segunda-feira, fevereiro 19, 2007

Malefícios e benefícios do Carnaval

O carnaval passou. Foi brilhante. Uma festa cheia de sensualidade, alegria e cores, símbolo da identidade brasileira e orgulho nacional. Mas será que o carnaval é benéfico para nosso país? Agora o caro leitor ou leitora deverá estar se perguntando também: será que vale a pena debater eventuais benefícios do carnaval? Afinal, o carnaval é apenas uma festa cujo único objetivo é divertir-se, esquecer por uns dias a realidade injusta, o trabalho difícil, o chefe incompreensível, o pouco dinheiro. De origem milenar, o carnaval nasceu na Grécia para celebrar os deuses da colheita para depois espalhar-se pelo mundo. Ao contrário do que alguns possam pensar, o Brasil, apesar de ser taxado como país do carnaval, não possui, de forma alguma, exclusividade sobre ele. Comparando a origem histórica com a prática atual, percebemos que o motivo da festa mudou. Antes era para celebrar a colheita. Hoje serve como "anestésico social". Portanto, vemos aqui um benefício carnavalesco: esquecer os problemas. Porém, não há mais comemorações, pois não há nada para comemorar. Não há colheita, não há trabalho, nem dinheiro, nem belas mulatas semi-nuas para todos.
Falando em mulatas, lembramos da nossa imagem no exterior. Somos o país das mulatas e do sexo fácil. "No Brasil é muito bom! Mulatas!", pensam os estrangeiros promíscuos. "Só há prostitutas no Brasil! É uma vergonha!", pensam os estrangeiros mais decentes. A culpa pela imagem promíscua do Brasil é dividida entre governo, mídia e povo. Com uma proporção maior para o primeiro da lista, pois graças à política de divulgação do turismo brasileiro – entre as décadas de 60 e 80 – que o resto do mundo absorveu uma imagem digna de vergonha em relação ao Brasil. E nossas mulheres ficaram com essa fama decadente aonde quer que tenha chegado alguma notícia sobre as "belezas do Brasil".


Alguns poderiam dizer que o povo brasileiro é naturalmente promíscuo e adepto da libertinagem, independente de propaganda exterior, independente da idéia que os outros - os estrangeiros – têm sobre nós. Porém, de acordo com um fenônemo psicosocial, os indivíduos tendem a comportar-se da mesma forma como eles acham que os outros pensam deles. Dessa forma, o governo, ao divulgar uma determinada imagem brasileira no exterior, criou - através desse fenômeno - a mesma imagem, só que internamente. Foi assim que o povo brasileiro adotou o carnaval promíscuo e a libertinagem sexual como elementos de sua identidade. Mesmo que não tenhamos uma tendência para esse tipo de comportamento, a tal fama vergonhosa acompanha-nos. De fato, pesquisas mostram que a cultura européia e a norte-americana encaram o sexo como algo bem mais comum e descomplicado. Resumindo, a promiscuidade ocorre mesmo é lá fora. Na verdade, os brasileiros - em especial os nordestinos - são mais cautelosos em relação ao sexo. Mas talvez eu esteja me enganando ao generalizar, pois soube de algumas histórias sobre excessos de luxúria em determinadas regiões brasileiras. Mas aí vem a questão: essas pessoas não teriam se tornado assim devido àquele fenômeno? De qualquer forma, encontramos um elemento maléfico do carnaval, pelo menos da forma como é feito e divulgado no Brasil: a imagem promíscua de nossas mulheres.

Ainda há outra questão: qual a origem dos recursos para a realização de um evento tão grandioso e belo, como ocorre no Rio de Janeiro e em São Paulo? Afinal, as comunidades que desfilam suas escolas de samba não são conhecidas por possuírem membros de elevado nível financeiro. Uma rápida pesquisa na Internet pode revelar a ligação estreita desses desfiles com patrocínio do jogo do bicho. No site do Observatório da Imprensa qualquer um pode ver uma matéria em vídeo que mostra e comprova essa ligação com "bicheiros" bem sucedidos. Algumas escolas já chegaram ao ponto de homenagear, nos desfiles, tais indivíduos. Por volta de 2005, a Globo mostrou na novela Senhor do Destino, de uma forma hilária e inocente - quase legitimizando - a tal relação. Mas essa atitude da Globo é compreensível pois a empresa televisiva sabe que não é boa idéia criticar a ligação do carnaval com uma contravenção penal, que é a prática do jogo do bicho. Afinal, a apresentação dos desfiles do Rio e de São Paulo são importantes na sua grade de programação. Sempre é bom manter boas relações com determinados tipos de organizações. Mas ter o jogo do bicho como contribuinte de uma parcela do carnaval carioca não é grande problema se levantarmos a hipótese de uma participação semelhante por parte do crime organizado, que envolve tráfico de drogas, roubos e assaltos. Pesquisei alguma informação sobre a essa possível ligação mas não achei nada além de suspeitas e das grandes. De qualquer forma, encontramos, outro elemento indesejado: relação com atividades ilegais.

