiéis não deveriam se preocupar tanto com um eventual casamento de Jesus, mas sim com o questionamento sobre a divindade de Jesus, que também é explorado – mesmo que de forma discreta - na obra do Sr. Brown. Na verdade Jesus virou Deus na base do voto durante o Concílio de Nicea, ocorrido em 325 d.C. Na ocasião foram estabelecidas algumas questões referentes ao novo cristianismo estabelecido pelo imperador romano Constantino. É interessante e irônico ver que Roma matou Jesus e depois inventou o cristianismo. Poucos param para pensar nisso. A necessidade de Jesus ser considerado um Deus era importante para que toda a população romana aceitasse a nova religião, pois era comum que até os imperadores tivessem status divino. Então, o cristianismo criado e divulgado por Paulo foi modificado de forma a adaptar-se à crença pagã do Sol Invictus, bastante popular em Roma. Então é por isso que Jesus é considerado até hoje como o Deus encarnado, por causa de uma votação baseada em princípios pagãos. “Se Jesus não for Deus, o que será do cristianismo?”. Essa preocupação certamente é bem mais séria do que o fato de ele ser pai de família e, além disso, é uma verdade que encontra mais fundamentos históricos. Afinal, tudo indica que a divindade de Jesus foi obra da opinião humana. Certamente, nem o próprio Jesus - que era judeu - afirmou isso. No judaísmo, era - e ainda é - um absurdo Deus encarnar num homem. Interessante e incoerente também ver que Jesus, apesar de seguir a religião judaica normalmente, tem como “seguidores” os cristãos, que pertencem à outra religião. E poucos param para pensar nisso.

Já sobre o casamento de Jesus, prováveis defensores da verdade católica podem apontar os evangelhos como fontes que podem contestar qualquer argumento favorável a essa hipótese matrimonial. Porém, o fato de os evangelhos terem sido selecionados e editados por sacerdotes cristãos ao longo dos séculos retira a credibilidade histórica de sua mensagem. Logo, qualquer absolutismo em relação à veracidade do que está escrito nos textos cristãos não passa de fé cega - que é amplamente garantida pela Constituição brasileira - mas que também é obviamente carente de credibilidade. Portanto, em relação à inexistência desse casamento, não poderemos ter nenhuma certeza já que a manipulação dos textos cristãos é um fato. E os indícios históricos que buscam um possível casamento abrem a forte possibilidade de ele ter existido, juntamente com eventuais filhos.

Mensagens Nocivas

A segurança da sociedade brasileira está sendo prejudicada por algumas mensagens que aparentemente servem para alertar às autoridades sobre a realidade do crime, mas na verdade produzem efeitos indesejados que podem agravar a carente segurança do povo brasileiro.

Um padre falou um dia num telejornal local, afirmando que os crimes aumentaram na comunidade de Mãe Luiza após a divulgação do documentário Falcão, meninos do tráfico. Alguns jovens da comunidade teriam se identificado com os protagonistas da produção, que passam por uma realidade semelhante à deles. O cantor de rap MV Bill, um dos responsáveis pelo documentário, afirmou que o objetivo em fazer o vídeo era mostrar a realidade dos jovens segundo o ponto de vista deles. De acordo com o cantor, os jovens sempre eram considerados os grandes culpados nas análises de sociólogos, antropólogos e especialistas de segurança.

De fato, o vídeo destaca a triste realidade que os jovens de comunidades pobres vivem como motivo para eles entrarem no mundo do crime, como se eles não tivessem muita culpa por serem criminosos. Sabemos que o indivíduo é bastante influenciado pelo meio social onde vive e a pobreza de um país sempre será um elemento de risco para o crime se desenvolver. A culpa disso certamente deve ser compartilhada com muita gente, mas não estou escrevendo isso para discutir quem é o culpado da criminalidade, mas como esse tipo de mensagem prejudica a sociedade em geral, pois geralmente o efeito dela não é muito bom.

A verdade é que o objetivo original adquire outra dimensão além da pretendida pelo criador desses tipos de mensagens, pois eles esquecem que, da forma como é feito, a mídia acaba recompensando os atos criminosos com a fama, atribuindo um status notório ao bandido, diante da sociedade, como ele nunca teve antes. Isso realmente instiga a prática de crimes e deve ser evitado, pois a mensagem ganha importância dentro dessas comunidades, onde os indivíduos, além de encontrar um pretexto para participar do crime, adquirem um papel de prestígio dentro do grupo. Os jovens começam a observar os bandidos da comunidade como verdadeiros heróis, e é aí onde está o grande perigo.

