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Fotos coloridas e conflito social

A modinha já passou. O casamento gay nos EUA já é uma realidade e as pessoas já se cansaram de discutir isso no Facebook. Mesmo assim, este texto é relevante, já que aborda um comportamento que, embora comum, pode tornar-se perigoso para uma sociedade.

Inicialmente, eu estava pensando em explicar a adesão maciça ao ativismo gay nas redes sociais, os tais “coloridos" do Facebook, por meio de um simples modismo no qual boa parte dos participantes teria entrado mais por conformismo ou para parecer uma pessoa esclarecida do que realmente para concordar com uma conquista dos gay rights. No entanto, seria uma explicação muito feijão com arroz dentro do comportamento humano, embora não deixe de ser uma explicação digna de atenção.

Afinal, o conformismo é um dos fatores explicativos mais comuns de todos os tipos de comportamentos sociais humanos. Estamos instintivamente predispostos a concordar com alguém e a participar de torcidas. Aqueles que se vangloriam por aderir à moda dos coloridos racionalizam isso em nome de um avanço sócio-politico ou em nome da liberdade, diversidade e do amor. Aqueles que são contra dizem que é melhor se preocupar com a fome na África. Tanto um quanto outro pensamento são apenas racionalizações, discursos usados para justificar um comportamento que na verdade é mais instintivo do que resultado de uma ponderação racional e imparcial.

Tudo muito normal dentro do comportamento humano, mas isso não significa que algumas dessas coisas sejam imunes à críticas, pois conformismos e anti-conformismos extremistas são perigosos; e tendem a produzir atitudes perigosas que podem ameaçar a nossa civilidade. 

Logo, minha tese aqui é a de que alguns movimentos sociais e ideologias políticas estão adotando uma norma de polarização de opiniões com a intenção de gerar conflitos até então inexistentes em nossa sociedade.

Colorir a foto não é o problema. O problema é querer provocar os outros, acusando as pessoas de serem criminosas homofóbicas e de cultivarem o ódio. No geral, as pessoas não sentem ódio contra homossexuais, embora saibamos que existe gente que sente. No entanto, também sabemos que é uma minoria bem pequena e que ela não justifica tamanha generalização.

Normalmente, a maioria das pessoas apenas ignora, deixando essa história de homossexuais pra lá, pois não é um assunto que necessite de um debate acirrado. Há coisas mais importantes para se preocupar. A maioria sabe que sempre existiram homossexuais no mundo e certamente não concorda com esse tipo de prática sexual, embora não pretenda proibir os gays de fazerem o que quiser com seus corpos e com quem quer que seja, desde que haja consentimento entre as partes, claro. Dentro de uma sociedade onde existe a liberdade individual, pensar dessa forma é comum. Cada um faz o que quer, desde que não interfira no direito do outro. Acredito que esse seja o pensamento da maioria.

Porém, algumas pessoas do ativismo gay pretendem acusar toda a sociedade de ser homofóbica, dizendo que toda ela está repleta de normas heteronormativas e que isso precisaria ser alterado. 

Quando o ativismo busca o respeito para com homossexuais e o fim do preconceito, considero essas ações louváveis e positivas, já que a orientação sexual não define caráter ou valor do indivíduo como ser humano. A intolerância e a violência deve ser combatida.

Porém, quando o ativismo propõe dispositivos jurídicos que colocam gays acima dos outros cidadãos (cotas para concursos, por exemplo), quando o ativismo procura achincalhar os valores e as normas da maioria, como podemos ver em alguns protestos e paradas gay (como os santos católicos em posições eróticas gays), há um problema nisso que vai além da falta de respeito: há uma intenção de enfrentamento que pode gerar - e gera mesmo - correntes de opinião contrárias aos homossexuais em geral, as quais anteriormente inexistiam. Seria esse fenômeno algo proposital? Tudo indica que sim, e planejado pelos cabeças do movimento. Qual a razão de incitar o conflito e o ódio?

Quando isso ocorre, a maioria das pessoas acaba confundido tudo. Por um lado, se um homossexual não colorir a foto do Facebook, outras pessoas - gays ou não - vão questioná-lo de forma agressiva, o pressionando a aderir à modinha, como de fato aconteceu com alguns gays que não concordam com as intenções do ativismo. 

Por outro lado, indivíduos que anteriormente não se importariam com esse assunto, começam a lançar ataques opinativos contra homossexuais em geral. Isso ocorre pois as pessoas não conseguem separar as coisas. Uma coisa é o homossexual. Outra coisa é o ativismo político gay, o mesmo que celebrou a decisão da Suprema Corte americana, o mesmo que deseja implantar o casamento gay em todos os países, o mesmo que deseja implantar educação sexual gay para crianças a partir de seis anos nas escolas aqui no Brasil.

O ativismo está roubando a voz dos gays que não concordam com o ativismo

Cada vez mais a voz de homossexuais que discordam da agenda política, incluindo-se aí o casamento gay, vem sendo calada e, pior, substituída. Não raro, muitos gays sentem-se atraídos pelo apelo dessa ideologia e, no lugar de ter uma opinião própria sobre assuntos relacionados à sua sexualidade ou à sua visão de sociedade, apenas adotam as premissas do ativismo político. Isso tudo representa um conformismo com tendência à polarização, o qual deve ser combatido.

Criticar o ativismo gay, uma ideologia, não é criticar a homossexualidade ou ser homofóbico, como muitos tentam sugerir. É muito comum ver alguns indivíduos fazendo acusações levianas desse tipo. Qualquer crítica ao ativismo gay é uma ofensa e motivo para processo judicial, sendo isso uma ameaça à liberdade de expressão. De fato, alguns dos maiores combatentes, contrários à essa ideologia, já foram processados por expressar suas opiniões. Alguns, como o pastor Silas Malafaia, foram absolvidos. Outros, como o ex-candidato à presidência da república, Levy Fidélix, foram condenados e estão recorrendo da decisão.

Quando uma sociedade decide resolver tudo com base em processos  judiciais, é um indício patológico de que está faltando confiança entre seus indivíduos; e parece ser exatamente essa a intenção de alguns movimentos sociais. Essa estratégia vem claramente de uma visão neomarxista de mundo, onde todas as relações dentro de uma sociedade capitalista implicam o conflito e a desconfiança. Está na hora de parar de cair nessa armadilha ideológica e de ficar nos agredindo por causa de polêmicas artificiais produzidas por movimentos ou ideologias. 


Não é com base no medo e na agressão que os gays, ou os negros ou qualquer minoria coitadinha inventada receberá mais respeito e aceitação da maioria. É necessário gerar um sentimento de união e confiança entre as pessoas. Não o contrário.

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