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segunda-feira, novembro 18, 2019

O mito da inteligência artificial

Ao ler "Origem", do Dan Brown, nos deparamos com a desenvoltura da conversa entre o personagem Robert Langdon e um programa de inteligência artificial chamado Winston. Essa conversa me fez lembrar dos meus 12 ou 13 anos, quando eu e meu irmão programamos uma simulação de conversa num computador para uma feira de ciências no colégio. O bate papo ocorria mais ou menos assim, enquanto o indivíduo respondia as perguntas digitando no teclado:

– Boa tarde. Qual o seu nome?
– Paulo.
– Prazer, Paulo. Meu nome é CP-500. Qual sua idade?
– 14
– Só 14 anos? Ainda é muito jovem! Aposto como gosta de video games. Gostaria de jogar um pouco?

E assim continuava a conversa. Nessa feira de ciências, alguns alunos e professores que experimentaram nosso projeto (por volta de 1992) tiveram a primeira experiência num chat virtual, conversando com uma máquina. Se, na época, a Internet ainda estava distante de nossa realidade, imagine os smartphones e o Whatsapp. No entanto, já era perfeitamente possível simular uma conversa ou uma consciência. Sim. Tudo não passa de uma simulação: cálculos e comparações que exibem mensagens e recebem informações do usuário para exibir mais mensagens, de forma a criar a sensação de estar conversando com uma pessoa de verdade.

Na obra de Dan Brown, Winston é um programa que fica preocupado, tem sentimentos de culpa e possui um bom senso de humor. Para leitores desavisados, parecerá que a humanidade está prestes a criar softwares com consciência própria. Não, não está. E, pelos meus cálculos, esse dia nunca chegará. Não importa a velocidade de processamento das máquinas, seu funcionamento básico continua o mesmo: um amontoado de zeros e uns sem nenhum espaço para emoções reais.

Cérebros positrônicos só existem na ficção de Issac Asimov e a consciência da Skynet nunca sairá do mundo do Exterminador do Futuro. Já a simulação de consciência… Essa sim é algo bem provável e que pode ser bem avançada. Basta que o programador consiga nos enganar.

terça-feira, maio 22, 2018

Tolkien, Aragorn e Salomão

The Anointing of Solomon (1630), de Cornelis de Vos.

É possível que a coroação de Aragorn — personagem de "O Senhor dos Anéis" — seja uma referência à unção de Salomão como rei de Israel? Entre o trecho bíblico e a obra de J. R. R. Tolkien, que era britânico, temos um hino composto por Handel e entoado nas coroações britânicas desde 1727.



"Zadok, the Priest, and Nathan, the Prophet, anointed Salomon King". Assim começa o hino de coroação, baseado no relato bíblico de Reis I, que relata duas pessoas ungindo Salomão. Será coincidência que quem coroa Aragorn não é apenas Gandalf, como visto no filme de Peter Jackson, mas também Frodo? "(...) gostaria que o Portador do Anel trouxesse a coroa até mim, e que Mithrandir a colocasse sobre minha cabeça (...).", disse Aragorn na ocasião.




Ao saber a respeito da aplicabilidade das funções de Rei, Sacerdote e Profeta aos personagens principais da obra — como bem nos lembra o padre Paulo Ricardo, grande estudioso de Tolkien —, é plausível relacionar Aragorn ao Rei Salomão; Gandalf (Mithrandir) ao profeta Natã; e Frodo ao sacerdote Zadoque.
Se isso teria sido proposital, não sei, mas é possível que, ao escrever o momento da coroação do personagem, o autor teria sido influenciado fortemente pelo hino de coroação de seu país ou até mesmo pela própria Bíblia, já que o mesmo era católico, tendo sido pupilo de um padre após o falecimento de sua mãe. Inclusive, um de seus filhos tornou-se padre.
Curiosidade: O hino "Zadok the Priest" também serviu de principal inspiração para o hino oficial da Champions League. Basta ouvir os dois para constatar a semelhança.

