quinta-feira, dezembro 29, 2016

Dignidade Esquecida

"Se chegar nesse ponto, quero que me você mate. É uma ordem. Não serei executado por propaganda para meu filho e o povo americano me ver na porra do YouTube pelo resto de suas vidas.", disse Benjamin Asher, presidente dos Estados Unidos para o agente Mike Banning, no filme London Has Fallen (Invasão a Londres, 2016). Assisti isso no dia anterior ao assassinato - na vida real - do embaixador russo Andrey Karlov, diante das câmeras, numa galeria de arte. E a vida imitou a arte. A morte do embaixador está no YouTube para seu filho e esposa verem para sempre. No filme, a situação era menos bizarra, pois não foi a imprensa ocidental que publicou o vídeo na internet, mas sim os próprios terroristas (que no final não conseguiram fazer isso).

A prática comum de virar notícia como uma forma de ganhar espaço na mídia - como fazem empresas e políticos por meio de seus assessores de imprensa - não pode ser concedida a grupos criminosos. Uma coisa é Donald Trump virar manchete ou ser entrevistado por certas declarações polêmicas (as quais ele sabe que as pessoas gostam de ouvir) - como ele mesmo relatou em seu livro América Debilitada (2016). Outra coisa é sequestrar e/ou assassinar para divulgar uma gangue de criminosos e suas intenções políticas, como fizeram aqui no Brasil membros do "crime organizado"[1] e como fez o assassino do embaixador.

Ao saber que o terror islâmico usa a mídia internacional - buscando agir em grandes cidades com alta densidade de jornalistas - percebemos um dilema entre o direito à informação do público e a ética profissional da imprensa. Como um jornalista deveria lidar com um atentado que ele sabe que foi perpetrado com o objetivo maior de ser divulgado na imprensa. O que fazer ao saber que pessoas foram assassinadas apenas para que o fato fosse publicado? E o que pensar sobre a imagem das vítimas, como foi o caso do Andrey Karlov? Acredito que esta última questão seja a última coisa que muitos profissionais da mídia preocupam-se, e é justamente nesse ponto em que falhamos como civilização.

A prática ética de proteger a imagem das pessoas em momentos de fragilidade equipara-se - em meu entendimento - ao direito à privacidade. É pressuposto que nenhum indivíduo deseja exibir-se publicamente sendo espancado, sendo assassinado ou tendo seu cadáver exibido de modo sensacionalista. A curiosidade coletiva dos telespectadores - assim como as intenções de lucro da imprensa - é um sentimento inferior demais se comparado com a preservação da honra e da imagem individual, e ferir esse princípio ético é uma grande falta de respeito à vítima e sua família e às nossas - pressupostas - intenções de crescer ou de pelo menos não decair ainda mais como uma sociedade digna.

Proteger a imagem das pessoas não fere o direito à informação, que pode ser fornecida sem a necessidade de vídeos de violência e morte, os quais - esses sim - são tradicionalmente passíveis de controle pela mídia, como podemos ver no código de ética brasileiro de radiodifusão, certamente com equivalentes em diversos países democráticos.

"Um terrorista matou o embaixador russo Andrey Karlov durante um discurso numa galeria de arte" é o suficiente para ser noticiado. Acredito que informar as motivações do crime - desde que seja de forma superficial - é importante para a informação, mas não é interessante publicar o nome de um eventual grupo terrorista ao qual ele estaria ligado ou divulgar nomes dos líderes do grupo. Alguns colegas poderiam afirmar que eu estaria omitindo, mas na verdade eu estou apenas recusando-me a fazer propaganda gratuita do crime. Quem precisam saber o nome usado por um grupo criminoso são as autoridades investigativas. Os consumidores de notícia não; especialmente quando é justamente essa a motivação do crime: tornar-se famoso.

Os responsáveis pela imprensa tradicional - teoricamente - já conhecem bem seus códigos de ética e a legislação que lhe cabe, sendo necessário a eles apenas um bom exercício de consciência diante dessa realidade; mas, e quanto aos criadores de conteúdo para internet? Penso que todo blogueiro (especialmente aqueles com muita audiência) deveria ter noções básicas de ética e informação. Os denominados youtubers provavelmente preocupam-se mais em ganhar mais visualizações com seus trejeitos e atuações exageradas do que em passar uma informação relevante e útil. As pessoas gostam mesmo é de bobagens.

