sexta-feira, junho 27, 2008

Mossoró Cidade Junina é show!? Doido é quem acredita!

Hoje o jornal Correio da Tarde, na sua página de opinião, afirmou que "mesmo com a turma do contra, São-joão de Mossoró é show".

A princípio, o texto pareceu-me mais uma tentativa de esconder a real situação da segurança do evento, enquanto defende-se de acusações de Sandra Rosado, que teria criticado o evento nos seus meios de comunicação.

Tentar defender o evento é aceitável, mas dizer que "é show" é a mesma coisa que chamar o povo de burro. O autor do texto defendeu o evento de Fafá Rosado, dizendo que contabiliza bons resultados, que são:

1) Lucro dos barraqueiros, mais ou menos uns 21 deles.
2) Notícia no Jornal Nacional ( grande coisa!)

Discordo dele pois:

1) Não importa o lucro de quem quer que seja: três mortes e vários feridos não compensam isso. Não há dinheiro que compre a tranquilidade que o povo tanto deseja.
2) Não importa notícia positiva no Jornal Nacional, o povo sabe que é diferente. Antes, quando não tínhamos chuva de bala da bandidagem em cima dos cidadãos de bem, era bom. Mas agora, de que adianta essas noticiazinhas?

Enfim, não é preciso que a oposição jogue lama no Mossoró Cidade Junina. Os fatos já bastam para que sua imagem permaneça negativa. A situação da segurança em Mossoró é complicada e todos esses problemas do Mossoró Cidade Junina é reflexo disso.

Veja: Mossoró Cidade Junina: doido é quem vai

sexta-feira, junho 20, 2008

Em defesa de Dunga, ou mais ou menos isso

Demorei um pouco para escrever sobre isso. O jogo foi anteontem, mas lá vai:

Segundo enquete do portal UOL, 84% dos votantes achou correta a atitude da torcida mineira - durante o jogo entre Brasil e Argentina (0 x 0) - que chamou o técnico brasileiro Dunga de burro e jumento.

Acho injusto chamar Dunga de jumento. Pelo menos não por empatar com o timaço argentino. Não é à toa que somos rivais. Bem pior é perder para o Paraguiai e para a Vanezuela – ambos por 2 a 0. Isso sim é ruim. Mas a culpa é só dele?


Tenho dúvidas se esse torcedor é realmente argentino. Saiu no portal UOL uma informação dizendo que era um torcedor argentino fazendo uma graça.



Na verdade, Dunga – juntamente com os jogadores (é bom lembrar disso) – conseguiu um empate com o seu maior rival, coisa que está longe de ser um desastre. Eu, pessoalmente, pensei que iríamos perder. Mesmo que o povo o chame de jumento, é indiscutível que o resultado foi melhor do que nos últimos dois jogos, quando perdeu para duas seleções de países cujo futebol não é conhecido pela qualidade.

Além do mais, culpar o técnico é uma saída simplista. Afinal, quem perdeu todas as oportunidades de gol não foi Dunga. Quem deu os passes errados também não. Sendo assim, a culpa é de toda a equipe. O que o técnico pode fazer quando sua estratégia de jogo leva o seu time até a “cara” do gol e seus jogadores não acertam o chute?

Porém, apesar disso, tenho que concordar com esta charge:


Veja mais:
Buemba! Dunga é promovido de burro para jumento!

sábado, junho 14, 2008

Fenômeno Miguel Mossoró, o temor dos poderosos

Nestor Burlamaqui

Este texto é dirigido para aquelas pessoas que ainda não compreendem ou insistem em combater fenômenos políticos do tipo Miguel Mossoró, que em 2004 – apesar de apresentar propostas fantásticas e uma postura brincalhona - alcançou um inédito e expressivo terceiro lugar nas eleições para a prefeitura de Natal/RN, deixando candidatos como Fátima Bezerra (PT) e Ney Lopes(PFL) para trás.

