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O país dos lixeiros

Ronaldo. Central do Brasil. Copa do Mundo de 2014. Cidade de Deus. Ayrton Sena. “O melhor do Brasil é o brasileiro”. Recentemente minhas leituras na Internet me levaram por essa questão do patriotismo brasileiro forçado, que a mídia tenta evocar se apoiando, geralmente, em nossas ações medíocres no campo internacional ou, quando muito, em ações grandiosas, mas inúteis para nossos problemas reais. Talvez um pouco de patriotismo seja bom, na medida em que isso seja útil para o crescimento do indivíduo, mas na maioria das vezes não é, sendo apenas um fator importante na reprodução da anestesia social dos povos, que não enxergam sua própria miséria ou, na melhor das hipóteses, limitação. Por fim, não é individualmente útil. Mas sim coletivamente. Nada mais óbvio. Não é verdade? Afirmar que o patriotismo possui utilidade coletiva chega a ser tão óbvio que é impressionante como suas desvantagens escapam à razão individual. Continuaremos torcendo para o Brasil nas copas. Todos juntos. Continuaremos assistindo Fórmula 1 só para reclamar de nossos atuais representantes nesse esporte. É verdade: é bom. O sentimento, as emoções que advém do ato de torcer em grupos é agradável: seja para louvar Ronaldo, seja para tirar sarro do Rubinho. É o que temos de comum. É o que nos faz uma nação... de lascados. Há uma barreira “invisível” que nos impede de ver o quanto estamos pobres, atrasados, condenados. Enquanto essa barreira continuar por aí, sendo mantida por todas as estruturas sociais, das quais a mídia reproduz e faz parte – e ao mesmo tempo é "vítima" – o povo brasileiro, assim como os outros em situação semelhante, continuará cego. Lembro de Boris Casoy, pois nada melhor para exemplificar isso do que a chamada televisiva onde dois lixeiros, cegos em suas limitações, e “do alto de suas vassouras”, desejam feliz 2010 para o Brasil. E eu me pergunto que tipo de felicidade é essa.

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