Por isso, não sou ingênuo ao ponto de acreditar que no Brasil - um país de educação e moral em declínio [2] - algum jornalista ou blogueiro vá se interessar em adotar a ética como um guia de suas atividades. Graças à internet e ao caráter moral de seus usuários, centenas de vídeos de mortes, ameaças, assaltos, atropelamentos estão disponíveis na rede. A barbárie é digital. Você vive o pior do mundo sem precisar sair de casa. Acredito que os efeitos psicológicos na população sejam devastadores.

Uma solução?

Seria interessante - ou urgente, em nosso caso - um tipo de selo de qualidade, dado periodicamente a jornais, revistas, websites e canais (virtuais ou não) que atestariam o compromisso ético de seus responsáveis. Não poderíamos classificar isso como censura, pois ninguém está bloqueando conteúdos previamente, mas sim os qualificando, para o bem dos consumidores. Isso seria muito útil para muita gente, especialmente para os pais preocupados, já que cada vez mais as crianças e adolescentes navegam por caminhos obscuros e bastante impróprios da internet. Não precisaríamos criar uma nova lei ou deixar isso nas mãos do governo. Ele não precisa ser o único responsável pela civilidade da nação. Já possuímos leis suficientes. Elas apenas precisam funcionar.

Um grupo independente, formado por filósofos, sacerdotes, juristas e comunicadores poderia fazer isso todo ano, publicando uma lista com todos os veículos e canais relevantes que receberam o selo de qualidade. Isso não impediria ninguém de acessar as bobagens que alguns youtubers falam ou as barbaridades que alguns veículos da grande imprensa e da internet publicam, mas seria um auxílio importante, um guia, uma luz para que os consumidores de informação brasileiros possam orientar-se em meio a um mar de trevas cada dia mais sujo.

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[1] Em 2006, um grupo criminoso sequestrou um jornalista da rede Globo com o objetivo de obrigar a emissora a divulgar um vídeo com demandas a respeito da situação dos presídios de São Paulo.
[2] Em outros artigos já denunciei como a popularização de smartphones fez com que o conteúdo disponível na internet decaísse moralmente, afetando a população brasileira inteira, e aumentando o tamanho de indivíduos pertencentes a o que chamo de ralé moral.

quarta-feira, agosto 03, 2016

Como a Imprensa Alimenta o Crime Organizado


Sempre que fico sabendo de algum boato escabroso pelas "mídias sociais", pergunto-me: "Isso está nos jornais?". A imprensa - embora não seja plenamente confiável - ainda é uma espécie de porto seguro para o que ocorre no mundo à nossa volta, especialmente agora, com a popularização das chamadas novas tecnologias. Os jornalistas precisam apurar tudo o que é publicado e essa é a prática mais comum, o que torna a informação bem mais confiável do que uma mensagem de texto ou de áudio que chega - não sei de onde - ao meu smartphone. Afinal, sempre é bom evitar o que ocorreu na noite de 17 de março de 2015, em Natal-RN, quando boatos divulgados via smartphones causaram pânico em grande parte da população. No entanto, essa mesma imprensa - mais ou menos aprisionada na lógica de produção de notícias e nos critérios de noticiabilidade - termina por prejudicar a população de outras formas, ajudando, por exemplo, no aumento da criminalidade violenta advinda de grupos criminosos; mas isso não seria - necessariamente intencional. 

O que ocorre é que a imprensa - por meio de uma relação simbiótica com os grupos criminosos, a qual já foi confirmada por alguns estudos acadêmicos - acaba servindo como uma propagandista ou uma assessora de marketing institucional para essas "organizações", recompensando seus crimes, ameaças e atentados com reconhecimento, fama e prestígio.

