quarta-feira, janeiro 11, 2023

Não é no Brasil

Com base no sociólogo Mark Granovetter (1978), podemos dizer que o comportamento violento de indivíduos durante algumas manifestações pode ser explicado de acordo com a quantidade de outros indivíduos do grupo já engajados numa ação violenta.

Explico melhor com um exemplo: numa turba de revoltados em frente a uma empresa, a quebradeira começa quando o primeiro atirar a primeira pedra. Ao ver o mais revoltado jogando a pedra, aqueles 20 mais impacientes, mas nem tanto quanto o primeiro, unem-se a ele. E ao ver mais de 20 pessoas engajadas na ação de quebrar vidraças, outras 20 ou 30 também se unem e por aí vai. É como se as pessoas mais acanhadas criassem coragem ao ver muita gente participando da ação.

A tendência é aumentar até atingir um equilíbrio. Logo, há um momento em que a conformidade cessa, pois nem todos do protesto estão lá para destruir propriedade alheia e nem estão tão revoltados assim. Portanto, vamos supor que, de mil manifestantes, 150 mandaram ver nas janelas e nas portas de vidro da empresa hipotética.

Embora seja questionável se ações violentas gerem resultados favoráveis aos manifestantes (embora a finalidade de alguns seja a própria violência), é mais certo que essas ações possam ser usadas para manipular a opinião pública, generalizando de modo simplista e atribuindo a todos os mil a culpa pela violência de apenas 150.

Algumas pessoas utilizam essa estratégia da generalização dos inimigos por um motivo muito simples: funciona. Funcionou muito bem na Alemanha nas décadas de 1930 e 1940 e funciona até hoje no mundo inteiro em diversas ocasiões. Exemplo: existem países (aqui no Brasil não) nos quais as pessoas que se manifestam pacificamente pedindo democracia plena e liberdade de expressão são rotuladas como "criminosas", "genocidas" ou "terroristas" por políticos, jornalistas e até mesmo por alguns juízes, os quais simplesmente não gostam do lado político delas. É interessante como alguns conceitos mudam de significado conforme o ódio ao outro, embora isso crie a necessidade de uma nova classificação para, por exemplo, quem explode um ônibus cheio de inocentes e para quem sistematicamente planeja e executa a destruição de um povo.

Chegamos à conclusão de que, nesses países onde os direitos e liberdades individuais não são respeitados, não há nenhuma necessidade de que o comportamento descrito pelo modelo do Granovetter seja observado durante o início de uma violência num protesto. É tudo uma questão teatral. Basta que um pequeno grupo se faça ser confundido como integrante da multidão e que inicie a violência com o objetivo de jogar a culpa sobre os mil manifestantes legítimos e pacíficos. Mesmo que nenhum dos reais manifestantes una-se à turba violenta, talvez apenas esse mero ardil seja o suficiente para gerar aqueles vídeos e fotos acompanhados com aquelas manchetes marotas distorcendo a realidade.

Logo, não precisam de muito para começarem a perseguir adversários políticos, inclusive juridicamente, em nível nacional, com prisões, inquéritos e tudo o mais, a despeito do fato de que 90% desses adversários não tenham cometido nem uma infração de trânsito.

Ou seja, por causa de 150 baderneiros marotos e de uma manchetezinha esperta, milhões de pessoas começam a ser enquadradas como potenciais criminosas terroristas e stalinistas ("ou melhor, stalinistas não"); e passam a ser tratadas como tal, mais ou menos como no filme Minority Report, onde os cidadãos — por meio de um recurso capaz de ver o futuro — são presos antes de cometerem crimes. Eu disse "mais ou menos", pois, no filme, as pessoas presas eram possíveis criminosas de verdade. Já nesses outros países o crime não é bem um crime de verdade: é pensar diferente.

Assim, descobrimos que o papo de "manifestantes terroristas" é apenas uma desculpa, um rótulo forjado para justificar o autoritarismo seletivo, assim como ocorre em qualquer regime autoritário onde a democracia e nada é a mesma coisa. Quem mandou ter opinião própria, seu cidadão subversivo? “A felicidade é obrigatória. Não ser feliz é um ato de traição”, como nos lembra o jogo Paranoia, que nos leva a um mundo que mistura humor com distopia orwelliana.

Tenho certeza de que muitos de nós, quando deparamos com o horror do Holocausto pela primeira vez, perguntamos como é que a Alemanha deixou-se entrar naquela espiral de tirania, ódio, violência e ignorância. E, infelizmente, tenho certeza de que muitos que hoje fazem parte de uma espiral equivalente — de tirania, censura, generalizações, preconceitos, ódios e campos de concentração — também um dia se perguntaram como os alemães deixaram-se levar pelo comportamento irracional. É engraçado como eles mesmos são a resposta para o próprio questionamento, mas, não sei porquê, não dá muita vontade de rir.

