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Para comerciante, agenciadores ajudam a aumentar o sexo-turismo em Natal

Por Nestor Burlamaqui

Trabalhando no local há aproximadamente 10 anos, o comerciante Gênesis Ferreira conhece bem a situação da praia de Ponta Negra. Ele reconhece que as ações das autoridades foram benéficas para a praia, reduzindo a prostituição infantil e o tráfico de drogas. Porém, ele afirma que o problema poderia ser combatido de forma mais intensa.

Ele denunciou para a nossa equipe que um dos problemas do sexo-turismo tem origem na venda dos pacotes de viagens. Segundo Gênesis, agenciadores estariam vendendo pacotes para os estrangeiros usando o argumento atrativo da prostituição fácil. "Alguns agenciadores alegam para os turistas estrangeiros que a prostituição é uma coisa fácil, que aqui podem fazer tudo o que quer e que quase todas as mulheres na praia são prostitutas.", disse. Os agenciadores já colocam essa idéia negativa na cabeça dos turistas, que vêm para Natal atraídos pela diversão através da prostituição.

Toda a cobrança da mídia contra o elevado nível de prostituição em Ponta Negra fez com que muitas famílias natalenses passassem a evitar a praia, e com razão. Conseguir uma mulher para um turista pode ser um negócio rentável em Ponta Negra. Não é raro que algumas mulheres sejam abordadas por pessoas que atuam como intermediários na prática da prostituição. Essas pessoas chegam a ganhar aproximadamente 300 reais, pagos por um “gringo”, caso consigam aliciar uma mulher para se prostituir.

Mudança de local
Além do sexo-turismo, as forças-tarefas de Natal visaram acabar com o tráfico de drogas, vandalismo e crimes tributários, nos estabelecimentos da praia de Ponta Negra. Porém, tais ações fizeram o problema mudar de local. Segundo matéria publicada num jornal local, o novo "point" da prostituição é a rua Manoel Augusto Bezerra de Araújo, também conhecida como "Rua do Salsa" em cuja esquina fica a Ilha da Fantasia. Sobre esse problema, o secretário adjunto da Secretaria Municipal de Comunicação Social, Fernando Cardoso, afirmou que o problema da prostituição não é crime, e que o que se pode combater é a exploração sexual infanto-juvenil.

Causas globais
De acordo com o antropólogo Franck Michel, em um artigo publicado no jornal francês Le Monde chamado "Rumo ao turismo sexual de massa", essa realidade é provocada por um efeito globalizado que já atinge diversos países socialmente pobres, como a Tailândia, Cuba, México e o Brasil. Segundo ele, essa expansão é provocada também pela expansão turística e se alimenta inclusive do encontro entre a miséria e a beleza do mundo. "Miséria e beleza atestam o corte que rege a ordem desigual do planeta. Uma miséria afetiva no Norte, uma miséria econômica no Sul e no Leste; 'beleza' dos bens materiais de consumo no Norte, beleza das paisagens e das pessoas, assim como da espiritualidade, do modo de vida e das 'tradições' no Sul e no Leste", afirmou.

Vendo isso, levanta-se uma questão: As ações das autoridades natalenses conseguirão impedir o aumento da prostituição e do tráfico de drogas que a acompanha?

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