sábado, setembro 08, 2012

A revista Sociologia e o "mau-caratismo" intelectual

Hoje comprei a revista chamada Sociologia. Comprei pensando que seria sociologia, mas era apenas um chamariz  para parecer algo sério. Hoje, no Brasil, o nome sociologia é usado como sinônimo de seriedade. Isso legitima a autoridade de quem quer que seja para defender suas ideologias políticas, econômicas ou sexuais de esquerda. Ciência? Passa longe. Religião? Agora estamos mais perto. Afinal, ciência é imparcial e objetiva. No entanto, os textos da revista não apresentavam nem referenciavam trabalhos científicos sérios, mas sim artigos opinativos claramente orientados pelo pensamento neomarxista. Marx, o profeta. Socialismo, o paraíso ou a terra prometida ou mesmo o messias. Marx era judeu, assim como Jesus. O diabo é o Capitalismo, Estados Unidos, Israel, os banqueiros, os burgueses. Na verdade eles têm mais diabos do que santos.

Ciência? Certamente não. Na revista eles não tentaram nem disfarçar. Deveriam mudar o nome da revista, mas não.

Agora trato resumidamente de alguns temas da edição que comprei:

a) Israel e os infiltrados do Sudão
Era a matéria de capa. A esquerda brasileira insiste em criticar o governo de Israel, apesar de os israelenses não estarem nem aí pro que eles acham, assim como os suecos ou os marroquinos. Grande contradição criticar Israel por adotar medidas que evitam a chegada de africanos ilegais e refugiados vindos do Sudão, ao passo que não dizem uma palavra sobre o que realmente ocorre no Sudão. Imparcialidade? Onde?

No Sudão, tem uma guerra civil de mais de 40 anos, onde os muçulmanos que estão no poder decretaram guerra santa contra os sudaneses cristãos e qualquer outro não-muçulmano. Observadores falam até de genocídio e acusam de ser a pior crise humanitária do século XXI. Então, por que criticar Israel, Revista Sociologia? Por que o mundo olha tanto para Israel e se esquece dos verdadeiros problemas? O que diabos Israel tem a ver com o fato de o governo islâmico do Sudão estar em guerra contra os cristãos?

Quem produziu esses refugiados não foi - nunca - o "autoritarismo" israelense. Resumindo, se não for por pura ignorância intelectual, quem escreveu essa matéria, a Luciana Garcia de Oliveira, acadêmica da USP, é uma grande mau-caráter. Por ser de um grupo de estudos sobre o mundo muçulmano, gostaria de saber por que, nessa mesma matéria, ela não falou nada sobre a guerra, provocada pelo governo islâmico do Sudão, que de fato gerou o problema dos refugiados que estão indo pra Israel. Ora, poderiam ir pra qualquer país. A culpa sempre seria do governo sudanês. Mas não. A culpa é de Israel, que agora tem que dar emprego pros refugiados. Ora, eu quero um emprego e o Brasil não me dá. Porque Israel ia dar um emprego pros africanos? Muito sem noção esses "sociólogos".

b) Morte do Marxismo
Nada demais. Apenas mais uma tentativa (e como insistem) em afirmar a eficácia do marxismo para explicar os problemas das contradições provocadas pelo capitalismo, um de seus demônios (talvez o maior deles). Concordo. Marx, como economista que era, desenvolveu uma análise muito boa sobre o capitalismo. Mas, infelizmente, Marx não era um deus, apesar de tentar ser profeta e muitos acreditarem nisso até hoje. Por isso, o que ele escreveu (uma parte do que ele escreveu) tinha caráter científico.