A maioria das quadrilhas de criminosos não precisa, nem quer, que os outros saibam de sua existência. No entanto, grupos que demandam direitos para presidiários - assim como são as maiores "organizações" do crime no Brasil -  preocupam-se em aparecer para as câmeras e serem ouvidas por todos os cantos do país, como percebemos claramente em 2006, quando um grupo sequestrou um repórter da Rede Globo no intuito de obrigar a divulgação de um vídeo contendo um “manifesto” criticando o governo de São Paulo a respeito da situação carcerária no estado, e conseguiram. O vídeo divulgado pode ser encontrado na internet. Tradicionalmente, tais "organizações" recorrem a ameaças de rebeliões em presídios. No entanto, mais recentemente, têm recorrido também a ataques contra a população das cidades, incendiando ônibus e abrindo fogo contra patrimônio público, dentre outras ameaças mais agressivas que trazem medo para toda uma população, adotando um modus operandi obviamente terrorista.

Os bandidos sabem que a imprensa não demora em divulgar seus feitos, incluindo detalhes do motivo dos ataques e as exigências da quadrilha. E a imprensa faz isso porque notícias desse tipo dão muita audiência e vendem muito. É uma simples lógica de mercado que faz a simbiose ocorrer. “Vamos tocar o terror na cidade. Certamente a imprensa vai noticiar e seremos ouvidos”, pensam os bandidos. A estratégia deles é exatamente essa. Ganham os bandidos e a imprensa numa mesma tacada. Eis a simbiose!

No intuito de alavancar as vendas de jornais, alguns colegas pintam um quadro da situação bem pior do que é de fato, escrevendo manchetes como: “Bandidos tocam o terror em vários pontos da cidade”, quando na verdade foram apenas três focos de incêndio leve, sem vítimas e com pouco dano material. Embora tenha causado medo nos consumidores de notícias, não houve terror real, mas isso ampliou as vendas e fez propaganda do grupo criminoso x em troca de prejuízo material e psicológico para a população.

Ora, faz tempo que os programas policiais sensacionalistas se espalharam no Brasil inteiro, servindo de trampolim para carreiras políticas de alguns de seus apresentadores mais populares, o que nos faz pensar que, de fato, muita gente sobrevive e lucra com a indústria jornalística baseada no crime. Logo, muita gente perderia dinheiro se no Brasil se instalasse um clima de paz; e não seriam apenas os bandidos.

Sabendo disso, as redações verdadeiramente compromissadas com o bem estar da população deveriam adotar medidas de modo a minimizar os efeitos nocivos que a própria lógica de produção de notícias provoca. As entidades competentes deveriam discutir a respeito de quais medidas seriam essas. Será que é necessário a população saber as exigências das "organizações" criminosas? Até que ponto precisamos saber que se trata de crimes praticados pela “facção” x ou y? Ou até que ponto é necessário divulgar que houve participação de uma determinada quadrilha, se é justamente esse tipo de propaganda o que eles desejam? Até quando a mídia precisa participar desse tipo de relação? Afinal, a princípio, um grupo criminoso só existe na cabeça de seus membros. É óbvio que ela não possui qualquer tipo de existência jurídica. Quando vão perceber que é justamente a imprensa que legitima a própria existência desses grupos criminosos, dando-lhes voz e, consequentemente, reconhecimento perante o público? Recentemente, a revista Veja divulgou uma matéria dedicada a um desses grupos de delinquentes, fazendo propaganda de seu nome, dando detalhes de seu "código de ética" e ressaltando os principais pontos de seu "estatuto".

É por meio da ampla divulgação de um ou vários crimes que grupos terroristas passam a ser reconhecidos publicamente, como vimos no caso do Massacre de Munique, no qual o grupo terrorista Setembro Negro sequestrou e matou atletas israelenses durante os jogos olímpicos de 1972, em Munique, um evento transmitido mundialmente. Após negociações, os três terroristas sobreviventes foram libertados e deram uma entrevista coletiva na Líbia. Quando perguntados sobre o que eles teriam conseguido com a operação, Mohamed Safady, um dos membros, respondeu: “Fizemos nossa voz ser ouvida pelo mundo”. Ou seja, o crime é recompensado com a fama, que é o que eles realmente querem.