domingo, julho 24, 2016

Super-heróis abaitolados & semideuses ateus

Recentemente, assisti o filme They Live (1988), uma produção semelhante a Matrix (1999), trazendo um tema parecido com o de vários outros filmes que contestam a realidade do mundo. Isso fez-me pensar em como esses filmes estão alinhados com o que diziam nossos professores do ensino médio: "contestem a realidade, sejam críticos. A geração de vocês é muito conformada!", tentando encaixar-nos no estereótipo do jovem revolucionário segundo o qual todo jovem precisa contestar as normas da sociedade opressora e alienante. Engraçado é que podemos contestar tudo, menos o que o politicamente correto impõe.

Enquanto alguns filmes, famosos e aplaudidos, assumidamente, nos fazem questionar a realidade do mundo e as normas tradicionais de nossa civilização, como Meu passado me condena (1961), Sopro no Coração (1971), O Lenhador (2004), Brokeback Mountain(2005) e Tomboy (2011), outros fazem o mesmo de modo mais ou menos disfarçado, como a maioria dos filmes mais recentes de Hollywood, os quais incluem - aqui e acolá - algum elemento da agenda de um ou de outro movimento social ligado às minorias.

Devo a essa tendência recente de Hollywood a queda na qualidade dos lançamentos, refilmagens e reboots de filmes. Tenho a impressão de que uma das maiores preocupações dos atuais remakes é revisar os sucessos produzidos antes da moda do politicamente correto, adequando-os para a agenda das minorias [1].



Por exemplo, Clash of Titans (2010) apresenta um herói revoltado com os deuses, e que não perde a oportunidade de deixar isso bem claro. Diferente de sua versão de 1981, Perseu aceita os presentes de seu pai divino com grande dificuldade, para deixar claro que os homens podem se virar muito bem sem divindades, uma tentativa patética de agradar o público de ateus e humanistas "esclarecidos". Porém, o próprio é um semideus; e a narrativa não deixa de ser guiada pela influência divina - a despeito do Perseu irritante e reclamão - um indício de que os elementos humanistas tinham apenas intenção de aplacar a intolerância religiosa dos novos preconceituosos [2].

Não precisamos procurar muito por outros exemplos: em 2012, Tarantino fez a refilmagem de Django, o transformando num negro; em 2015, os protagonistas do novo Star Wars eram uma mulher e um negro; em 2016, tivemos um Ghostbusters feminista: mulheres, mochilas protônicas e fracasso de bilheteria. A preocupação dos produtores parece ser fazer um filme de acordo com as demandas de certos ativismos políticos, mais do que realizar uma obra de qualidade, talvez com medo da reação barulhenta - com riscos de sofrer processos - dos censores do politicamente correto, bastante autoritários nos últimos anos. Por exemplo, O Senhor dos Anéis e O Hobbit, obras que não preocuparam-se com isso, foram acusadas de serem racistas por não terem negros em sua narrativa. Também reclamaram muito o fato de que o Capitão América (Capitão América: Guerra Civil, 2016) não sentia desejos abaitolados pelo seu velho amigo; e que o cartaz de X-Men: Apocalypse (2016) fazia apologia a violência contra a mulher.

Infelizmente, nessa turma podemos incluir alguns desenhos animados direcionados para crianças, como podemos ver no surreal e frequentemente doentio Adventure Time ou na falsa inocência de Steven Universo, ambos contendo doses visíveis de homossexualismo (dentre outras coisas mais pesadas), transmitidos pelo canal Cartoon Network. Sim, a personagem Garnet de Steven Universe é uma fusão mágica de duas meninas lésbicas de idade aparente de 13 a 15 anos; e as personagens Marceline e a Princesa Jujuba do Adventure Time foram namoradas no passado, como revelou a dubladora Olivia Olsen. Obviamente, no caso dos desenhos animados, a coisa vai além da ideologia, chegando ao ponto da canalhice, pois tenta empurrar crenças e comportamentos do ativismo gay para crianças e adolescentes sem o consentimento de seus pais.