No entanto, apresentar uma análise do capialismo não habilita ninguém a prever o futuro e dizer que haverá uma revolução onde o povo subirá ao poder e todos os homens serão iguais e será um paraíso (essa é a outra parte que ele escreveu). Sinceramente, seria muito bom isso, mas é pura ingenuidade. Isso aí ignora as bases da própria natureza humana. Os homens não são iguais, por mais que alguns pseudointelectuais acreditem do contrário. Socialismo é muito bom, mas só funcionaria em algumas espécies de formigas ou cupins. Não. Nem com eles.

c) Nova desigualdade entre os homens
Para mim foi muito forçado começar uma argumentação citando um problema de Rousseau para criticar os avançoes da bionanotecnologia. Vou citar a chamada aqui: "Dois séculos e meio se passarem desde que Rousseau escreveu o seu célebre discurso, mas ainda padecemos das mesmas e repugnantes mazelas: contrastes sociais, explorações do humano, devastação ambiental, guerras e destruições."

Na verdade são as mesmas desigualdades. Sempre haverá homens com mais recursos que outros. Sempre haverá homens mais inteligentes que outros. Na verdade, as tais "explorações do humano" são feitas por outros humanos. O mundo não é cor de rosa e politicamente correto. A formação do ser humano na Terra exigiu de seu corpo e, principalmente, de seu cérebro, adaptações que não surgiram necessariamente em um ambiente de igualdade social. Havia perigos. A vida era curta e violenta. Havia riscos. Fome e sede eram comuns.

Os grupos humanos que dominavam uma pequena fonte de água numa região árida não deixaria - em nome do politicamente correto - que outro grupo fosse lá e acabasse com água que os mantinham vivos na região. Se o grupo não fosse bem preparado para defender sua fonte de água, certamente eles morreriam de sede ou teriam que se arrircar e tentar encontrar outro. Nunca fomos bonzinhos com quem não é do nosso grupo. O preconceito existiu e foi muito útil em nossa jornada evolutiva. Por isso hoje existimos. É de incrível ingenuidade tentar acabar com o preconceito na espécie humana. E é um absurdo saber que existem milhares de pessoas tentando fazer isso. Sabem quando vão conseguir? No mesmo dia que implantarem o socialismo ou quando a vaca tossir. Não. Nem nem nesse dia.

Conclusão
Tenho que jogar a revista no lixo. Não. Vou queimar logo.

terça-feira, setembro 04, 2012

Lei de talião e pena de morte no Brasil


Considero o princípio da lei de talião o mais justo de todos os princípios legais. Ele representa o equilíbrio. Afinal, não seria isso a justiça? É um princípio simples. E a simplicidade é o último grau de sofisticação. Por exemplo, se alguém mata intencionalmente uma pessoa inocente e por motivo banal, esse alguém deve ser morto.

Podemos complicar um pouco. Durante um hipotético (mas não tão hipotético) assalto, policiais e bandidos trocam tiros. Uma pessoa que passava nas proximidades é atingida e morta. Nossa lei preocupa-se em procurar a autoria do tiro que matou o inocente, quando isso é irrelevante a princípio. O que verdadeiramente importa é a autoria da intencionalidade que assumiu e provocou a morte. Não há dúvidas de que os bandidos saíram de casa assumindo a possibilidade de matar. Não os policiais. Logo, percebemos aí a intencionalidade de usar a força por meio da morte de uma alguém, independente de quem viesse a obstruir suas intenções criminosas. Logo, ainda que juridicamente no Brasil isso seja complicado, para mim parece muito simples e justo: os bandos, todos eles, devem morrer por terem provocado a morte do transeunte inocente, mesmo se a tal bala - ou balas - tiver sido disparada pela polícia. Ora, mesmo se as armas dos bandidos fossem facas. Afinal, não são armas que matam pessoas. São as pessoas que matam as pessoas. São as intenções delas. No nosso caso hipotético, os policiais não tinham intenções de matar pessoas inocentes, mas os bandidos tinham. É simples e sofisticado.

A intencionalidade do ato deveria ser crucial na determinação do princípio de talião. Isso exclui, por exemplo, certos tipos de acidentes. A não existência de banalidade do motivo inocentaria, por exemplo, aquele que matou em legítima defesa. Na verdade, a legitima defesa, ainda que instintiva, está apenas punindo previamente o agressor que intencionava matar a vítima.

Uma reforma inteligente em nosso código penal adotaria, sem medo, esse princípio. Se alguém considerar isso como sendo bárbaro ou antigo, não está vendo a justiça como uma balança. Logo, não vislumbra a verdadeira justiça.

