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Egoísmo e imediatismo, os critérios do voto.

Em período eleitoral, muita gente começa a exaltar a democracia. O direito ao voto é visto quase como uma dádiva divina. “Não desperdice seu voto”, falam os vídeos governamentais. De fato, a democracia é o regime que mais se aproxima de algo que possa aproximar o mundo da desejada justiça social. Porém, poucos param para refletir sobre os defeitos democráticos. Sim, a democracia tem defeitos, principalmente num país como o Brasil. Afinal, o poder está nas mãos do povo e esse mesmo povo demonstrou várias vezes que não tem competência para eleger seus representantes e administradores públicos de forma sensata. Uma das causas para essa insensatez são os critérios adotados por grande parte da população, que são o egoísmo e o imediatismo.

Em relação ao egoísmo, podemos citar exemplos de pessoas que votarão em determinados candidatos apenas por que elas se beneficiarão com isso. Um colega meu contou-me que pretende reeleger um dos candidatos pois continuará lucrando com a atual situação política, já que ele está prestando serviços para o governo de forma facilitada. As pessoas que eventualmente adotam esses critérios egoístas na hora do voto não se importam se aquele mesmo político no qual vai votar está envolvido em esquemas de corrupção que prejudicam toda a sociedade brasileira. O que vale é que elas ficarão numa boa com seus serviços garantidos, seus cargos arranjados e até mesmo com suas contas pagas em dia, com dinheiro público! Eventualmente podemos ver que essas mesmas pessoas, de forma hipócrita, costumam falar mal a respeito do comportamento corrupto de outros políticos.

O critério imediatista que o povão adota já é conhecido dos políticos, que geralmente o explora para obter mais votos. Através desse critério, propostas de resultado rápido – mesmo que não resolvam o problema eficazmente - são bem vistas e atraem mais votos do que aquelas que possuem resultado bem mais eficiente, porém a longo prazo. Um exemplo disso pode ser visto nos recentes números das pesquisas de intenção de voto. O candidato Cristovam Buarque, com suas propostas educacionais para desenvolver o país a longo prazo, não consegue ter a mesma popularidade do que Lula e seus remédios sociais imediatistas. Mesmo que uma reforma eficaz na educação brasileira realmente produza resultados positivos, como vimos no século XIX, no Japão, mais recentemente na Irlanda, e veremos acontecendo com a China e com a Índia, o povão não enxerga isso e muitas vezes não tem como fugir dessa mentalidade.

Enquanto o povo continuar orientando seu voto em critérios egoístas e imediatistas, conviveremos sempre num país de tapa-buracos, assim como um carro velho cheio de remendos, que vive sendo reparado em um ou outro problema, mas que nunca conseguirá atingir a verdadeira potência que possui e sempre ficará atrás na corrida internacional pelo desenvolvimento.

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