Mesmo que este artigo não venha a sugerir os detalhes das medidas a serem adotadas pelos jornalistas - as quais se mostram relativamente urgentes - acredito que elas devem incluir a implantação de filtros e limitações à informação divulgada, de modo que o efeito simbiótico seja anulado, cessando-se os benefícios de propaganda (dentre outros), que as notícias normalmente concedem a essas quadrilhas quando divulgam seus feitos. Ao mesmo tempo, deve-se manter a utilidade da informação para os cidadãos. Por exemplo, no lugar de divulgar que a facção criminosa Gangue da Pesada está tocando o terror na cidade em troca de mais visitas íntimas para presidiários, seria interessante publicar apenas que delinquentes atearam fogo em veículos. Dizer o nome de um grupo ou sugerir a participação de tal grupo e ainda dizer o que eles querem já é propaganda, assessoria de imprensa e marketing institucional, um desserviço que a imprensa está fazendo para todos nós.

Uma vez que essas medidas fossem adotadas, imediatamente esses grupos criminosos perderiam grande parte de sua influência, pois eles não teriam mais como orgulhar-se de eventuais atentados que perpetrassem, deixando de sentirem-se como “estrelas de cinema”, como diria o agente israelense Steve, personagem do filme Munique(2005), ao ver a entrevista coletiva dos terroristas sendo transmitida ao vivo, para o mundo inteiro. Sem a mídia para divulgar suas propagandas, mensagens e ameaças, perderiam a voz. O terror de ônibus incendiados seriam atos de meros "delinquentes", os nomes de suas "facções" seriam esquecidos e suas exigências descabidas cairiam no absoluto silêncio do anonimato.

domingo, julho 24, 2016

Super-heróis abaitolados & semideuses ateus

Recentemente, assisti o filme They Live (1988), uma produção semelhante a Matrix (1999), trazendo um tema parecido com o de vários outros filmes que contestam a realidade do mundo. Isso fez-me pensar em como esses filmes estão alinhados com o que diziam nossos professores do ensino médio: "contestem a realidade, sejam críticos. A geração de vocês é muito conformada!", tentando encaixar-nos no estereótipo do jovem revolucionário segundo o qual todo jovem precisa contestar as normas da sociedade opressora e alienante. Engraçado é que podemos contestar tudo, menos o que o politicamente correto impõe.

Enquanto alguns filmes, famosos e aplaudidos, assumidamente, nos fazem questionar a realidade do mundo e as normas tradicionais de nossa civilização, como Meu passado me condena (1961), Sopro no Coração (1971), O Lenhador (2004), Brokeback Mountain(2005) e Tomboy (2011), outros fazem o mesmo de modo mais ou menos disfarçado, como a maioria dos filmes mais recentes de Hollywood, os quais incluem - aqui e acolá - algum elemento da agenda de um ou de outro movimento social ligado às minorias.

Devo a essa tendência recente de Hollywood a queda na qualidade dos lançamentos, refilmagens e reboots de filmes. Tenho a impressão de que uma das maiores preocupações dos atuais remakes é revisar os sucessos produzidos antes da moda do politicamente correto, adequando-os para a agenda das minorias [1].



Por exemplo, Clash of Titans (2010) apresenta um herói revoltado com os deuses, e que não perde a oportunidade de deixar isso bem claro. Diferente de sua versão de 1981, Perseu aceita os presentes de seu pai divino com grande dificuldade, para deixar claro que os homens podem se virar muito bem sem divindades, uma tentativa patética de agradar o público de ateus e humanistas "esclarecidos". Porém, o próprio é um semideus; e a narrativa não deixa de ser guiada pela influência divina - a despeito do Perseu irritante e reclamão - um indício de que os elementos humanistas tinham apenas intenção de aplacar a intolerância religiosa dos novos preconceituosos [2].