Imagine que a vida de uma jovem estudante de uma família de bem seja morta por ela ter reagido a um assalto. Por mais que a mídia sugira, com milhares de dicas para se evitar e sobreviver a assaltos, que, nesse caso, a culpa da morte foi da própria estudante (por ter reagido), qualquer pessoa com um mínimo de sensatez sabe que isso é um absurdo. Os bandidos adoram quando a mídia ensina a população a ser assaltada. Sim, isso facilita muito a vida deles. Mesmo assim, não tem muito problema quando eles matam a jovem, pois eles sabem que continuarão vivos mesmo se forem capturados. Eles sabem que, para proteger suas vidas há tanto a lei que eles mesmo infringiram quanto os ideólogos dos direitos humanos. Logo, não é preciso ter inteligência para ver que leis ou ideias desse tipo fazem qualquer coisa, menos justiça.

Não importam os argumentos que esses ideólogos apresentem. O fato que eles não podem mudar é que é vantajoso no Brasil, para alguém com a ficha suja na sociedade, cometer sempre mais crimes. Ora, se minha proposta representa um endurecimento das leis contra aqueles que as infringem e aumenta as punições sentidas por todos antes de infringi-las, consequentemente ela aumentaria o medo daqueles com más intenções. Quem não deve não teme. Os cidadãos de bem não deveriam ter medo, mas é o que ocorre hoje. Minha proposta simples provoca o medo apenas em eventuais assaltantes, assassinos, estupradores e bandidos em geral. Quem for contra isso, só não pode ser uma pessoa de bem e certamente não tem intenções muito boas para com a sociedade.

A ingenuidade da lei brasileira em relação à natureza humana

É urgente a necessidade de estudos sérios de cientistas comportamentais da espécie humana (biólogos, psicólogos evolucionistas, zoólogos, etólogos etc) fazerem parte das bases de nossa legislação. Estudos científicos sérios mostram que o preconceito é parte inerente de nosso comportamento e não é possível retirá-lo sem que descaracterize nossa própria natureza humana. As pessoas, em todos os locais do mundo, temem aqueles que não são iguais a ela. É instintivo. E foi crucial para a sobrevivência da espécie em nossa jornada evolutiva e mesmo hoje em dia ainda faz esse papel. No máximo o preconceito pode ser mascarado, ainda que superficialmente, sob o nome de cortesia ou bons modos. Mas sempre haverá a exclusão entre grupos de pessoas diferentes. Sim, por mais que alguns pseudointelectuais insistam do contrário, as pessoas são diferentes e algumas são até melhores que outras.

Em relação às leis, o problema é que elas consideram as pessoas como sendo incapazes de sentirem preconceito. Veja bem. Uma das funções da prisão é reinserir e reeducar o preso na sociedade, quando na verdade isso é de uma ingenuidade incrível.

Sabemos que, quando capturado e julgado um praticante de um crime hediondo, nossa lei o manda para a prisão durante um determinado período de tempo. Certo. Mas depois? Quando esse indivíduo for solto, as nossas autoridades esperam que ele vá contribuir para a sociedade de que forma? Qual empresa aceitaria um criminoso desse tipo como empregado? Quais funcionários, sendo os funcionários pessoas de bem, aceitariam ter um colega desses? Devemos parar de ser hipócritas e querer forçar que as pessoas - sejam empresárias sejam empregadas, sejam o que for - a aceitar sem preconceitos um indivíduo que matou gente inocente. É uma ingenuidade inútil, para não dizer burrice, esse tipo de pensamento dentro de qualquer tipo de lei de qualquer país.

Mesmo que o ex-apenado assassino queira mudar de vida e o Estado tenha feito bem o seu papel de reeducar, sua imagem estará suja para sempre perante a sociedade e ele sabe disso. Ele sabe tanto que, não importa qual crime ele venha a praticar no futuro, suas perdas sociais (imagem social, estigma) não podem ficar piores do que já estão. Logo, para uma pessoa dessas, não custa nada cometer mais assaltos e, por que não, latrocínios. Afinal, a sociedade não o aceita mais e, assim, ele se transforma num parasita. O Estado apenas terá gastos com uma pessoa desse tipo e não só financeiros, mas também custo psicológico com a perda de vidas humanas inocentes que serão tiradas apenas por causa desse indivíduo que não tem mais jeito.

