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O dilema israelense

É impressionante a atenção que Israel, um país de proporções territoriais reduzidas, chama de todos os cantos do mundo. É impressionante o ódio que ele provoca ao tentar derrotar um grupo terrorista cujo único objetivo é a sua destruição. “Israel está matando terroristas? Morreram civis? Inaceitável! Morte aos judeus!”, pensam alguns. Não sei qual é a dificuldade em acreditar que o Hamas, um grupo obviamente terrorista, possa usar intencionalmente palestinos civis como escudos humanos. Está na cultura desse tipo de gente o martírio. Até mesmo o alheio. Quem morre por um míssil israelense vai para o paraíso, mesmo que esse alguém não queira, de fato, chegar lá tão cedo. E se essa morte é de crianças e for divulgada na mídia internacional, melhor ainda. Serão anjos mártires.

É interessante como o mundo não está nem aí quando o Hamas – ou qualquer outro grupo terrorista – lança, intencionalmente e diariamente, mísseis contra qualquer alvo israelense, seja ele um soldado ou uma criança inocente. O mundo não liga quando israelenses morrem. O mundo também não quer saber se o conflito começou após a trégua ter sido quebrada pelo Hamas. O mundo esquece que Israel apenas usou e usa armas para se defender. Não importa se até o presidente palestino acredita que a culpa da crise humanitária é mesmo do Hamas, afinal, quem administra a região é o próprio Hamas. É óbvio, eu sei, mas o óbvio não interessa ao mundo. Então, como agir, Israel? Ficar inerte e esperar ser lentamente destruído pelos ataques dos inimigos é uma ação que recebe total aprovação mundial. Reagir e tentar destruir seus inimigos o transforma em desproporcional, terrorista, nazista, um patrocinador de um holocausto absurdo que só existe na cabeça de pseudointelectuais. Imagino que tal dilema é de fácil resolução. Basta saber o que se valoriza mais: sua existência ou sua imagem na comunidade internacional.

A história ensinou Israel a deixar um pouco de lado o que os outros pensam a seu respeito. Afinal, um dia, a opinião dos outros perseguiu seu povo durante a Inquisição. Um dia, a opinião dos outros matou centenas de seu povo apenas por serem judeus. Um dia, a opinião dos outros exterminou seis milhões de seu povo no Holocausto verdadeiro. Na opinião dos outros, os judeus não deveriam existir. A meu ver, é bastante sensato ignorar esses tipos de opiniões, pois – diferentemente do Hamas e de grupos semelhantes – a cultura judaica prega a vida como maior patrimônio de um ser humano. Infelizmente, hoje o mundo está tendo pena de gente que não valoriza a própria vida. O mundo chora por pessoas que morrem e matam apenas para que elas odeiem o outro. Vamos chorar por quem deseja viver. Choremos por quem deseja a paz.

Comentários

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