Na última sexta-feira(13/06), li um artigo chamado “Recado aos jovens de espírito”, publicado no mesmo dia, na Gazeta do Oeste. De uma forma geral, o texto defende uma postura séria dos jovens frente ao poder do voto. Indica uma fuga da realidade por parte dessas pessoas, que votam em candidatos supostamente desqualificados e com promessas fantásticas: pontes que cruzam oceanos, leite encanado para a população etc.

Eu entendi que o artigo reflete uma opinião em defesa dos atuais donos do poder político, que desejam evitar coisa semelhante ao que ocorreu em 2004 nas próximas eleições. Naquela ocasião, os candidatos que competiam com Miguel Mossoró tremiam de medo de uma vitória do ilustre candidato. E com razão.

Sabemos (todos nós, inclusive os jovens) que as eleições são teoricamente um processo de extrema importância para uma sociedade democrática que preste. Então é óbvia a seriedade com a qual o voto deve ser usado. Não é mesmo? Nem sempre, pois só ingênuos encaram com seriedade um processo de escolha cujas opções possuem – no mínimo – idoneidade duvidosa. Afinal, estamos falando de políticos brasileiros. No caso do Rio Grande do Norte, a situação piora ao vermos que – de uma forma geral – todas as opções são membros ou aliados de um mesmo grupinho de famílias. É inevitável. Muito ouvimos que – publicamente – membros do governo e da oposição se acusam, criticam-se, entram em conflito. Mas logo após os debates, vão todos comer e beber juntos (afinal, são primos), vangloriando-se de como conseguem manipular o povo.

Na verdade, e isso é o pior de tudo, uma grande parcela dos próprios eleitores não são enganados, mas simplesmente vendem seu voto. Outra boa parcela, que não precisa vender seus votos nem são manipulados pelos candidatos, prefere não votar. Porém, essa parcela é obrigada a votar, pela lei brasileira. Como não querem votar em nenhum dos candidatos –visivelmente incapazes de administrar alguma coisa com seriedade – buscam uma saída. Qual a saída? Voto nulo; em branco. Quando surge uma alternativa que encarna seus sentimentos de revolta em relação aos candidatos de sempre, melhor ainda: Voto de protesto. É uma forma eficaz de mostrar para os políticos que as pessoas não são tão idiotas e manipuláveis como eles gostariam que fossem.

Em suma, a questão vai além de uma simples brincadeira de jovens inconseqüentes. Trata-se de uma forma de se expressar através do voto. Uma forma de comunicar que está errado. Uma forma de dizer que está na hora de trabalhar direito. Está na hora de parar com a corrupção, com a enganação, com a hipocrisia. Está na hora de mudar de verdade.
Logo, percebe-se também que um dos motivos para que esses fenômenos tipo Miguel Mossoró existam, é a obrigatoriedade do voto. Muitos pensam: “Se me obrigam a votar, votarei em nulo, em branco, ou melhor: se nenhum deles governa com seriedade, também não votarei seriamente: Miguel Mossoró!” É verdade. Lembro de 2004. Eles morrem de medo.

quarta-feira, junho 11, 2008

Mossoró Cidade Junina: doido é quem vai


É verdade que o evento Mossoró Cidade Junina já nasceu com fama ruim. Mas é comum um evento possuir essa fama ao ser aberto ao público, sem filtros. Entra todo mundo. Qualquer um. Não adianta colocar uma placa "Proibida entrada de bandidos". Entram todos os mau elementos da sociedade mossoroense: vândalos, assaltantes, traficantes, ladrões e assassinos. Definitivamente, tornou-se uma festa da bandidagem. No início era uma festa para todos. Ou pelo menos – com esforço – ainda poderíamos ter essa ilusão. Quando digo festa, evoco a palavra em seu sentido mais puro: onde o povo vai para realmente se divertir; esquecer os problemas; e não para ir atrás de problemas; não para se preocupar com roubo de veículos, brigas, facadas e balas perdidas. A ilusão acabou. Tornou-se insustentável.