Ativistas dos direitos humanos e outras pessoas da esquerda usam esse mesmo argumento para culpar o Estado e a sociedade como verdadeiros produtores do criminoso. Logo, o criminoso assassino é que seria a verdadeira vítima, pois ninguém lhe dá uma oportunidade para mudar de vida. Culpar uma entidade abstrata não resolve nada. Pessoalmente, acho muito difícil uma pessoa desse tipo ter vontade de mudar, já que ele não a teve antes. Afinal, por que teria cometido o crime hediondo se quisesse verdadeiramente mudar? Mesmo assim, assumindo que alguma pessoa desse tipo queira mudar, e assumindo principalmente a verdadeira natureza das pessoas, é uma imensa inutilidade a sociedade perder tempo com uma pessoa dessas, pois sempre haverá preconceitos e ele não será aceito em lugar nenhum. Isso é uma verdade tão imutável quando o fato de sermos humanos. Isso faz parte da espécie. E é uma ilusão acreditar que a as pessoas de bem vá esquecer preconceitos e aceitar ex-apenados.

A conclusão lógica que tiro tanto de verdades científicas quanto históricas é que a sociedade não quer saber de acolher pessoas que já cometeram atos que elas consideram como crimes. Até onde sei, o perdão existe, mas só para casos muito leves. Para aqueles outros que insistiram em ameaçar e retirar a vida de inocentes, suas imagens estão manchadas para sempre e só resta à sociedade eliminá-los de alguma forma. Vislumbro algumas opções: exílio forçado, alteração mental definitiva e pena de morte. Soluções simples, logo sofisticadas.

sábado, setembro 01, 2012

Pela extensão da legítima defesa

É lamentável eu chegar ao ponto de me preocupar em escrever algo neste sentido. Nenhum cidadão deveria sentir medo, até dentro de sua própria casa, mas, diante da situação em que se encontra a segurança do brasileiro honesto, começamos a pensar em aplicar atitudes tachadas por alguns como radicais ou desesperadoras. No entanto, acredito que sejam soluções adequadas ao nosso atual problema. Afinal, estamos cansados desse aumento de crimes contra o patrimônio e a vida de cidadãos brasileiros. Estamos com medo. Isso é um fato. Acredito que melhorias sociais trariam melhorias – ainda que de longo prazo – nessa área da segurança. Mas também acredito que o aumento do número de qualquer tipo de crime só ocorre em casos de aumento de impunidade. É uma questão de matemática. Cada vez mais, no fim das contas, está valendo a pena ser criminoso no Brasil. Afinal, qual é o outro país que oferece um auxílio-reclusão para vagabundos criminosos que não contribuem em nada para a sociedade, cujo valor é superior ao salário mínimo de um trabalhador honesto? Qual o país que insiste em desarmar sua população diante de seres inferiores que - segundo dizem algumas organizações de direitos humanos - seriam humanos?

Devemos começar um debate: considerando que esses direitos humanos são válidos, será que podemos classificar esse tipo de gente como humano apenas seguindo critérios genéticos? Ou o status de humanidade também exigiria critérios morais? Afinal, será que aquela pessoa que praticou aqueles atos é igual a mim? Um assassino ou um assaltante têm os mesmos direitos que eu? Acho que, quando começamos a fazer perguntas que têm respostas óbvias, isso significa que estamos chegando num ponto crítico da já conhecida imbecilidade coletiva brasileira, como diria Olavo de Carvalho.

São belos os preceitos da Declaração Universal dos Direitos Humanos. Sinceramente, acredito que o mundo seria bem melhor se todos os respeitassem. O problema é que muita gente não está ligando muito para isso. Provas? Ligue a televisão. No Brasil a coisa está ridícula; ao ponto de as pessoas estarem apenas aguardando para serem assaltadas e mortas nas ruas e até dentro de suas próprias residências por indivíduos armados. Como eles conseguiram essas armas? Quem as vendeu? Estamos nos acostumando com o absurdo. Mas sempre é bom lembrar do óbvio: enquanto os piores elementos de um país tiver acesso às armas de fogo e a população honesta não, o problema tende a piorar.

