Pular para o conteúdo principal

A revista Sociologia e o "mau-caratismo" intelectual

Hoje comprei a revista chamada Sociologia. Comprei pensando que seria sociologia, mas era apenas um chamariz  para parecer algo sério. Hoje, no Brasil, o nome sociologia é usado como sinônimo de seriedade. Isso legitima a autoridade de quem quer que seja para defender suas ideologias políticas, econômicas ou sexuais de esquerda. Ciência? Passa longe. Religião? Agora estamos mais perto. Afinal, ciência é imparcial e objetiva. No entanto, os textos da revista não apresentavam nem referenciavam trabalhos científicos sérios, mas sim artigos opinativos claramente orientados pelo pensamento neomarxista. Marx, o profeta. Socialismo, o paraíso ou a terra prometida ou mesmo o messias. Marx era judeu, assim como Jesus. O diabo é o Capitalismo, Estados Unidos, Israel, os banqueiros, os burgueses. Na verdade eles têm mais diabos do que santos.

Ciência? Certamente não. Na revista eles não tentaram nem disfarçar. Deveriam mudar o nome da revista, mas não.

Agora trato resumidamente de alguns temas da edição que comprei:

a) Israel e os infiltrados do Sudão
Era a matéria de capa. A esquerda brasileira insiste em criticar o governo de Israel, apesar de os israelenses não estarem nem aí pro que eles acham, assim como os suecos ou os marroquinos. Grande contradição criticar Israel por adotar medidas que evitam a chegada de africanos ilegais e refugiados vindos do Sudão, ao passo que não dizem uma palavra sobre o que realmente ocorre no Sudão. Imparcialidade? Onde?

No Sudão, tem uma guerra civil de mais de 40 anos, onde os muçulmanos que estão no poder decretaram guerra santa contra os sudaneses cristãos e qualquer outro não-muçulmano. Observadores falam até de genocídio e acusam de ser a pior crise humanitária do século XXI. Então, por que criticar Israel, Revista Sociologia? Por que o mundo olha tanto para Israel e se esquece dos verdadeiros problemas? O que diabos Israel tem a ver com o fato de o governo islâmico do Sudão estar em guerra contra os cristãos?

Quem produziu esses refugiados não foi - nunca - o "autoritarismo" israelense. Resumindo, se não for por pura ignorância intelectual, quem escreveu essa matéria, a Luciana Garcia de Oliveira, acadêmica da USP, é uma grande mau-caráter. Por ser de um grupo de estudos sobre o mundo muçulmano, gostaria de saber por que, nessa mesma matéria, ela não falou nada sobre a guerra, provocada pelo governo islâmico do Sudão, que de fato gerou o problema dos refugiados que estão indo pra Israel. Ora, poderiam ir pra qualquer país. A culpa sempre seria do governo sudanês. Mas não. A culpa é de Israel, que agora tem que dar emprego pros refugiados. Ora, eu quero um emprego e o Brasil não me dá. Porque Israel ia dar um emprego pros africanos? Muito sem noção esses "sociólogos".

b) Morte do Marxismo
Nada demais. Apenas mais uma tentativa (e como insistem) em afirmar a eficácia do marxismo para explicar os problemas das contradições provocadas pelo capitalismo, um de seus demônios (talvez o maior deles). Concordo. Marx, como economista que era, desenvolveu uma análise muito boa sobre o capitalismo. Mas, infelizmente, Marx não era um deus, apesar de tentar ser profeta e muitos acreditarem nisso até hoje. Por isso, o que ele escreveu (uma parte do que ele escreveu) tinha caráter científico.

No entanto, apresentar uma análise do capialismo não habilita ninguém a prever o futuro e dizer que haverá uma revolução onde o povo subirá ao poder e todos os homens serão iguais e será um paraíso (essa é a outra parte que ele escreveu). Sinceramente, seria muito bom isso, mas é pura ingenuidade. Isso aí ignora as bases da própria natureza humana. Os homens não são iguais, por mais que alguns pseudointelectuais acreditem do contrário. Socialismo é muito bom, mas só funcionaria em algumas espécies de formigas ou cupins. Não. Nem com eles.

c) Nova desigualdade entre os homens
Para mim foi muito forçado começar uma argumentação citando um problema de Rousseau para criticar os avançoes da bionanotecnologia. Vou citar a chamada aqui: "Dois séculos e meio se passarem desde que Rousseau escreveu o seu célebre discurso, mas ainda padecemos das mesmas e repugnantes mazelas: contrastes sociais, explorações do humano, devastação ambiental, guerras e destruições."