O que fazer, então? Censurar esses tipos de mensagens? Talvez sim, pois não podemos prejudicar toda a sociedade usando como pretexto a bandeira da liberdade de expressão ou da democracia. A liberdade é boa, mas sabemos que devem existir limites. Considero que o conhecimento dessas mensagem deveria ser privativo do governo, que agiria com mais eficácia contra o problema social, mas sabemos que o nosso governo não é muito eficiente para combater a triste realidade do tráfico de drogas. Então ficamos num impasse a ser resolvido. Mostrar a realidade, atribuído recompensas pela criminalidade, ou censurar a sociedade, anestesiando-a a respeito desse grave problema?

Eleitores que corrompem

* Este artigo foi publicado no Jornal de Hoje

A culpa de um de nossos maiores problemas políticos, a corrupção, por vezes é apontada como sendo de inteira responsabilidade das próprias autoridades políticas. A princípio, essa idéia aparenta ser bastante lógica e a população geralmente recorre a esse pensamento para proferir críticas aos políticos brasileiros.

O que poucos sabem ou admitem é a existência de uma relação corrupta de interdependência entre o povo e o poder político. Trata-se de um processo onde uma parcela do próprio eleitorado corrompe as autoridades usando pressão eleitoral, criando assim, dentro dessa relação, uma norma a qual as autoridades não podem desobedecer sem serem punidas nas próximas eleições, quando provavelmente não obterão sucesso.

Fiquei sabendo de um caso que acontecia frequentemente numa cidade do interior do Estado e provavelmente talvez ainda ocorra. Quase que diariamente, uma fila de pessoas se formava em frente à residência da então prefeita. Essas pessoas surgiam pedindo dinheiro para o pagamento de contas de água e de luz, remédios, entre outros pedidos variados. A prefeita sabe que se não der o dinheiro, perde votos e talvez nunca mais tenha sucesso político novamente. O boato que ecoa pelo resto da população dessa cidade é de que o dinheiro que paga essas contas não vem do bolso da prefeita, mas sim do erário público. Certamente, o fato de pagar a conta de dezenas ou centenas de pessoas por mês com o próprio dinheiro causaria um grande prejuízo pessoal para alguém que recebe o salário de um cargo eleitoral no interior do Estado. Fico longe de duvidar que comportamento semelhante talvez ocorra em várias outras cidades do Estado ou até mesmo na capital. Não tenho provas, mas meu objetivo aqui não é denunciar. Desejo apenas exemplificar a ajuda do eleitorado na perpetuação da corrupção política. Vejam que situação constrangedora para um país: mesmo que suba ao poder uma pessoa de comportamento intocável e plenamente honesta, a vida política desse cidadão estará seriamente comprometida caso ele não roube.

Sendo assim, o fim desse tipo de prática dentro de um país deve ser procurado não só entre os políticos. Citando o articulista Stephen Kanitz, “não serão intervenções cirúrgicas (leia-se CPIs), nem remédios potentes (leia-se códigos de ética), que irão resolver o problema da corrupção no Brasil”. Se o próprio povo brasileiro é corrompido e, como visto aqui, corrompe os outros, qual o direito que esse povo tem de reclamar de atitudes semelhantes, praticadas por seus governantes? Na verdade, tem todo o direito. Mas é uma reclamação bem incoerente.

Corrupção sempre existirá. Ela existe até nos países considerados mais honestos, mesmo que seja em menor escala. A diferença entre esses países mais honestos e o Brasil não está nos genes “mais evoluídos” ou “mais honestos” deles. A diferença é investimento em auditoria e fiscalização. Ainda lembrando Kanitz, precisamos da vigilância de um poderoso sistema imunológico que combata a infecção no nascedouro.

Talvez com um maior número de fiscais e auditores no Brasil, seria bem mais difícil corromper os poucos profissionais existentes nessa área. E os pequenos desvios de recursos públicos que acontecem no interior do Rio Grande do Norte ou no Congresso Nacional seriam evitados, impedidos antes de adquirirem uma proporção de milhões de reais, como é o que acontece com maior freqüência atualmente.

Quem sou eu

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Jornalista e escritor. Mestre em Ciências Sociais (UFRN). Bacharel em Comunicação Social. Interessado em diversas ciências comportamentais.