Quando, num futuro Brasil hipotético, nosso governo vier a facilitar o acesso de armas de fogo aos cidadãos honestos (tomara que sejam), não basta chegar na loja e comprá-las. É preciso aprender a possui-las, assim como fazem os suíços desde sempre. Sim. Lá as crianças brincam de tiro ao alvo com rifles de verdade e o crime é simplesmente inexistente. Por lá eles tem as cidades mais pacíficas do mundo. Aqui entro novamente com a matemática: na Suíça, quando um bandido pensa em assaltar a casa de alguém ele deve colocar na balança dos custos por tal prática a sua própria vida. Os suíços são muito bons no tiro ao alvo. Um tiro, uma morte.

Alguém poderia estar pensando que os suíços possuem uma realidade muito diferente da nossa e que esses argumentos não caberiam no Brasil. É verdade. Enquanto continuarmos pensando como cidadãos de um país subdesenvolvido, sempre o seremos. Eu responderia dizendo que a única diferença relevante entre o Brasil e a Suíça é que eles não possuem inimigos. E nós ainda insistimos em tratar indivíduos criminosos e sem humanidade como se fossem nossos cidadãos e ainda com plenos direitos. Procure no dicionário o que é cidadania.

Se, por algum dispositivo legal, nosso governo reconhecesse que estamos numa guerra contra indivíduos que insistem em ser a escória da nossa sociedade, e permitir que possamos nos defender, vislumbro melhorias a curto prazo. Sim, amigos. Estamos em guerra. É só ver os números. Só num estado como o Rio de Janeiro morre bem mais gente do que em Israel, um país em guerra constante. A diferença entre o Brasil e Israel nesse sentido é que eles se preocupam mais com a vida humana do que nós. Basta um deles ser morto que a força é aplicada. Por aqui, morremos aos montes e ninguém faz nada muito eficiente.

Assim, vemos que um dos efeitos do estatuto do desarmamento pune aqueles que são de bem e recompensam aqueles que não mereciam nem ter nascido; simplesmente porque não funciona para os bandidos, mas sim para nós. Desde a implantação desse estatuto, a venda de armas legais caiu 90% enquanto que os homicídios só fazem aumentar. A conclusão disso é que o desarmamento da população é completamente ineficaz para redução de homicídios, além de nos deixar à mercê de pessoas mal intencionadas e armadas. Sinceramente, não gosto da ideia de possuir uma arma. Mas também não gostaria que os bandidos tivessem certeza de que não possuo nenhuma aqui para me proteger.

Ora, se uma pessoa dessas, que já está com a vida estragada por uma série de passagens pela polícia, é pega com uma arma ilegal, isso não fará nenhuma diferença para ela, que já está fadada à exclusão social desde que começou sua vida criminosa. Mas se, por exemplo, um professor universitário dedicado e honesto for pego na mesma situação, com uma arma ilegal que adquiriu para proteger a sua família, os custos financeiros e sociais disso são imensos para ele. Assim com Dona Odete, de 87 anos, que matou o homem que invadiu seu apartamento e tentou estrangulá-la – ele será processado judicialmente e terá chances sérias de perder o emprego público que tanto se esforçou para possuir. Novamente, matemática. Se o parasita social matar o professor universitário durante um assalto ele não perderá muita coisa, pois já não tem nada a perder.

Nunca esqueça: esses que não tem nada a perder constituem as criaturas mais perigosas que existem. Quando as autoridades entenderem e colocarem em prática leis eficientes e inteligentes que consideram essa realidade, acredito que as coisas vão melhorar e muito para as pessoas que realmente trabalham e ajudam a desenvolver o país.