Hoje vemos como as autoridades locais vieram investindo – ao longo dos anos – milhões de reais num evento que não trás nenhum benefício real para Mossoró. Apenas preocupação. O simples fato de dar mais lucro para meia dúzia de hotéis ou para um punhado de comerciantes não resulta numa cidade melhor. Pode-se até dizer que uma economia forte sempre é bem vinda para qualquer cidade, mas um crescimento econômico acompanhado por tantos problemas sociais só pode ser problemático. É aí quando o crescimento econômico não passa de uma ilusão. Números para serem vendidos eleitoralmente, que, na realidade, só implicam em malefícios.

É claro que o evento Mossoró Cidade Junina – por si – não provoca a criminalidade na cidade. Mas os fatos que ocorreram no último fim de semana, dentro do evento, refletem bem a situação na qual nossas autoridades deixaram a cidade: dois mortos e uns quatro feridos pelas balas perdidas. Além disso, o dinheiro que é e que foi investido em um evento desse tamanho deveria ser aplicado – há anos - no combate à criminalidade, que já andava mal. Imagine quanto dinheiro investido em tranqüilidade nós perdemos.

Quem quer festa quando não há nada para festejar? Estamos celebrando o quê? O tráfico de drogas cada vez mais forte na cidade? Os assassinatos constantes? Recordes de assaltos? Muito bem. Mossoró cresceu. Mas quem queria que fosse assim? Mossoró não soube crescer.
Evoluir não é tão fácil assim. É preciso planejamento sério, que nossas autoridades desconhecem e apenas utopicamente espero que ajam conforme os reais interesses públicos. Ou seja, já que é assim: tudo bagunçado mesmo - nenhum político se preocupando com a criminalidade - é mais fácil e sensato avisar à população com uma placa em frente aos eventos públicos mossoroenses: "Cuidado. Perigo iminente de morte".

Não desejo – com esse texto – tentar abolir as festas do calendário junino de Mossoró, mas apenas sugerir uma finalidade melhor para os recursos que são direcionados para esse evento. Cultura é bom, mas acredito que a prioridade seja outra: combate à insegurança. Acredito que dinheiro não vai faltar. Afinal, quem faz uma festa anual da dimensão do Cidade Junina pode implantar boas políticas de segurança pública com uma certa folga no bolso. Então, vamos em busca de um progresso real para Mossoró. Um progresso com desenvolvimento econômico aliado a um planejamento sensato, de forma oferecer segurança e tranqüilidade para toda a população.

quinta-feira, junho 05, 2008

Eu acho é pouco!!! - parte 2


Prossigo com a morte do bandido na delegacia de Mossoró. Percebi que é um assunto bem polêmico. Por isso, estou escrevendo aqui novamente para esclarecer alguns pontos do último texto desse blog.

O objetivo daquele texto foi mostrar que o povo está cansado da violência. O governo não dá conta da situação e, mesmo que alguns achem errado matar um assassino pelo fato de ele ser assassino, o povo não enxerga outra punição melhor para esse tipo de gente. Resumindo, a
população está ficando inerte perante o sistema social falho, que dá condições para essas pessoas agirem dessa forma, e ainda contarem com a proteção de suas vidas, garantidas pela lei.

Isso é obviamente injusto. O povo pensa, com toda razão: "Se o bandido mata e ainda escapa ileso, isso está errado. Deve ser corrigido". É por isso que existe pena de morte em alguns países. A lei do "olho por olho, dente por dente" não está tão ultrapassada assim. Pessoalmente, a considero uma das mais justas possíveis. Matou, tem que morrer. Roubou, tem que pagar. É simples.

Ao contrário do que alguns poderiam pensar, a discussão não entra no âmbito da luta de classes. Isso não cabe nesse caso: rico VS pobres. Não é assim que funciona essa questão. Todos sabemos que o fato de ser pobre não implica que o indivíduo seja criminoso. Nem o fato de ser rico faz o indivíduo um santo. Isso é tanto verdade que o próprio policial morto era, com certeza, pobre, e nem por isso tentava ser criminoso. Ao contrário: escolheu uma vida na qual o crime seria o alvo de sua coerção. Como explicamos o pobre tornar-se policial? Veja que coisa: o sistema falho fez o bandido e o policial, ambos pobres.

