quarta-feira, dezembro 23, 2009

As notícias são úteis?

Recentemente tenho abandonado o mundo das notícias. Especialmente aquelas dos meios de comunicação de massa. Apesar de ser bacharel em jornalismo, já faz meses que não assisto um telejornal, nem acesso sites de notícias. Alguns poderiam supor que o fato de eu estar entrando num mestrado em uma área diferente da qual eu me formei seria o motivo. Não é só isso. Mesmo se fosse esse, já demonstraria a inutilidade das notícias dos meios de comunicação de massa diante de uma necessidade importante: estudar e desenvolver o intelecto. Talvez suporiam que devido ao fato de eu não ter escolhido trabalhar na área de jornalismo, eu estaria demonstrando um comportamento de despeito e revolta contra tudo o que os jornalistas produzem. Mas também não é isso. Pelo menos eu acho que não (depois, citando Pareto, falo disso). De qualquer forma, este artigo explica explica isso também.

O fato é que, realmente, devido ao meu tempo ter se ocupado com muita leitura e escrita de ordem acadêmica, aos poucos percebi que as notícias comumente divulgadas na TV e na Internet são quase sempre inúteis para meus objetivos atuais. Não tenho números exatos mas julgo que aproximadamente 90% das informações divulgadas na televisão como notícias encontram-se dentro do grupo no qual encontramos informações sobre política, catástrofes, crimes ou coisas sobre as quais eu não posso fazer nada para mudar; e, exatamente por isso, só servem para fomentar sentimentos de frustração, medo ou pânico, dependendo do conteúdo da informação. Por exemplo, notícias sobre crimes. O que fazer para resolver esse problema? O que eu, individualmente, posso fazer? Andar de branco na avenida segurando um cartaz de “paz agora”? Talvez seja uma atitude nobre fazer reivindicações, mas sabemos que ninguém está se preocupando em fazer algo, pessoalmente, sobre isso. “Deixem isso para a polícia. Já tenho problemas demais”, pensam todos, e não estão mentindo. E as falcatruas na política? Pra que servem os escândalos divulgados na mídia se o povo acaba elegendo os mesmos palhaços em cada eleição? E por aí vai.

Analisando isso, talvez não seja absurdo afirmar que o telejornal está no mesmo nível de distração doméstica que a telenovela. Não vejo outra explicação para que tantas pessoas o assistam. Da mesma forma que as mulheres comentam com as amigas a respeito do cotidiano fictício dessas novelas, os homens, no lugar disso, comentam os desastres, os assaltos, os joguetes políticos partidários etc. Da mesma forma que os noveleiros não podem fazer nada se o vilão da novela está prestes a manipular os mocinhos e atrapalhar seu romance, os que consomem informações dos telejornais também não podem fazer nada se os políticos continuam roubando, se os palestinos e israelenses não se entendem ou se dezenas de pessoas morreram num desastre no sul do país. Quem consome notícias as usa apenas como entretenimento. É um simples prato cheio de emoções que o indivíduo come para sua própria satisfação. Um prato que lhe dá a ilusão de que está participando dos assuntos da sociedade pelo simples fato de tomar conhecimento deles e comentá-los entre os colegas e amigos, mas na verdade é um mero observador impotente. Não passam de “noveleiros” da realidade montada pela mídia. São simples mentes produzidas pela mídia para consumir seus produtos e, ao mesmo tempo, anestesiadas para não enxergarem a verdadeira realidade da qual são vítimas.

Mas não serei hipócrita ao ponto de dizer que não assisto TV. Na verdade, no meu tempo livre, eu assisto muita TV, mas não telejornais. Eu procuro programas de comédia e, no máximo, documentários leves. Pra quê a preocupação que as notícias inúteis me trazem?

Quem sou eu

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Jornalista e escritor. Mestre em Ciências Sociais (UFRN). Bacharel em Comunicação Social. Interessado em diversas ciências comportamentais.