Não precisamos procurar muito por outros exemplos: em 2012, Tarantino fez a refilmagem de Django, o transformando num negro; em 2015, os protagonistas do novo Star Wars eram uma mulher e um negro; em 2016, tivemos um Ghostbusters feminista: mulheres, mochilas protônicas e fracasso de bilheteria. A preocupação dos produtores parece ser fazer um filme de acordo com as demandas de certos ativismos políticos, mais do que realizar uma obra de qualidade, talvez com medo da reação barulhenta - com riscos de sofrer processos - dos censores do politicamente correto, bastante autoritários nos últimos anos. Por exemplo, O Senhor dos Anéis e O Hobbit, obras que não preocuparam-se com isso, foram acusadas de serem racistas por não terem negros em sua narrativa. Também reclamaram muito o fato de que o Capitão América (Capitão América: Guerra Civil, 2016) não sentia desejos abaitolados pelo seu velho amigo; e que o cartaz de X-Men: Apocalypse (2016) fazia apologia a violência contra a mulher.

Infelizmente, nessa turma podemos incluir alguns desenhos animados direcionados para crianças, como podemos ver no surreal e frequentemente doentio Adventure Time ou na falsa inocência de Steven Universo, ambos contendo doses visíveis de homossexualismo (dentre outras coisas mais pesadas), transmitidos pelo canal Cartoon Network. Sim, a personagem Garnet de Steven Universe é uma fusão mágica de duas meninas lésbicas de idade aparente de 13 a 15 anos; e as personagens Marceline e a Princesa Jujuba do Adventure Time foram namoradas no passado, como revelou a dubladora Olivia Olsen. Obviamente, no caso dos desenhos animados, a coisa vai além da ideologia, chegando ao ponto da canalhice, pois tenta empurrar crenças e comportamentos do ativismo gay para crianças e adolescentes sem o consentimento de seus pais.

Embora muitas dessas mensagens - em desenhos e filmes - sejam perturbadoras, incômodas e contrárias à opinião da maioria das pessoas, elas dão lucro, pois seus produtores sabem que o que é chocante é lucrativo - tanto dentro da produção de notícias quanto na lógica mercadológica da mídia em geral: se é polêmico e chocante, chama a atenção e dá audiência. Isso é tão verdade que até a Fox, considerada direitista, sustenta produções como Family Guy e American Dad!, com um humor que critica as instituições tradicionais e ignoram tabus.

Ou seja, não é necessário criar fantasias a respeito de compromissos obscuros de donos de emissoras com uma agenda esquerdista, pois a simples busca desmedida pelo lucro favorece a disseminação das mensagens da New Left. Falo mais sobre isso no texto “O Brasil está mais fascista?”, na obra 20 Polêmicas Brasileiras (2015). 

Além disso, o suporte a essas mensagens ganha apoio quando relaciona-se a aceitação do estranho e do bizarro a um forte indício de esclarecimento, intelectualidade, compaixão e compreensão com a causa dos "excluídos" - as tais minorias. Nada como ser politicamente correto e compreensivo com o sofrimento dos excluídos da sociedade, mesmo quando isso implica ser injusto com os demais. Nada como compreender o sofrimento do protagonista pedófilo em O Lenhador; ou entender o drama de vida de assassinos e traficantes como em Cidade de Deus (2002) e Última Parada 174 (2008), ou como a mãe pode fazer tudo pelo seu filho em Sopro no Coração, inclusive sexo com ele. Igualmente, é muito bom sentir-se altamente esclarecido ao perceber uma analogia entre as ilusões da Matrix e a atual sociedade judaico-cristã burguesa. "Nossa! É a alienação do homem, prevista por Karl Marx!", diz o jovem, entusiasmado e útil, louco para demonstrar seu brilhantismo perante seu professor esquerdista e maconheiro. Se vai contra as normas do status quo, deve ser aplaudido.

Já está mais do que comprovado que as ideias possuem reflexos no mundo material devido a ações delas decorrentes. Mensagens do tipo que procura destruir normas de uma civilização provocam conflitos desnecessários em seu interior, a enfraquecendo de tal modo que não é de se duvidar que outra civilização mais forte a destrua, como podemos ver, recentemente, na Europa, na qual a leniência do multiculturalismo já começa a fomentar o terrorismo islâmico.

O que precisamos fazer é retirar - de mensagens desse tipo - a aura de intelectualidade e esclarecimento que as cercam, desmascarando publicamente a razão pela qual insistem em atribuir tal característica a elas: revolução cultural para a destruição dos valores ocidentais, em moldes semelhantes ao defendido por Antonio Gramsci. Um movimento de fortalecimento das normas tradicionais deve existir para que o efeito dessas mensagens negativas seja minimizado. 