Analisando esses fatos, podemos questionar se seria realmente o carnaval a causa desses problemas. Extingui-lo seria uma solução para amenizar tais elementos? Não considero uma possibilidade sensata, pois os elementos indesejáveis presentes no carnaval brasileiro são apenas consequência de nossa sociedade corrupta e subdesenvolvida, e de nossos governantes ineficientes. No fim das contas, o benefício anestésico do carnaval sobressai aos demais, surgindo como uma “solução” temporária para os problemas de nosso povo.

quinta-feira, fevereiro 15, 2007

Nova obra combate dogmas cristãos

Os debates históricos sobre a vida de Jesus aumentam com o recente sucesso da obra Inquérito sobre Jesus, que deve sair em breve no Brasil, e mostra um lado humano, bem distante do Deus do cristianismo. O livro apresenta teses polêmicas como a afirmação de que a ressurreição teria sido uma alucinação e que Jesus não tinha intenção de fundar uma nova religião. Desde que foi lançada, no fim do ano passado, a obra já vendeu 450 mil cópias na Itália.

Um trecho do livro afirma: “Ele nunca tentou converter os não-judeus. Isto seria feito depois de sua morte, por alguns seguidores e pelas igrejas cristãs, mudando bastante o que Jesus pregava e praticava.”

Já na futura obra obra de Bento 16 - Jesus de Nazaré, do batismo no Jordão à Transfiguração - o autor defende as verdades católicas como sendo compatíveis com a história. Segundo analistas, a igreja teme que a fé em Jesus seja considerada desligada da história e da razão. De acordo com o papa, razão e fé devem caminhar juntas.

quarta-feira, janeiro 24, 2007

Cadê a ética?

Ultimamente os profissionais jornalistas do Rio Grande do Norte andam esquecendo da prática ética em suas publicações. O uso de imagens de cenas de crime é um recurso cada vez mais presente nas páginas de nossos jornais que estão devendo um pouco mais de qualidade para o leitor. Além de outros exemplos, o mais recente é a foto de um jovem morto à tiros ontem (23/01) em Mossoró, em frente à casa da namorada. Um dos jornais locais publicou essa imagem na primeira página, certamente como uma espécie de chamariz para o leitor comprá-lo. Na verdade, ao fazer isso, o jornalista responsável pelo fato causa tanto o choque numa boa parcela do público leitor quanto a reprovação entre seus colegas de classe. Isso ocorre principalmente devido ao fato de que o referido jornal não possuir, até então, uma política que o caracterizaria como sendo um jornal sensacionalista ou apelativo.

Alguns profissionais tentam isentar-se da responsabilidade por essa carência de ética, evocando a vontade popular, o desejo das massas, que seriam famintas pela visão de cenas violentas. “O povo gosta de ver sangue”, dizem. Outros sustentam a bandeira – erroneamente - da liberdade de informação, confundido-a com libertinagem de expressão. Dizem que a verdade tem que ser mostrada. Para eles, pouco importa o constrangimento e o desrespeito que a divulgação de uma foto dessas provoca para a família e para os amigos do indivíduo. Desconsideram o código de ética dos jornalistas brasileiros em seu artigo 13, que determina: “o jornalista deve evitar divulgação de fatos de caráter mórbido e contrário aos valores humanos”. Se não quer respeitar o código, respeite pelo menos a família da vítima.

sexta-feira, dezembro 29, 2006

Justiça ingênua e crime organizado

Há muito tempo as autoridades de segurança do Brasil sofrem com as falhas na Justiça brasileira. A legislação vigente dá liberdade ao bandido, alimentando a impunidade e o medo do cidadão de bem, que é uma vítima inofensiva para esses grupos criminosos.

Numa enquete realizada neste blog, em agosto, logo após os primeiros ataques em massa à cidade de São Paulo, a maioria das pessoas opinou que uma reforma no sistema penitenciário amenizaria o problema. Mas uma parcela menor votou no assassinato de líderes que estariam comandando os ataques dos presídios. Pelo que percebi, a maioria da população pode até não admitir oficialmente, mas considera a morte de líderes do crime organizado como uma medida aceitável no combate à esse problema.