Por isso, acredito que apenas alguém muito sem caráter usaria a bandeira dos direitos humanos para salvar a vida de um assaltante, assassino ou estuprador; ao passo que não fez absolutamente nada para proteger a vida do homem honesto que foi tirada por esse mesmo assassino ou a moça que foi estuprada por esse mesmo estuprador. Onde estão os direitos humanos das vítimas? Para mim, uma pessoa que faz isso de forma consciente está no mesmo nível do bandido; ou abaixo. Culpar a sociedade ou as injustiças sociais para justificar a morte do homem de bem é inútil, já que eu poderia usar a mesma desculpa para justificar a morte do bandido. Assim, a culpa não seria de ninguém e sim de uma entidade abstrata, um culpado invisível, o capitalismo talvez?

Para qualquer pessoa com uma inteligência mediana é fácil entender que quando um indivíduo pega uma arma e sai para assaltar alguém, ele já está admitindo a possibilidade de matar esse alguém caso a vítima não contribua com suas “nobres” intenções de ferir, humilhar e roubar. Não precisa de muita inteligência também para saber que tal indivíduo deveria estar morto assim que pegasse na arma para realizar o tal assalto. O argumento é simples: supondo que a vida de alguém honesto tem mais valor do que a vida de um criminoso (para mim isso é óbvio), devemos prevenir a morte de quem? Depois que o homem de bem morre ou sofre os danos físicos, psicológicos e materiais do crime já é tarde demais. A “justiça” não vai fazer nada para trazer a vida do homem honesto de volta. E os impostos que o morto pagou a vida inteira ainda serão utilizados para sustentar a vida de seu próprio assassino na prisão, de onde poderá sair e realizar outros assassinatos. Somos mesmo uns palhaços. O argumento aqui não é favorável ao extermínio de criminosos – ainda que muita gente fosse achar isso ótimo. Longe disso. Mas sim à prevenção do direito de vida do homem de bem.

Em Israel, onde são bem mais inteligentes do que nós, eles se preocupam muito com a vida dos seus cidadãos de bem e tomam medidas preventivas eficazes. Lá, os inimigos da nação são tradados como inimigos da nação. Eles usam medidas coerentes com uma extensão do direito de matar em legitima defesa. No Brasil, quando um assaltante é morto, quem se prejudica é a pessoa que tentou se proteger. Existe algo mais absurdo que isso?

Certamente, alguns pseudointelectuais fumadores de maconha de plantão – um dos principais sustentadores de grupos criminosos – achariam absurdas as palavras deste artigo. Mas isso só duraria até o momento em que eles tivessem suas casas invadidas por um marginal armado que faria suas famílias reféns, humilharia todos seus entes queridos de forma absurda e tiraria deles todos os pertences que trabalharam durante anos ou décadas para conseguir. Resumindo, seria muito bom se todos estivessem desarmados, mas não estão.

Recentemente, a grande mídia faz festa com a onda de crimes; e se proliferam programas sensacionalistas na área policial. Ela também demonstra preocupação com o cidadão, fornecendo-lhe dicas de como reduzir as probabilidades de ser vítima de assaltos e de sobreviver quando for abordado pelos criminosos. Essas dicas, apesar de servir para alguma coisa, só passam mais a sensação de insegurança e, no fim, entra no bolo das informações que não são de grande utilidade e que servem para aumentar a audiência e reproduzir o conformismo à vitimização e o medo. Sinceramente, acho que está na hora de reagir. Com um pouco de inteligência legal e operacional nossas autoridades podem começar a erradicar esse mal com grande facilidade. Ou seja: o problema são as leis. O código penal está prestes a ser mudado. Talvez não sejam as mudanças eficazes, mas nada impede que ouras propostas mais inteligentes sejam propostas e aprovadas.

Em curto prazo, já que o estatuto do desarmamento não permite que nos defendamos com eficácia, seria uma atitude inteligente se nossas forças de defesa (polícias e exércitos) fossem ser legitimadas a exercer essas funções preventivas eficazes que outros países já fazem para proteger a vida do cidadão honesto.

quarta-feira, julho 04, 2012

Negação do Holocausto e nazistas bonzinhos

Hoje, decidi perder tempo, como já fiz algumas vezes, para manifestar minha falta de paciência contra argumentos de gente que insiste em envergonhar a espécie humana. Acredito que, quando alguém decide envergonhar os séculos de estudo e avanço científico que nossos ancestrais nos concederam, que o faça de uma forma que os assemelhe, pelo menos, a espécies menos esclarecidas.

