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Paris: como o mundo ficou burro


Alguém lembra de ter visto o mundo inteiro dizendo "#PrayForIsrael", quando bombas explodiam crianças, homens e mulheres inocentes em Jerusalém? Alguém lembra de ter ouvido lamentos pelas dezenas e centenas de mísseis diários disparados pelo Hamas contra o sul de Israel? E os recentes ataques com facas? É mais provável que você tenha visto, na televisão, críticas do mundo inteiro contra Israel, geralmente se utilizando de uma imagem de um Estado judeu opressor que invariavelmente adota o "uso desproporcional da força" para promover o genocídio do povo palestino.

A mídia internacional - poluída pela inversão de valores da nova esquerda - estaria dando o tom do espírito do mundo, incluindo-se aí as reações das autoridades. E nessa onda ideológica, temos a virtude condicionada não pelos atos, mas sim pelo seu poder. É a crença esquerdista na virtude dos oprimidos, como havia sugerido Caio Blinder. "Ora, nessa história aí, o vilão só pode ser o mais poderoso dos dois lados, não é verdade?", pensa o mundo, via onda midiática. Israel, portanto, é o vilão. "Se os Estados Unidos sofreram os atentados de 11 de setembro, deve ser porque ele é um país imperialista e deve merecer isso. A culpa é dele.", pensam outros.

Agora, quando Paris é atacada pelo mesmo mal, não adianta chorar muito.
A ironia encontra-se no fato de os franceses serem famosos pela sua judeofobia anti-israelense e um dos primeiros a racionalizar atentados contra civis israelenses como consequência de uma política violenta e separatista judaica. Reflexos desse raciocínio podem ser encontrados em toda a Europa. "Vamos boicotar Israel!". Como um indício, temos uma pesquisa, em 2003, que indicava 60% dos europeus considerando Israel a maior ameaça à paz mundial. E agora? Como racionalizar os atentados no coração da Europa, meus caros?

A Europa já era! 
O bom senso fugiu da mente dos europeus; e talvez possamos culpá-los por adotarem certas ideias autodestrutivas. E a ideologia integralista multiculturalista politicamente correta da nova esquerda é uma delas. Quem pensa dentro dessas diretrizes não consegue ver o perigo óbvio quando ele está se aproximando, coisa que os mais experientes sabem e os mais sensatos se lembram.

- Quando os judeus são perseguidos ou escapam, é hora de fazer as malas. - já dizia um ancião iugoslavo, certo dia, à jornalista espanhola Pilar Rahola. O velho estava lhe contando o segredo de como havia sobrevivido à "história eriçada de guerras em seu país", como relata Pilar num artigo chamado "A rebelião dos canários" que, escrito há mais de dez anos, hoje vejo como um texto profético.

"Os mineiros tinham, até bem adiantado o século XX, uma técnica infalível para proteger-se nas profundidades da rocha: os canários."

"A pequena ave, mais sensível que o homem à falta de oxigênio e aos gases tóxicos, morreria primeiro que estes se nas minas houvessem gases venenosos ou demasiado monóxido de carbono. Se os mineiros vissem os canários morrerem ou asfixiarem-se, sabiam que deviam abandonar a mina à toda velocidade."

"O canário era o primeiro que sofria por um mal que acabaria por matar a todos", escreveu Pilar.

Hoje, Israel é o canário do mundo. O problema é que o mundo tornou-se um minerador burro. Ao ver o canário agonizando com o gás tóxico, ele não se alerta. Na verdade faz algo absurdo. O mundo critica Israel e o reprova, ignorando o perigo do gás, e prossegue assim, imbecilizado, até começar a sofrer dos mesmos sintomas.

Não foi por falta de aviso.
"Se, como a Checoslováquia, Israel cai ante o fundamentalismo, qual será o próximo passo? França, que tem em seu seio milhões de muçulmanos e onde os grupos fundamentalistas ganham cada vez mais poder? Inglaterra, onde imãs fundamentalistas queimam bandeiras inglesas?", profetizava Pilar.

Na França, antes de a coisa ficar mundialmente visível após o ataque contra o Charlie Hebdo, já fazia um tempo que europeus nativos sofriam hostilidades por parte de grupos de muçulmanos que moram por lá, o que aumentou o preconceito contra esse grupo, algo totalmente compreensível. Mas também não foi por falta de incentivo, pois os muçulmanos se tornaram um importante eleitorado da esquerda: 93% votaram no presidente socialista François Hollande na última eleição.

Ou seja: já faz um bom tempo que vários setores políticos franceses de esquerda apoiam o crescimento do islã justamente por razões de poder, e utilizando-se da ideologia multiculturalista nesse sentido.


Além disso, há um quase imperceptível paradoxo moral quando vemos a mídia internacional lamentar os acontecimentos de Paris ao mesmo tempo em que faz justamente o que querem os terroristas, divulgando seus feitos e espalhando o medo pelo mundo, inclusive dando-lhes os devidos nomes. "O Estado Islâmico conseguiu perpetrar um atentado sofisticado como nunca tinha feito antes", comentava a repórter da CNN, falando sobre Paris. Sofisticado! Que elogio! Toda essa visibilidade, todo esse show midiático, é tudo o que eles querem: um incentivo a mais do Ocidente.

Depois do choque, temo que o mundo não aprenderá essa lição. 
Guiado pelos valores da nova esquerda, tentará resolver o problema usando valores civilizados para com quem lhe deseja a destruição incondicional, talvez nos mesmos moldes que a presidente socialista Dilma Roussef sugeriu: dialogando. O mundo ficou burro e não podemos fazer nada sobre isso.


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