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Ciência de verdade ou fé nos cientistas?

No final de um documentário, o físico Stephen Hawking afirmou que a origem do universo pode ser explicada sem a necessidade de um criador e que, por consequência, poderíamos dizer que não existe vida após a morte. Eu admirava o Hawking, mais pela imagem de genialidade que nos é transmitida pela TV, mas depois dessa conclusão ilógica, tive uma decepção, mas foi bom, pois eu pude ver o quanto de fé está impregnada no atual mundo científico.


Após o advento iluminista, os cientistas começaram a adquirir o status de novos sacerdotes. Se antes o que a Igreja dizia era considerado a verdade, hoje, cada vez mais pessoas simplesmente acreditam no que os cientistas dizem, até mesmo em homenzinhos do espaço [1], sem fazer questionamentos. Se antes as verdades eram imutáveis (dogmas religiosos), hoje, algumas crenças com base na ciência alteram-se de uma década para a outra, às vezes num ritmo até mais rápido, como podemos constatar perante descobertas nutricionais. Ovo faz mal? Colesterol faz b…
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Quem tem medo do Bolsonaro?

As intensas demonstrações de ódio contra o deputado federal Jair Messias Bolsonaro [1] são evidências de que algo vai mal na mente aberta e descolada de muitos maconheiros, professores universitários e esquerdistas de plantão. Caberia tanto ódio assim num grupo que se afirma como sendo tolerante, aberto ao diverso, ao debate e à pluralidade de ideias? Não suportariam eles a existência de um único político alinhado com o pensamento conservador de direita? O professor Leandro Karnal, por exemplo, teme pronunciar seu nome como se o deputado fosse um terrível vilão do Harry Potter. A análise "profunda" do acadêmico [2] nos denuncia uma coisa: tem muita gente com medo do Bolsonaro. Por muito tempo, a mídia utilizou-se das posições do parlamentar para expô-lo como um personagem moralista e radical, um estereótipo útil para ser posto como contraponto a opiniões liberais e no intuito maior de gerar polêmica, debates acalorados ao vivo e, essencialmente, audiência e lucro, como pod…

Dignidade Esquecida

"Se chegar nesse ponto, quero que me você mate. É uma ordem. Não serei executado por propaganda para meu filho e o povo americano me ver na porra do YouTube pelo resto de suas vidas.", disse Benjamin Asher, presidente dos Estados Unidos para o agente Mike Banning, no filme London Has Fallen (Invasão a Londres, 2016). Assisti isso no dia anterior ao assassinato - na vida real - do embaixador russo Andrey Karlov, diante das câmeras, numa galeria de arte. E a vida imitou a arte. A morte do embaixador está no YouTube para seu filho e esposa verem para sempre. No filme, a situação era menos bizarra, pois não foi a imprensa ocidental que publicou o vídeo na internet, mas sim os próprios terroristas (que no final não conseguiram fazer isso).A prática comum de virar notícia como uma forma de ganhar espaço na mídia - como fazem empresas e políticos por meio de seus assessores de imprensa - não pode ser concedida a grupos criminosos. Uma coisa é Donald Trump virar manchete ou ser ent…

Como a Imprensa Alimenta o Crime Organizado

Sempre que fico sabendo de algum boato escabroso pelas "mídias sociais", pergunto-me: "Isso está nos jornais?". A imprensa - embora não seja plenamente confiável - ainda é uma espécie de porto seguro para o que ocorre no mundo à nossa volta, especialmente agora, com a popularização das chamadas novas tecnologias. Os jornalistas precisam apurar tudo o que é publicado e essa é a prática mais comum, o que torna a informação bem mais confiável do que uma mensagem de texto ou de áudio que chega - não sei de onde - ao meu smartphone. Afinal, sempre é bom evitar o que ocorreu na noite de 17 de março de 2015, em Natal-RN, quando boatos divulgados via smartphones causaram pânico em grande parte da população. No entanto, essa mesma imprensa - mais ou menos aprisionada na lógica de produção de notícias e nos critérios de noticiabilidade - termina por prejudicar a população de outras formas, ajudando, por exemplo, no aumento da criminalidade violenta advinda de grupos crimino…

Super-heróis abaitolados & semideuses ateus

Recentemente, assisti o filme They Live (1988), uma produção semelhante a Matrix (1999), trazendo um tema parecido com o de vários outros filmes que contestam a realidade do mundo. Isso fez-me pensar em como esses filmes estão alinhados com o que diziam nossos professores do ensino médio: "contestem a realidade, sejam críticos. A geração de vocês é muito conformada!", tentando encaixar-nos no estereótipo do jovem revolucionário segundo o qual todo jovem precisa contestar as normas da sociedade opressora e alienante. Engraçado é que podemos contestar tudo, menos o que o politicamente correto impõe.
Enquanto alguns filmes, famosos e aplaudidos, assumidamente, nos fazem questionar a realidade do mundo e as normas tradicionais de nossa civilização, como Meu passado me condena (1961), Sopro no Coração (1971), O Lenhador (2004), Brokeback Mountain(2005) e Tomboy (2011), outros fazem o mesmo de modo mais ou menos disfarçado, como a maioria dos filmes mais recentes de Hollywood, os q…

O golpismo petista

Em 1993, o Partido dos Trabalhadores (PT) entrou com um pedido de impeachment contra o presidente Itamar Franco. Durante o governo FHC, o PT entrou com quatro pedidos de impeachment contra o então presidente Fernando Henrique Cardoso.
"Pela primeira vez na América Latina, o povo brasileiro deu a demonstração de que é possível o mesmo povo que elege um político, destituir esse político.", dizia o Lula a respeito do fato de Collor ter sofrido o impeachment. O ex-presidente adorava o impeachment e não tinha vergonha de declarar isso.

Agora, quando o PT é o alvo, seus membros hipócritas agem como se fôssemos idiotas, acusando um pedido de impeachment de golpismo, atiçando comportamentos agressivos de sua militância cega e adotando, sem qualquer tipo de vergonha, um vitimismo de dar nojo.
Ao mesmo tempo, seus lacaios mais influentes recorrem ao uso da violência para agredir qualquer um que seja contra o que pretendem, convocando fanáticos para queimar veículos de imprensa, como fe…

Baixaria agora é moda.

Não é de hoje que percebo uma redução nos valores morais em nosso país, um aumento generalizado na pobreza de espírito e na valorização da baixaria instintiva de cada um de nós. Alguns podem dizer que isso talvez seja apenas uma impressão minha, e que o brasileiro sempre foi assim e que a coisa estaria mais visível apenas por causa da popularização da internet. Bom, discordo parcialmente.
A popularização da internet não é apenas um fenômeno que expõe de forma generalizada determinados comportamentos considerados imorais (consumo de drogas de todo tipo, desvalorização da mulher, práticas sexuais inusitadas, comentários agressivos desnecessários etc). Essa popularização possuiria também um papel crucial num processo de destruição de normas relacionadas à moral dos indivíduos em nossa sociedade, num efeito semelhante ao processo de informalização, no qual as pessoas passaram a agir de forma mais informal, como relata Steve Pinker1.
Enquanto o processo civilizador foi um fluxo de normas…