Refiro-me ao texto de um cara do PCdoB e à pena que tenho daqueles que acreditam nele. No texto, ele defende o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad em relação à manifestações feitas aqui no Brasil, durante a Rio+20, contra sua pessoa. Basicamente, durante esse texto ele tenta tornar verdade as seguintes afirmações:

i) Criticar o governo de Ahmadinejad é o mesmo que incitar ódio à fé islâmica.
ii) Israel é um país nazista.

Não é difícil detectar o sintoma de ignorância – isso se não for falta de vergonha – quando ele considera uma manifestação contra Ahmadinejad uma incitação ao ódio contra toda a fé islâmica. É verdade, leitores. Ele fez isso. Se o senhor Ahmadinejad fosse pelo menos um clérigo ou coisa do tipo, alguém ainda poderia confundir as coisas (e eu tentaria perdoá-lo). Ou seja, foi uma forçada das grandes. E tão grandes foram os absurdos escritos que isso lhe rendeu uma resposta do próprio presidente da Conib, que conseguiu ser gentil (até demais) em relação ao caso.

Eu já conheci pessoas de ideologia semelhante ao do tal articulista. Elas têm uma grande facilidade para a miopia intelectual (ou falta de caráter mesmo), muitas vezes tentando fazer da ciência um instrumento para defender suas visões políticas ou ideológicas, um erro que, infelizmente, muitos acadêmicos das ciências humanas praticam de propósito aqui no Brasil.

O rigor lógico é tão desconhecido do articulista que ele caracteriza o Estado judeu de nazista (isso já está batido) sem suspeitar que, fora o próprio absurdo da afirmação, ao fazer isso ao mesmo tempo em que defende integralmente o sr. Ahmadinejad, está enfraquecendo a negatividade e a força acusatória do próprio termo "nazista", usado com tanto orgulho por ele e uma miríade de gente revoltada, para deslegitimar o direito de Israel existir.

Isso ocorre pelo fato de Ahmadinejad defender o revisionismo histórico sobre o Holocausto, negando sua existência. Ora, se isso for levado a sério, implica necessariamente que os nazistas não cometeram nenhum massacre de milhões de pessoas e que, consequentemente, seriam pessoas boas ou, pelo menos, pacíficas. Afinal, qual mal os nazistas teriam feito se eles não perpetraram o Holocausto?

Eu até tentei tirar essa dúvida com o próprio articulista por meio de um comentário deixado no texto em questão, perguntando educadamente como ele explicaria esse "tiro no pé". No entanto, meu comentário sequer foi publicado, apesar de apenas instigar o debate sem qualquer tipo de ofensa ou linguagem agressiva.

Por fim, dentro de uma realidade alternativa onde não existiu o Holocausto, eu mesmo não teria receio em me identificar como nazista e se Israel o fosse, qual seria o problema? Isso demonstra apenas que não é muito inteligente, para aqueles que insistem em usar o argumento absurdo de um “nazismo israelense”, também apoiar integralmente o sr. Ahmadinejad, como o fez o articulista. Mas para esse tipo de gente o que importa é mais combustível para defender sua ideologia a qualquer custo, mesmo o do suicídio intelectual.

segunda-feira, janeiro 23, 2012

Caráter, impunidade e a corrupção no jeitinho brasileiro

Já há um bom tempo venho percebendo nuances comportamentais que me levaram a diferenciar as pessoas que moram na capital daquelas que moram nas cidades do interior. Os indícios são fortes, ainda que não consiga prová-los por enquanto. Mas as pessoas que vêm do interior são, em sua maioria, mais bem educadas, cordiais e seguras do que as que vivem aqui em Natal, que carecem de valores exemplares. Seria a competitividade? Seria a corrupção da alma pelo poder? Seria a cultura do egoísmo? É o capitalismo? É o Brasil? Sou ingênuo demais?

