Pular para o conteúdo principal

Comunicação empresarial faz bem

Por Nestor Burlamaqui

Ao contrário do que muitos empresários brasileiros acreditam, a imagem ou a reputação de uma empresa não depende apenas de propaganda na TV e no rádio ou de sua eficácia produtiva. De fato, esses elementos são muito importantes, mas muitos desconhecem que, se o público interno de uma organização – no caso, os empregados – não estiver satisfeito com as políticas da empresa, não só a eficácia dela estará comprometida, mas também a sua imagem e reputação diante do público externo, que são os clientes, fornecedores e a sociedade em geral. É fato que – talvez por desconhecimento ou por simples falta de recursos – a aplicação de políticas de comunicação empresarial é algo raro entre as empresas potiguares.

Porém, pequenas ações podem melhorar bastante o clima interno e, consequentemente, a imagem externa de uma organização. Por exemplo, algo que, se fosse corrigido, melhoraria bastante o clima interno das empresas brasileiras, é a falta de informação para novos empregados; que acabam por ter que descobrir como funciona a organização e suas atribuições por conta própria e quase sempre através de boatos, mentiras e desmentiras. Ou seja, as chances de o novo empregado ver a empresa de forma negativa é muito grande. Isso afeta a produção diretamente. Muitos nem sabem exatamente o próprio papel na organização. Certamente, muitas empresas – sejam privadas ou públicas - têm falhas na orientação para novos funcionários. Na verdade, quando há algum tipo de orientação formal já podemos considerar muita coisa para os padrões locais. Porém, muitas vezes, quando há algo escrito com esse objetivo nem sempre o que há no papel representa ao menos cinqüenta por cento da realidade. Geralmente, esse problema ocorre devido à própria falta de determinação por parte da diretoria quanto às atribuições exatas de uma função empregatícia. Quando não é por isso, deve-se à infeliz escolha de se usar funcionários “faz-tudo” – que é uma atitude perigosa, pois freqüentemente tipifica desvio de função, um prato cheio para ações judiciais trabalhistas contra a empresa e conseqüente aumento de dívidas.

A decisão de estabelecer de forma adequada as atribuições de um empregado, além de ajudar o indivíduo a trabalhar com mais qualidade, também reduz bastante a tensão inicial da pessoa sobre o seu papel na empresa. Isso faz com que ele tenha maior segurança de que não será usado de forma inadequada; por exemplo, para comprar o lanche do patrão na esquina ou enfrentar uma fila para quitar a conta de luz de um colega. Infelizmente esses exemplos não representam exagero e servem bem para mostrar o drama. Resumindo: dê segurança ao seu empregado. Não custa nada além de um pouco de decisão.

Proporcionar uma comunicação interna satisfatória também é uma boa dica para melhorar o clima interno de uma empresa e evitar os temíveis, porém comuns boatos. Uma das formas de se fazer isso é a produção e distribuição de um jornal da empresa com informações de real interesse dos funcionários. É bom lembrar que eles não querem saber só dos recordes de produção da companhia ou de novas parcerias com outras entidades. São assuntos importantes, mas longe de serem exclusivos. Um dos pecados das empresas que produzem jornais internos é a divulgação de muitas matérias que relatam apenas as ações diretas da diretoria. Isso prejudica a credibilidade da publicação – não só internamente, mas também diante do público externo (jornalistas, clientes etc) – que é vista como apenas uma forma de promoção dos diretores. O jornal também deve ser usado para antecipar as informações aos empregados, esclarecendo-os antes de se formar um boato indesejado. Ou seja, se o salário do mês for atrasar uma semana, esclareça isso antes que o boato faça os empregados crerem que ficarão sem dinheiro durante um mês inteiro ou pior.

Adotar essas e outras ações de comunicação interna – com a ajuda de um profissional capacitado – cria harmonia com as ações externas (propaganda, press-releases etc) e uma conseqüente verossimilhança com todas as informações emanadas de uma organização. Assim, a imagem externa será beneficiada e as chances de se conseguir mais clientes certamente aumentarão. Agrade e esclareça seus funcionários; e terá uma boa imagem. Desrespeite-os e ignore-os; e não terá assessoria de imprensa ou de relações públicas que salve a reputação e a imagem de sua organização. A menos que você seja adepto do “falem mal, mas falem de mim”, sempre é bom tomar atitudes para que a sociedade tenha uma opinião favorável ao seu negócio.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Malefícios e benefícios do Carnaval

O carnaval passou. Foi brilhante. Uma festa cheia de sensualidade, alegria e cores, símbolo da identidade brasileira e orgulho nacional. Mas será que o carnaval é benéfico para nosso país? Agora o caro leitor ou leitora deverá estar se perguntando também: será que vale a pena debater eventuais benefícios do carnaval? Afinal, o carnaval é apenas uma festa cujo único objetivo é divertir-se, esquecer por uns dias a realidade injusta, o trabalho difícil, o chefe incompreensível, o pouco dinheiro. De origem milenar, o carnaval nasceu na Grécia para celebrar os deuses da colheita para depois espalhar-se pelo mundo. Ao contrário do que alguns possam pensar, o Brasil, apesar de ser taxado como país do carnaval, não possui, de forma alguma, exclusividade sobre ele. Comparando a origem histórica com a prática atual, percebemos que o motivo da festa mudou. Antes era para celebrar a colheita. Hoje serve como "anestésico social". Portanto, vemos aqui um benefício carnavalesco: esquecer o…

Lei de talião e pena de morte no Brasil

Considero o princípio da lei de talião o mais justo de todos os princípios legais. Ele representa o equilíbrio. Afinal, não seria isso a justiça? É um princípio simples. E a simplicidade é o último grau de sofisticação. Por exemplo, se alguém mata intencionalmente uma pessoa inocente e por motivo banal, esse alguém deve ser morto.
Podemos complicar um pouco. Durante um hipotético (mas não tão hipotético) assalto, policiais e bandidos trocam tiros. Uma pessoa que passava nas proximidades é atingida e morta. Nossa lei preocupa-se em procurar a autoria do tiro que matou o inocente, quando isso é irrelevante a princípio. O que verdadeiramente importa é a autoria da intencionalidade que assumiu e provocou a morte. Não há dúvidas de que os bandidos saíram de casa assumindo a possibilidade de matar. Não os policiais. Logo, percebemos aí a intencionalidade de usar a força por meio da morte de uma alguém, independente de quem viesse a obstruir suas intenções criminosas. Logo, ainda que juridi…

Ciência de verdade ou fé nos cientistas?

No final de um documentário, o físico Stephen Hawking afirmou que a origem do universo pode ser explicada sem a necessidade de um criador e que, por consequência, poderíamos dizer que não existe vida após a morte. Eu admirava o Hawking, mais pela imagem de genialidade que nos é transmitida pela TV, mas depois dessa conclusão ilógica, tive uma decepção, mas foi bom, pois eu pude ver o quanto de fé está impregnada no atual mundo científico.


Após o advento iluminista, os cientistas começaram a adquirir o status de novos sacerdotes. Se antes o que a Igreja dizia era considerado a verdade, hoje, cada vez mais pessoas simplesmente acreditam no que os cientistas dizem, até mesmo em homenzinhos do espaço [1], sem fazer questionamentos. Se antes as verdades eram imutáveis (dogmas religiosos), hoje, algumas crenças com base na ciência alteram-se de uma década para a outra, às vezes num ritmo até mais rápido, como podemos constatar perante descobertas nutricionais. Ovo faz mal? Colesterol faz b…