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Comentários do Irã

* Este artigo foi publicado no Jornal de Hoje

As notícias vindas do Oriente Médio estão esfriando? Os terroristas palestinos estão cada vez mais parados? Sempre são aquelas mesmas notas sobre explosões de atos terroristas de iraquianos contra iraquianos? Não muda nada? Não se preocupe. Temos Mahmoud Ahmadinejad, o presidente do Irã. Ele, atualmente, é a maior fonte de notícias quentes vindas daquela região. Mesmo que a situação no Iraque seja bastante instável, a população dos outros recantos do globo não se interessa como antes por notícias vindas do Iraque, que resumem-se a sucessivos atentados explosivos. A nova tensão que Mahmoud Ahmadinejad está provocando com seus comentários sobre Israel é tudo o que o jornalismo internacional queria ante a recente monotonia jornalística no Oriente Médio.

As últimas palavras do presidente do Irã, que tomou posse ainda este ano, foram bastantes polêmicas. O discurso com o tema “Destruição de Israel” nunca foi novidade, mas precisava ser tocado mais uma vez para que o mundo tivesse mais graça. O povo gosta de uma briginha. Conflitos trazem notícias. Bom para jornalistas da editoria internacional. Será que a paz é o ideal? Na opinião do Sr. Ahmadinejad, de caráter populista e conservador, é claro que não. A voz dele realmente é a voz do povão do Irã, ou seja, uma voz com ideais retrógrados, baseados em fundamentos ultrapassados do Alcorão. Ele sabe que, tomando essas atitudes, vai garantindo a sua popularidade e a sua reeleição.

Mais recentemente, ele sugeriu a idéia de transferir o Estado de Israel, do Oriente Médio para a Europa, na Alemanha talvez. Dessa forma, segundo o presidente, seria bom ver a Copa de 2006 em Israel. Mas, pelo menos dessa vez ele amenizou o discurso, quem sabe, por causa da grande pressão da comunidade internacional: “Tudo bem, já que não vão riscar Israel do mapa mesmo, então pelo menos tire ele daqui”.

No entanto, essa sugestão demonstra que o Sr. Ahmadinejad não passa de um provocador ou um brincalhão que quer aparecer para o mundo e principalmente para seus eleitores. Talvez nem ele acredite no que está falando e esteja usando esses freqüentes comentários como estratégia política interna. Só pode. Pois se for para criar aliados na comunidade internacional, não serão muitos. Talvez Chaves, Fidel e, quem sabe, Lula, que já cultiva uma boa simpatia por esses dois últimos. Mas sabemos que nosso presidente não tem a mesma coragem de Chavez, muito menos a desse Ahmadinejad. Parece que o medo dos Estados Unidos é o que impede muitos líderes de proferirem comentários como os do líder iraniano.

Enquanto a guerra entre Israel e Irã não começa, a população mundial vai se divertindo ou se angustiando com a possibilidade desse mais novo conflito bélico entre nações. O Oriente Médio é o mercado de guerra mais valorizado ultimamente, onde os lucros vão para fabricantes de armas; líderes que querem se reeleger; e homens da mídia também, que vendem as imagens dos tiros, explosões e mortes para os leitores e telespectadores do mundo inteiro, ansiosos por uma confusão, “para o mundo ter mais graça”. Ô povinho pra gostar de uma briga! A psicologia explica.

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