Não sei, mas o que eu percebo é uma perda de valores independente de sexo, classe social e idade. Certamente tal dúvida fará parte de minhas pesquisas futuras. Pierre Bourdieu será um bom começo na pesquisa, mas também deve ter alguma explicação na psicologia evolutiva para isso.

Voltando, é triste; mas é comum ver aqui pessoas desesperadas que trocam amizades por empregos; jogam fora a confiança por motivos banais; destroem relacionamentos sem qualquer motivo; desrespeitam os outros gratuitamente e coisas do tipo. Eu mesmo diria que esses sintomas ocorrem por que as pessoas são humanas. Desrespeito, traição e desconfiança são coisas comuns de nossa espécie. Mas o que diferencia as pessoas? Por que algumas, apesar de serem humanas, mantém valores superiores como a cordialidade, a honestidade e o respeito; enquanto outras não fazem qualquer questão disso?

Por exemplo, hoje vi um senhor de idade entrando em desespero depois de se envolver num pequeno incidente de trânsito. Não houve nenhum dano material relevante. Por impaciência e falta de destreza ele acabou arranhando o carro de outra pessoa, mas, na falta de segurança e controle psicológico - talvez devido à idade, ele se defendeu da culpa de forma ilógica, por meio de xingamentos, descontrole e recorrendo a um eventual poder superior que possuiria, o qual lhe garantiria a impunidade por tal ato. No fim das contas, o idoso tentou colocar a culpa no outro e o ameaçou com uma suposta autoridade. Não sei até que ponto esse comportamento é comum numa escala mundial, mas acredito que pelo menos aqui no Brasil esse comportamento e o recurso a ameaças que o envolvem ("você sabe com quem está falando?") não são punidos. No Brasil, qualquer um pode se utilizar disso, como foi o caso do "promotor de justiça" idoso do caso; e ainda ter algum tipo de crédito.

Não é a primeira vez que vejo crimes contra os valores ocorrer de perto. Há tempos, testemunhei algo do tipo, quando uma pessoa, percebendo que ninguém faria nada a respeito, tentou punir um ato de furto feito por um amigo seu. Na verdade, quem foi punido foi quem tentou tentou punir. Todos ficaram contra quem queria fazer o certo. Ou seja, é a valorização da cultura da malandragem? Parece que, no Brasil, é errado ser correto. Ou seja, não é coisa que só encontramos no meio político, como eu mesmo já relatei nos idos de 2005, num artigo para a imprensa intitulado "Eleitores que corrompem".

http://nestorburlamaqui.blogspot.com/2006/08/eleitores-que-corrompem.html

Diferente do que prega o senso comum, não há uma barreira definida entre políticos e povo. É óbvio, mas às vezes é bom ressaltar o óbvio. Ou seja, o que chamamos de corrupção estaria intrincado em todas as instituições de nossa sociedade. Acredito que o que pensamos ser corrupção na verdade é mais uma consequência de falta de valores em todas as relações sociais do que necessariamente uma falha num sistema legal de punições contra corruptos. Em suma, é algo que vem de casa mesmo. Alguns pais, logo cedo, ensinam os filhos as vantagens do jeitinho brasileiro.

Analisando os dois exemplos, perceba que o primeiro demonstra bem o recurso à impunidade para se dar bem; enquanto o segundo caso é a reprodução dessa mesma impunidade , feito por pessoas comuns.

No fim das contas, num nível científico, vale a pena registrar essas desconfianças que formulo por aqui. Mas uma coisa é levantar essas observações. Outra coisa é explicar se isso se relaciona com aquela distinção inicial que fiz entre pessoas do interior / pessoas da capital. Talvez não tenha nada a ver no fim das contas, mas talvez tenha; e isso já vale como uma hipótese a ser posteriormente verificada com base em dados mais concretos.

Quem sou eu

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Jornalista e escritor. Mestre em Ciências Sociais (UFRN). Bacharel em Comunicação Social. Interessado em diversas ciências comportamentais.