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Israel, flotilhas e o mito do coitadinho

Quando a gente menos espera, mais uma vez a mídia internacional insiste em testar a nossa inteligência. Triste é quando alguns governos, como o brasileiro, caem nessa. Ou pior, sabendo da farsa, a reproduzem, formando um coro. Todos num mesmo tom, na canção da imbecilidade adquirida (como diríamos numa mistura forçada de Olavo de Carvalho e Falcão).

Esse é o caso da flotilha da "liberdade", divulgado amplamente como sendo um ato maligno israelense contra um grupo de humanitários inocentes e pacíficos. Não listarei aqui as teorias jornalísticas que colocam os jornalistas dentro de um grupo economicamente dependente da audiência de seus produtos, o que deveria ser algo óbvio, mas acaba sendo esquecido. Em outras palavras, o compromisso com a verdade não é tanto quanto o compromisso com as normas internas de produção de notícias, orientadas pelo lucro; e já se tornou bem claro o tom que a novela do Oriente Médio deve possuir para agradar o gosto da população mundial: o mito do coitadinho onde o lado mais fraco é tido como tendo a razão, adquirindo o status de protagonista, o bonzinho da situação - recriado tantas vezes no cinema e nas novelas, agora aplicada à realidade, manipulando-a, criando um maniqueísmo que pode até entreter o mundo e manter a audiência das emissoras de televisão, mas não nos ajuda muito a compreender a verdadeira situação do que quer que seja, sequer de uma situação de conflito obviamente forçada por viajantes "pacíficos" usando facas, bastões de ferro e um objetivo declarado (mas também esquecido pelas notícias) de enfrentamento contra um país que tenta sobreviver em meio à uma incompreensível onda de antipatia mundial, reproduzida da mesma forma com que se criam as antipatias dos vilões cinematográficos.

É interessante ver o comportamento da mídia diante de fortes (se não óbvias) evidências que desmascaram os ocupantes do tal navio Marvi Marmara como sendo na verdade pessoas com o objetivo de enfrentamento, algo que é simplesmente o oposto do que é divulgado pela mídia. Diante de vídeos e fotos que mostram a ação dos tais “pacifistas”, no mínimo, deve-se evitar os termos e expressões “humanitário”, “missão pacífica” e coisas afins para caracterizar a intenção dos ocupantes do navio diante dessa situação. Mas, como sempre, nada é feito. Para eles é preferível começar a parar de falar nesse assunto, pois o interesse das pessoas vai acabando e novas notícias devem renovar a pauta da semana, de modo a manter a sagrada audiência em alta. Como mostra um vídeo que satiriza os ocupantes da flotilha, estão enganando mundo:

Comentários

  1. E desde quando eu ataco alguém com uma faca e sou pacífico??? Será uma nova moda por lá?

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  2. Nestor,

    como pode a mídia negar-se à existência de um outro lado da história? e de outro, outro do outro, etc... A verdade é ilimitada, mas é transmitida com uma "única e definitiva" versão de toda a história.

    Eu estou lendo uns textos sobre o processo de globalização a partir do mar, e despertei para uma idéia bem curiosa: no mar "não existem" leis.

    No artigo que produzi, escrevi: A ausência de um “direito do mar” ainda proporciona o surgimento de grupos marítimos violentos, piratas, terroristas e que agem sem leis e valores morais que os limitem tanto nas ações terroristas, como nas navegações comerciais legais e ilegais. Naquele território sem Estado, no oceano infinito, nos mares sem lei, nos espaços globais sem uma civilidade convencionada, Deus não existiu. Assim fomos colonizados e explorados, por aventureiros, piratas e degredados que nos nossos livros de história tornaram-se heróis.

    É exatamente isto que a mídia faz. Um mito dito e repetido muitas vezes se torna uma verdade muito forte.

    Na minha opinião, um grupo armado vestido com roupas da cruz vermelha, ongs, ONU, etc, é um grupo armado como qualquer outro. Se eles íam prestar ajuda a um povo, tudo bem. Mas que estavam armados estavam. Mas parece que ninguém percebeu.

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