É óbvio que esses grupos passam por cima do atual sistema ingênuo, que está tão longe de proteger o cidadão comum. Esses bandidos que ordenam roubos, assassinatos e demais crimes já deveriam ter sido mortos “acidentalmente” dentro dos presídios, possivelmente numa suposta rebelião de presos. Afinal, contra esse tipo de gente é necessário jogar à altura. Caso contrário, o problema não terá um fim a curto prazo. Matar os bandidos aparenta ser uma solução desesperada, mas percebe-se que se a “Justiça” continuar protegendo-os, não vejo outra solução mais justa para o homem de bem.

segunda-feira, novembro 27, 2006

Nudez banalizada no Fantástico

Ontem no programa Fantástico foi apresentada uma reportagem sobre a imagem brasileira nos EUA. Essa matéria foi provocada pelo lançamento do filme Turistas, onde um grupo de americanos vêm ao Brasil e passam por maus bocados.

O que quero destacar é que durante essa matéria, o programa exibiu trechos de um antigo filme americano que mostrava uma suposta praia brasileira onde as mulheres andavam sorridentes, mostrando os seios e estavam acompanhadas por macacos. Deixando a ignorância dos americanos de lado, assim como a imagem errônea que eles tem sobre o Brasil, chamo a atenção para o pecado que o próprio programa cometeu nesse momento.

Na tentativa de mostrar como nós somos vistos pelos americanos, o programa deve ter esquecido que crianças também assistem ao programa.

Será que é ético mostrar mulheres seminuas na tv, num horário considerado familiar? Ou será que hoje em dia a nudez está banalizada?

sexta-feira, novembro 10, 2006

Palestra discute relação social em jogos e grupos virtuais

Por Nestor Burlamaqui

No próximo dia 19 de novembro, durante a abertura dos simpósios IHC, Webmedia e SBSC 2006, a antropóloga norte-americana Bonnie Nardi, da Universidade da Califórnia, apresentará a palestra “Liminoid play in World of Warcraft”, que trata da relação social dos usuários em jogos e grupos virtuais. Ela discutirá como as experiências em jogos que envolvem vários jogadores em ambiente virtual - como no popular “World of Warcraft” - são potenciais fontes de inovação social, já que esses tipos de jogos permitem que os usuários formem grupos com indivíduos desconhecidos, com o objetivo de concluir tarefas rápidas e vencer obstáculos que surgem durante o jogo.

Segundo ela, esse tipo de colaboração dentro do jogo reflete mudanças que acontecerão em breve no mundo do trabalho globalizado, onde as pessoas cada vez mais trabalharão virtualmente com colegas que mal conhecem. Bonnie Nardi também salientou que essa situação reduz efeitos que podem dificultar o relacionamento entre as pessoas, como preconceitos referentes à etnia, à cor da pele, ao sexo e à idade.

Bonnie Nardi é professora do Departamento de Informática da Universidade da Califórnia, em Irvine, Estados Unidos. Ela é uma antropóloga interessada no uso expressivo da Internet através do uso das mensages instantâneas, dos blogs e dos jogos. Também é co-editora do livro "Acting with Techonology: activity theory and interaction design", que desenvolveu com o professor Victor Kaptelinin.

Os simpósios acontecem de 19 a 22 de novembro, no hotel Praiamar Natal em Ponta Negra, e contarão com a participação de mais dois palestrantes internacionais além de mais três de renome nacional, que ainda serão confirmados. Para participar dos simpósios, as inscrições podem ser feitas até o dia 12 de novembro através do site www.dimap.ufrn.br/iws2006. Mais informações podem ser obtidas através do site do evento ou dos telefones (84) 3217-2124 ou 3215 3814, ramal 222.

domingo, novembro 05, 2006

Alunos de medicina atuam como médicos formados

Há algum tempo ouvi de alguns estudantes de medicina a informação de que alunos do curso estariam trabalhando em jornada de plantão em hospitais municipais do estado, como se fossem médicos formados. Na verdade, essa prática é comum no Rio Grande do Norte e alguns a defendem afirmando que os tais alunos estão nos últimos períodos do curso e que poderiam exercer a responsabilidade, além de alegarem falta de médicos no RN. Mas há o problema ético, pois os pacientes não sabem que os supostos médicos ainda são aprendizes ou estagiários.

Na minha opinião, se o problema não pode ser solucionado de forma rápida, que seja regulamentada essa ilicitude que existe hoje, de forma a torná-la legal e pública, para que os pacientes tomem conhecimento dessa realidade que prossegue no submundo do serviço público da saúde. Ou seja, o que não pode é ver os pacientes continuarem sendo enganados, pensando que estão sendo avaliados e medicados por médicos formados, quando na verdade estão servindo como componentes do aprendizado de um aluno de medicina.

Nossa equipe já está trabalhando nesse caso para a produção de uma reportagem mais apurada.

Não é no Brasil

Com base no sociólogo Mark Granovetter (1978), podemos dizer que o comportamento violento de indivíduos durante algumas manifestações pode ...