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Sete falácias de um movimento

Eis, abaixo, as falácias e as devidas explicações. Vamos ser realistas. Acorda Brasil!

1. O movimento representa a vontade do povo.
Ainda que estivessem todos lutando por uma mesma causa – o que não é verdade - se vivemos numa democracia, povo só pode ser considerado povo se for maioria. Analisando a quantidade de pessoas nas ruas em comparação com o número total de brasileiros, a forma como o movimento está sendo feito só é defendida por uma pequena parcela da população brasileira. Ou você acha que a maioria dos brasileiros é contra a Copa do Mundo ou a favor da falta de organização nesses protestos? Fora isso, diante de relatos da mídia e de representantes do “movimento”, percebe-se a presença majoritária de estudantes de classe média. A massa pobre e trabalhadora, maior parte de nosso povo, não participa disso.


Crédito: http://veja.abril.com.br/
2. A violência não é provocada por manifestantes.
Essa falácia foi, inclusive, criada pelo jornalismo da televisão aberta, incluindo a Globo, que ultimamente vem repetindo ela exaustivamente, em todas as ocorrências de destruição e desordem. A tentativa é de desqualificar os vândalos como manifestantes. Ainda que seja uma pequena parcela dos manifestantes que destruam lojas, pichem patrimônio público ou queimem carros de emissoras, essa parcela não deixa de ser classificada como manifestante. Além disso, o discurso da mídia entra em contradição quando fala em "pequeno grupo de vândalos" ao mesmo tempo em que se observa 50 ou 100 pessoas envolvidas nos atos de violência. Afinal, 1% de 100 mil, que poderia – pela lógica desses discursos midiáticos – ser considerado um “pequeno grupo”, equivale a mil pessoas. E desde quando mil pessoas é um “pequeno grupo”?

3. O gigante acordou. 
Na verdade, o gigante emburreceu de vez. A maior prova de burrice coletiva foi ontem (20/06), com a ilusão generalizada de que o país vai melhorar por simples revolta emocional e indignação sem uma pauta clara, específica e objetiva. Tenho pena da gente de bem iludida com isso, muitos amigos meus.

4. O movimento vai resolver tudo.
Mera ilusão. Se analisarmos os resultados obtidos, comparados com as infindáveis demandas contraditórias dentro do movimento, chegamos à conclusão de que, até agora, nenhuma delas foi resolvida (o que é de se esperar de um movimento que nem sabe o que quer, de fato). Afinal, como resolver dezenas de problemas genéricos de uma vez só? É o mesmo que choramingar pela existência de coisas ruins no mundo sem se concentrar nas causas dessas coisas ruins. Como averiguar, por exemplo, que acabou a corrupção no Brasil? Exigir o fim da corrupção – só para citar uma das infindáveis demandas genéricas – obviamente, independe de decisões governamentais, principalmente ao se saber que a origem da corrupção está dentro dos próprios costumes brasileiros, como visto em vários estudos sociológicos ou mesmo vivenciando essas coisas em esferas que não tem nada a ver com a política partidária, como, por exemplo, em nossas famílias, em diversas relações comerciais ou mesmo em nossas universidades. A corrupção vem do povo, pois os políticos também vêm do povo e ainda votamos neles. Na verdade, até agora o movimento causou apenas destruição material, caos e vários feridos na grande maioria das manifestações; e um morto em Ribeirão Preto.

5. O movimento é pacífico.
A despeito da ingenuidade da maioria dos manifestantes (que defendem a manifestação pacífica), a partir do momento em que essa mesma maioria valoriza apenas a quantidade de gente na rua, como podemos ver diante do slogan “Vem pra rua!”, se está sendo, no mínimo, irresponsável e conivente com a desordem e a violência. A exclusiva valorização da quantidade em detrimento da objetividade e da qualidade é visível diante de comentários nas redes sociais e mesmo na mídia: “Foi uma festa da democracia!”, “Foi lindo de se ver!”, “Nunca vi tanta gente na rua!” e coisas do tipo. A estratégia de chamar todo mundo para a rua é falha se a intenção for manter a ordem, pois qualquer um com qualquer ideia na cabeça irá participar e manifestar seus ideais, sejam eles agressivos ou não.

6. O movimento independe da mídia.
Mentira. Os principais slogans utilizados são de propagandas midiáticas da empresa automobilística Fiat (Vem pra rua) e do whisky Johnnie Walker (O gigante acordou). Fora isso, os movimentos se intensificaram drasticamente após as emissoras de televisão aberta, inclusive a rede Globo, se posicionarem favoráveis ao movimento, com ampla cobertura dos protestos. O grito “Sem Violência!” também se tornou famoso e, de forma curiosa, é reproduzido na mesma sonoridade e ritmo, imitando imagens divulgadas constantemente pela Internet e pelas emissoras de televisão aberta. E depois ainda dizem que não são manipulados.

7. O movimento é um movimento.
Por fim, isso nem pode ser definido como movimento. O que chamam de movimento é simples turba, reunião de gente na rua por causas desconexas e conflitantes. Numa mesma massa de gente encontramos pessoas favoráveis aos partidos políticos e desfavoráveis aos partidos políticos; favoráveis à perseguição religiosa e contra a perseguição religiosa; favoráveis ao casamento gay e contra o casamento gay; pessoas contra a corrupção que ao mesmo tempo a praticam; gente favorável pela legalização das drogas e gente totalmente contra a legalização de drogas; pessoas contrárias à inflação e que, ao mesmo tempo, desconhecem as causas de uma inflação. Isso não é movimento: é uma turba contraditória e, não raro, ignorante.

Comentários

  1. 100... qualquer um com qualquer ideia na cabeça irá participar e manifestar seus ideais.
    R: senta lá e vai viver numa ditadura! Que ai tu aceita calado em casa com tudo em ordem!

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    Respostas
    1. Não entendi direito, mas tudo bem. O trecho ao qual vc se refere é para demonstrar que, sem uma objetividade, se atrai qualquer tipo de gente, incluindo quem tem atitudes violentas.

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  2. Olá, Nestor, concordo com você e acho que o seu ponto de vista é perfeito!

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