Embora muitas dessas mensagens - em desenhos e filmes - sejam perturbadoras, incômodas e contrárias à opinião da maioria das pessoas, elas dão lucro, pois seus produtores sabem que o que é chocante é lucrativo - tanto dentro da produção de notícias quanto na lógica mercadológica da mídia em geral: se é polêmico e chocante, chama a atenção e dá audiência. Isso é tão verdade que até a Fox, considerada direitista, sustenta produções como Family Guy e American Dad!, com um humor que critica as instituições tradicionais e ignoram tabus.

Ou seja, não é necessário criar fantasias a respeito de compromissos obscuros de donos de emissoras com uma agenda esquerdista, pois a simples busca desmedida pelo lucro favorece a disseminação das mensagens da New Left. Falo mais sobre isso no texto “O Brasil está mais fascista?”, na obra 20 Polêmicas Brasileiras (2015). 

Além disso, o suporte a essas mensagens ganha apoio quando relaciona-se a aceitação do estranho e do bizarro a um forte indício de esclarecimento, intelectualidade, compaixão e compreensão com a causa dos "excluídos" - as tais minorias. Nada como ser politicamente correto e compreensivo com o sofrimento dos excluídos da sociedade, mesmo quando isso implica ser injusto com os demais. Nada como compreender o sofrimento do protagonista pedófilo em O Lenhador; ou entender o drama de vida de assassinos e traficantes como em Cidade de Deus (2002) e Última Parada 174 (2008), ou como a mãe pode fazer tudo pelo seu filho em Sopro no Coração, inclusive sexo com ele. Igualmente, é muito bom sentir-se altamente esclarecido ao perceber uma analogia entre as ilusões da Matrix e a atual sociedade judaico-cristã burguesa. "Nossa! É a alienação do homem, prevista por Karl Marx!", diz o jovem, entusiasmado e útil, louco para demonstrar seu brilhantismo perante seu professor esquerdista e maconheiro. Se vai contra as normas do status quo, deve ser aplaudido.

Já está mais do que comprovado que as ideias possuem reflexos no mundo material devido a ações delas decorrentes. Mensagens do tipo que procura destruir normas de uma civilização provocam conflitos desnecessários em seu interior, a enfraquecendo de tal modo que não é de se duvidar que outra civilização mais forte a destrua, como podemos ver, recentemente, na Europa, na qual a leniência do multiculturalismo já começa a fomentar o terrorismo islâmico.

O que precisamos fazer é retirar - de mensagens desse tipo - a aura de intelectualidade e esclarecimento que as cercam, desmascarando publicamente a razão pela qual insistem em atribuir tal característica a elas: revolução cultural para a destruição dos valores ocidentais, em moldes semelhantes ao defendido por Antonio Gramsci. Um movimento de fortalecimento das normas tradicionais deve existir para que o efeito dessas mensagens negativas seja minimizado. 

Por sorte, ainda há esperanças, pois o Brasil ainda é um país essencialmente conservador.  A maioria do povão não sabe, nem quer saber do politicamente correto. O conservadorismo brasileiro é tão forte que atinge até mesmo boa parte daqueles que - da boca pra fora - defendem ideais liberais e progressistas. Um indício disso é o fenômeno conhecido como Esquerda Caviar. A maioria dos intelectuais, seus alunos e/ou seguidores apresenta discursos nos quais nem ela mesma acredita, mas - vendendo suas almas - os sustenta para ser aceita dentro do círculo dos “intelectuais esclarecidos”. Os defensores da liberação das drogas abrem uma exceção tão logo seus filhos desejem consumir cocaína. Nenhum dos proponentes da ideologia de gênero ou do kit-gay nas escolas torce para que seu filho seja homossexual. Onde está o orgulho gay nessas horas? Quando vimos os socialistas doando, de bom grado, a maior parte de seu salário para os mais pobres? Até onde vai o feminismo quando a própria filha resolve prostituir-se, “empoderando-se” de seu corpo?