Por sorte, ainda há esperanças, pois o Brasil ainda é um país essencialmente conservador.  A maioria do povão não sabe, nem quer saber do politicamente correto. O conservadorismo brasileiro é tão forte que atinge até mesmo boa parte daqueles que - da boca pra fora - defendem ideais liberais e progressistas. Um indício disso é o fenômeno conhecido como Esquerda Caviar. A maioria dos intelectuais, seus alunos e/ou seguidores apresenta discursos nos quais nem ela mesma acredita, mas - vendendo suas almas - os sustenta para ser aceita dentro do círculo dos “intelectuais esclarecidos”. Os defensores da liberação das drogas abrem uma exceção tão logo seus filhos desejem consumir cocaína. Nenhum dos proponentes da ideologia de gênero ou do kit-gay nas escolas torce para que seu filho seja homossexual. Onde está o orgulho gay nessas horas? Quando vimos os socialistas doando, de bom grado, a maior parte de seu salário para os mais pobres? Até onde vai o feminismo quando a própria filha resolve prostituir-se, “empoderando-se” de seu corpo?

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[1] Recomendo a leitura do texto Marxismo Cultural, de Linda Kimball.

[2] Os novos preconceituosos seriam aqueles que, sem cerimônias, proferem xingamentos contra quem não pensa de acordo com sua identidade política ou ideológica, geralmente atribuindo ao outro as alcunhas de intolerante, preconceituoso, fascista e retrógrado, muitas delas sendo bem mais adequadas para eles mesmos do que para os alvos. Isso nos lembra da orientação de Lênin para com os adversários políticos do comunismo: "Acuse os adversários do que você faz, chame-os do que você é”.

sexta-feira, março 18, 2016

O golpismo petista

Em 1993, o Partido dos Trabalhadores (PT) entrou com um pedido de impeachment contra o presidente Itamar Franco. Durante o governo FHC, o PT entrou com quatro pedidos de impeachment contra o então presidente Fernando Henrique Cardoso.

"Pela primeira vez na América Latina, o povo brasileiro deu a demonstração de que é possível o mesmo povo que elege um político, destituir esse político.", dizia o Lula a respeito do fato de Collor ter sofrido o impeachment. O ex-presidente adorava o impeachment e não tinha vergonha de declarar isso.

Agora, quando o PT é o alvo, seus membros hipócritas agem como se fôssemos idiotas, acusando um pedido de impeachment de golpismo, atiçando comportamentos agressivos de sua militância cega e adotando, sem qualquer tipo de vergonha, um vitimismo de dar nojo.

Ao mesmo tempo, seus lacaios mais influentes recorrem ao uso da violência para agredir qualquer um que seja contra o que pretendem, convocando fanáticos para queimar veículos de imprensa, como fez o dirigente do PT, Crispiniano Neto, em Natal-RN.

Não há muito o que debater com pessoas desse tipo. Apenas encarcerá-los, como prevê a lei. Afinal, é isso o que se faz com gente que coloca seu projeto de poder acima de todos os valores, incluindo-se ai o valor da vida alheia, como é de se esperar de um grupo que compartilha os mesmos ideais de Che Guevara, Hugo Chavez e Evo Morales, ditadores, assassinos, populistas e comunistas, usurpadores da democracia na America Latina, aliados.

Prezados, o golpe está sendo perpetrado, mas não por quem apoia o impeachment - que é algo previsto em lei - mas sim pelo próprio Partido dos Trabalhadores e seus aliados.

O governo Dilma não é aprovado por 92% da população brasileira e mais de 2/3 do país pede seu impeachment. Nem Collor tinha tanta rejeição. Vamos seguir os conselhos do próprio Lula. Vamos exercer nosso direito de destituir políticos corruptos.

Quem sou eu

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Jornalista e escritor. Mestre em Ciências Sociais (UFRN). Bacharel em Comunicação Social. Interessado em diversas ciências comportamentais.