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Estamos próximos de um conflito nuclear?

Recentemente o líder iraniano Mahmoud Ahmadinejad afirmou que os israelenses não tem coragem de atacar o Irã e que, caso isso acontecesse, Israel se arrependeria. Essa afirmação foi feita após ele ter sido questionado a respeito do teste de um míssil balístico realizado por Israel, três dias depois de o primeiro-ministro israelense Ehud Olmert ter afirmado que seu país não descarta "nenhuma opção" para impedir o Irã de desenvolver uma arma nuclear. Surge a questão: estaríamos próximos de um conflito nuclear? O que podemos responder é que, por enquanto, não. O Irã, supostamente ainda não possui esse tipo de armamento. E apesar de parecer bastante obstinado a adquirir a tecnologia nuclear para o desenvolvimento de armas atômicas, o discurso pacífico de seu líder prossegue, mesmo que ninguém acredite nele.

O Estado de Israel, por estar cercado de países hostis, sempre foi preocupado com sua segurança. Já nos primeiros anos de sua existência mostrou-se interessado em adquirir poderio nuclear. Em 1957 já possuia um setor dentro do serviço de inteligência destinado exclusivamente à assuntos nucleares, o Departamento de Ligação Científica. Acredita-se que, nessa mesma época, o governo francês consentiu em doar um reator nuclear para Israel, grande o suficiente para desenvolver armas nucleares. Ou seja, o país israelense, apesar de manter-se sigiloso sobre isso, teria armas atômicas há aproximadamente cinquenta ou quarenta anos.

Sabendo disso, começo a duvidar das bravatas do Sr. Ahmadinejad nessa sua novela internacional. Caso existisse uma guerra nuclear, quem estaria com medo de um conflito direto? Ele sabe que os EUA, possuidor de armamento nuclear, estão esperando uma desculpa qualquer para iniciar uma guerra contra o Irã. E um conflito nuclear direto com os israelenses seria a desculpa perfeita para jogar bombas atômicas sobre Teerã. É claro que a entrada dos americanos num conflito desse tipo teria consequências sérias. Talvez a Rússia, também detendora de bombas atômicas e principal fornecedora de material nuclear e mão de obra especializada para o Irã, defendesse seu cliente persa. Ou talvez ela não fizesse isso diretamente. Afinal, em 2004 surgiu a hipóstese de a Al-Qaeda ter adquirido pequenas bombas atômicas no mercado negro. Logo, se os EUA entram, a Al-Qaeda também entra. Quem mais entraria nesse bolo? Coréia do Norte?

Se fossemos analisar todas as possíveis nações e organizações capazes de envolver-se num provável conflito Irã-Israel - e as formas desse envolvimento - após a entrada americana nessa hipotética guerra ao lado de Israel, preencheríamos páginas e mais páginas de possibilidades. Mas uma coisa é certa: a possível entrada americana representaria uma expansão do conflito para outras regiões. Enfim a terceira guerra mundial.

É claro que dentro dessas conjecturas devemos considerar a questão do petróleo. O Irã, quarto maior produtor de petróleo do planeta, possui papel importante dentro da OPEP. E com essa influência, uma guerra direta do Irã contra os EUA significaria crise no mercado do petróleo, um mal negócio para a economia americana. É claro que isso não significa uma garantia de proteção contra os americanos, pois os EUA podem correr o risco de invadir o Irã justamente para se apoderar de suas fontes petrolíferas e controlar mais ainda o mercado.

Mesmo assim, tudo se complicaria com o envolvimento americano num provável conflito militar entre Israel e Irã. Os EUA já devem estar cientes disso e já devem ter vislumbrado que uma possível ação sensata seria uma atuação indireta, de forma a ocultar sua verdadeira intervenção num conflito dessa espécie. Agir ocultamente é o melhor para evitar que a guerra se alastre e as coisas fiquem realmente feias. Acredito que, caso esse cenário torne-se realidade seja essa a atitude americana: agir nas sombras.

Mas não acredito que nenhum país usaria armas nucleares contra um inimigo, justamente com medo das represálias, que viriam em forma de fortes críticas da comunidade internacional e em forma de mísseis atômicos, que dizimariam grande número de inocentes civis, além de contaminar dezenas ou centenas de cidades de vários países durante várias décadas. A radiação acabaria com várias regiões do mundo. E agora? Quem tem coragem de usar a bomba atômica?

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