____________
[1] Recomendo a leitura do texto Marxismo Cultural, de Linda Kimball.

[2] Os novos preconceituosos seriam aqueles que, sem cerimônias, proferem xingamentos contra quem não pensa de acordo com sua identidade política ou ideológica, geralmente atribuindo ao outro as alcunhas de intolerante, preconceituoso, fascista e retrógrado, muitas delas sendo bem mais adequadas para eles mesmos do que para os alvos. Isso nos lembra da orientação de Lênin para com os adversários políticos do comunismo: "Acuse os adversários do que você faz, chame-os do que você é”.

segunda-feira, fevereiro 02, 2009

Juventude transviada

Da série: Notícias que você não vai ver, mas...

Líder com seguidores homens-bomba

O governo israelense afirmou hoje que seus agentes conseguiram prender A. A. S, o líder secreto do Hamas, cujo nome não foi informado devido à sua idade. Dentre outros crimes, ele é considerado responsável pelo transporte de bombas de chocolate e balas doces para Gaza. O líder, que possui 8 anos, será julgado no próximo mês e, segundo especialistas, poderá pegar uma pena de cinco palmadas no bumbum e um cocorote na cabeça.

Fonte: ERRE Press

Qual o melhor comentário para essa notícia?

a) O líder tem 8 anos!? É por isso que morre tanta criança.
b) É mentira. O Hamas nunca faria isso com suas crianças.
c)
Palmadas e cocorote? Isso é uma vergonha! Crianças devem morrer pela causa!

quarta-feira, janeiro 21, 2009

Um problema interessante de lógica

Estava lendo o livro "Introdução à lógica" de César A. Mortari. Encontrei um exercício de lógica bem legal. Quem responder, ganha uma viagem para Disney:P

Há não muito tempo atrás, num país distante, havia um velho rei que tinha três filhas, inteligentíssimas e de indescritível beleza, chamadas Guilhermina, Genoveva e Griselda.

Sentindo-se perto de partir desta para melhor; e sem saber qual das filhas designar como sua sucessora, o velho rei resolveu submetê-las a um teste. A vencedora não apenas seria a nova soberana, como ainda receberia a senha da conta secreta do rei (num banco suíço), além de um fim de semana, com despesas pagas, na Disneylândia.

Chamando as filhas à sua presença, o rei mostrou-lhes cinco pares de brincos, idênticos em tudo com exceção das pedras neles engastadas: três eram de esmeralda, e dois de rubi. O rei vendou então os olhos das moças e, escolhendo ao acaso, colocou em cada uma delas um par de brincos.

O teste consistia no seguinte: aquela que pudesse dizer, sem sombra de dúvida, qual o tipo de pedra que havia em seus brincos herdaria o reino (e a conta na Suíça etc.).

A primeira que desejou tentar foi Guilhermina, de quem foi removida a venda dos olhos. Guilhermina examinou os brincos de suas irmãs, mas não foi capaz de dizer que tipo de pedra estava nos seus (e retirou-se, furiosa).

A segunda que desejou tentar foi Genoveva. Contudo, após examinar os brincos de Griselda, Genoveva se deu conta de que também não sabia determinar se seus brincos eram de esmeralda ou rubi e, da mesma furiosa forma que sua irmã, saiu batendo a porta.

Quanto a Griselda, antes mesmo que o rei lhe tirasse a venda dos olhos, anunciou corretamente, alto e bom som, o tipo de pedra de seus brincos, dizendo ainda o porquê de sua afirmação.

Que brincos tinha Griselda, de esmeralda ou de rubi?. Justifique sua resposta.
Não basta adivinhar a resposta. Também tem que escrever as razões que levaram Griselda a afirmar qual brinco estava usando. A resposta eu publico amanhã.

Não é no Brasil

Com base no sociólogo Mark Granovetter (1978), podemos dizer que o comportamento violento de indivíduos durante algumas manifestações pode ...