É claro que existem condições sociais que favorecem a existência do crime, mas a própria sociedade brasileira não está sabendo resolver esses problema. O que um cidadão que deseja viver em paz pode fazer? Votar em X no lugar de Y não adianta. As variáveis são inúmeras.

Se o Estado não consegue controlar isso, a população precisa tomar alguma atitude. O que ela faz? Revolta-se com a situação. Tenta proteger-se. Compra cercas elétricas, armas, seguranças. Quem não tem dinheiro, só pode reclamar. Veja, caro leitor, quem é pobre também reclama da situação da violência. Quem não tem muito o que fazer escreve, divulga sua opinião, mostra a situação e exige mudanças, mesmo que elas não ocorram. Tomara que tenha ficado mais claro.

quarta-feira, junho 04, 2008

Eu acho é pouco!

Passando por cima dos hipócritas de plantão e dos defensores daqueles que praticam atos evidentemente inumanos, a gigantesca maioria dos brasileiros adora ver um bandido se dar mal. É verdade. Não adianta fingir que é diferente. É algo que deve ser admitido por todos, em todos os cantos do país. É muito bom saber que um pilantra "se ferrou".E não é difícil perceber isso, caro leitor. Basta sair por aí perguntando aos seus amigos e colegas sobre o que eles acharam da morte do assaltante preso, morto recentemente numa delegacia de Mossoró. O coitadinho do assaltante apenas invadiu uma casa, fez uma família de refém e ainda matou um policial. Será que é preciso ser muito inteligente para perceber que um indivíduo desses só oferece mal ao mundo? Um rapaz desses não faz bem a ninguém. Nem a ele mesmo. Coitadinhos como esse não passam de um verdadeiro detrito social. Mas ainda existe quem defenda esse povo. Realmente, nesse nosso mundo tem gente de todo tipo.

Dizem que tudo é culpa das diferenças sócio-econômicas que existe no Brasil, ensino precário, riqueza concentrada, essas coisas. Idiotice. Nada é mais patético do que esse tipo de desculpa para a violência. Existem países cuja economia é bem pior que a do Brasil, mas vemos as pessoas de lá dormindo em suas casas com portas abertas, sem qualquer medo da violência, que inexiste. Será que o fato de ser pobre implica na necessidade de sair por aí roubando, assaltando, sequestrando, matando? Quem já sofreu um assalto, quem já foi sequestrado, quem já perdeu um ente querido por causa de um inútil vagabundo desses conhece o sofrimento. Conhece de perto aquela sensação de impotência, de medo e revolta. Vítimas da covardia.

E ainda vem a mídia com suas manchetes condenatórias: "Preso que matou policial é executado na delegacia". É a pauta prioritária da semana na editoria de polícia, pressionando os policiais. É a mídia representando nosso lado hipócrita. Fica claro que possuímos um comportamento duplo em relação a isso: internamente, adoramos ver um mau elemento desses morrer. Mas externamente fingimos ser sensatos, controlados, politicamente corretos. Nesse papel externo, a mídia chega para cobrar investigações sobre o caso: quem matou o bandido? Ora. Pouco me importa quem matou o infeliz. Só sei que fez o bem pra muita gente. Mostrou que o crime não compensa e ainda impediu os futuros crimes que seriam provocados pelo assaltante. Mostrou pra bandidagem que é bom pensar duas, três, quatro vezes antes de planejar um crime.

Não é à toa que o filme Tropa de Elite fez e ainda faz sucesso. Diferentemente do filme Cidade de Deus, que mostra o ato criminoso sem conseqüências punitivas para seus praticantes (tornando-os "heróis" da história), o filme retrata o Batalhão de Operações Especiais, representantes da lei e da ordem, como verdadeiros heróis que encarnam o grito social pela justiça verdadeira. A justiça que não tem pena de bandido e que os trata da forma como eles realmente devem ser tratados: impiedosamente. Não tem como esconder. Não adianta. O povo exige justiça. E pensa em uníssono: "bandido bom é bandido morto".

Quem sou eu

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Jornalista e escritor. Mestre em Ciências Sociais (UFRN). Bacharel em Comunicação Social. Interessado em diversas ciências comportamentais.