Na verdade são as mesmas desigualdades. Sempre haverá homens com mais recursos que outros. Sempre haverá homens mais inteligentes que outros. Na verdade, as tais "explorações do humano" são feitas por outros humanos. O mundo não é cor de rosa e politicamente correto. A formação do ser humano na Terra exigiu de seu corpo e, principalmente, de seu cérebro, adaptações que não surgiram necessariamente em um ambiente de igualdade social. Havia perigos. A vida era curta e violenta. Havia riscos. Fome e sede eram comuns.

Os grupos humanos que dominavam uma pequena fonte de água numa região árida não deixaria - em nome do politicamente correto - que outro grupo fosse lá e acabasse com água que os mantinham vivos na região. Se o grupo não fosse bem preparado para defender sua fonte de água, certamente eles morreriam de sede ou teriam que se arrircar e tentar encontrar outro. Nunca fomos bonzinhos com quem não é do nosso grupo. O preconceito existiu e foi muito útil em nossa jornada evolutiva. Por isso hoje existimos. É de incrível ingenuidade tentar acabar com o preconceito na espécie humana. E é um absurdo saber que existem milhares de pessoas tentando fazer isso. Sabem quando vão conseguir? No mesmo dia que implantarem o socialismo ou quando a vaca tossir. Não. Nem nem nesse dia.

Conclusão
Tenho que jogar a revista no lixo. Não. Vou queimar logo.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Malefícios e benefícios do Carnaval

O carnaval passou. Foi brilhante. Uma festa cheia de sensualidade, alegria e cores, símbolo da identidade brasileira e orgulho nacional. Mas será que o carnaval é benéfico para nosso país? Agora o caro leitor ou leitora deverá estar se perguntando também: será que vale a pena debater eventuais benefícios do carnaval? Afinal, o carnaval é apenas uma festa cujo único objetivo é divertir-se, esquecer por uns dias a realidade injusta, o trabalho difícil, o chefe incompreensível, o pouco dinheiro. De origem milenar, o carnaval nasceu na Grécia para celebrar os deuses da colheita para depois espalhar-se pelo mundo. Ao contrário do que alguns possam pensar, o Brasil, apesar de ser taxado como país do carnaval, não possui, de forma alguma, exclusividade sobre ele. Comparando a origem histórica com a prática atual, percebemos que o motivo da festa mudou. Antes era para celebrar a colheita. Hoje serve como "anestésico social". Portanto, vemos aqui um benefício carnavalesco: esquecer o…

Lei de talião e pena de morte no Brasil

Considero o princípio da lei de talião o mais justo de todos os princípios legais. Ele representa o equilíbrio. Afinal, não seria isso a justiça? É um princípio simples. E a simplicidade é o último grau de sofisticação. Por exemplo, se alguém mata intencionalmente uma pessoa inocente e por motivo banal, esse alguém deve ser morto.
Podemos complicar um pouco. Durante um hipotético (mas não tão hipotético) assalto, policiais e bandidos trocam tiros. Uma pessoa que passava nas proximidades é atingida e morta. Nossa lei preocupa-se em procurar a autoria do tiro que matou o inocente, quando isso é irrelevante a princípio. O que verdadeiramente importa é a autoria da intencionalidade que assumiu e provocou a morte. Não há dúvidas de que os bandidos saíram de casa assumindo a possibilidade de matar. Não os policiais. Logo, percebemos aí a intencionalidade de usar a força por meio da morte de uma alguém, independente de quem viesse a obstruir suas intenções criminosas. Logo, ainda que juridi…

Ciência de verdade ou fé nos cientistas?

No final de um documentário, o físico Stephen Hawking afirmou que a origem do universo pode ser explicada sem a necessidade de um criador e que, por consequência, poderíamos dizer que não existe vida após a morte. Eu admirava o Hawking, mais pela imagem de genialidade que nos é transmitida pela TV, mas depois dessa conclusão ilógica, tive uma decepção, mas foi bom, pois eu pude ver o quanto de fé está impregnada no atual mundo científico.


Após o advento iluminista, os cientistas começaram a adquirir o status de novos sacerdotes. Se antes o que a Igreja dizia era considerado a verdade, hoje, cada vez mais pessoas simplesmente acreditam no que os cientistas dizem, até mesmo em homenzinhos do espaço [1], sem fazer questionamentos. Se antes as verdades eram imutáveis (dogmas religiosos), hoje, algumas crenças com base na ciência alteram-se de uma década para a outra, às vezes num ritmo até mais rápido, como podemos constatar perante descobertas nutricionais. Ovo faz mal? Colesterol faz b…