Notamos, portanto, que nesses países antidemocráticos, o modelo de Granovetter parece descrever mais o comportamento violento (perseguições judiciais e midiáticas) que cresce a cada dia contra um tipo de pensamento político do que a quebradeira desencadeada por uma pedra atirada numa janela. O maior problema desse caso específico (que não ocorre no Brasil, claro que não) é que os danos desse tipo de perseguição irracional contra adversários políticos - que não respeita as leis mais básicas de um Estado Democrático de Direito, impondo censura a jornalistas e prisões arbitrárias até para crianças inocentes - são bem maiores para um país do que o prejuízo de umas janelas quebradas. Tomara que o Brasil nunca passe por isso.

segunda-feira, outubro 03, 2022

Eleições são marcadas por problemas nos votos para Bolsonaro

Um dia após as eleições desse domingo (02/10), vários vídeos com denúncias de problemas nos votos para o candidato Jair Bolsonaro (PL) viralizaram nas redes sociais, repetindo fatos ocorridos nas últimas eleições para presidente, em 2018. 

 “Fui votar, já estava votado ali. Não tem como votar”, disse um eleitor, filmando com seu pai em um colégio de Blumenau-SC. Em outro vídeo, um homem que se identificou como Alencar Macedo, de Pouso Alegre-MG, disse que, ao chegar sua vez de votar, seu voto já constava como tendo sido justificado. “Algo muito sério deve estar acontecendo. Como disse o presidente, existe corrupção na eleição”, concluiu ele. 

 “Falaram que o PT ia roubar e tá roubando mesmo, pois minha filha veio votar e já votaram pra ela”, falou outro senhor, sem identificar-se, gravando o vídeo da sessão eleitoral na presença de dois policiais e do mesário, que, ao ser perguntado quem votou no lugar de sua filha, recusou-se a responder. 

 Em meio a uma multidão e uma confusão, outro vídeo começa com murmúrios indefinidos, até que um senhor fala para um policial: “Ela votou pra deputado e confirmou. Votou pra senador e confirmou. Votou pra governador e confirmou. Quando chegou no presidente, foi sozinho (finalizou)”. 

 “Eu não posso votar, porque ‘foi votado’ alguém no meu lugar”, falou uma senhora usando uma camisa amarela. “O juiz eleitoral foi chamado e veio aqui apenas para me convencer a ficar calma(...) Você acha que isso tá certo? Eu não poder fazer com que eu possa exercer o meu direito?”

Outro vídeo foi feito por um eleitor não identificado na hora do voto. Nele aparece uma urna rotulada como sendo da cidade de Petrópolis, Zona 39, seção 311. O eleitor pressiona a tecla "confirma" várias vezes para confirmar o voto no candidato Jair Bolsonaro, mas sem sucesso. 

 Esses e outros vídeos foram postados no perfil do TSE no site Twitter, com alguns usuários questionando o tribunal sobre os ocorridos, mas até o momento o TSE não deu nenhuma resposta à população sobre as questões acima.

domingo, março 07, 2021

A inutilidade do toque de recolher

Para justificar o mais novo decreto que amplia o toque de recolher contra a população do Rio Grande do Norte, a governadora usa, basicamente, três argumentos: a) o aumento do número de óbitos de covid no estado; b) a taxa de ocupação de leitos críticos encontrar-se acima de 90%; e c) a recomendação das autoridades sanitárias para diminuir aglomerações e fluxo de pessoas em espaços coletivos.

Isso seria louvável se o primeiro argumento não fosse falso; se o segundo fosse novidade e se a tal recomendação das autoridades sanitárias fosse uma recomendação verdadeiramente científica.

Na verdade, pelo menos aqui no RN, a média móvel de óbitos pelo vírus chinês está caindo. Segundo dados do Portal da Transparência, no final de janeiro, essa média era de 9 óbitos por dia. Hoje, a média móvel é de 3. Então, por que a governadora usa uma informação exatamente oposta à realidade para impor controle à população?

Fora isso, é muito fácil encontrar notícias bem alarmantes sobre a falta de leitos nos hospitais do Rio Grande do Norte em anos anteriores à epidemia de covid. Notícia de 2012: "Leitos de UTI são insuficientes no RN". Notícia de 2017: "Sem leitos, maior emergência do RN improvisa UTI e cria 'fila da morte'".

Você lembra-se de algum lockdown para impedir que as pessoas ficassem doentes? Houve restrição da circulação para, por exemplo, coibir acidentes automobilísticos e reduzir o impacto disso nos hospitais? Alguma política nesse sentido? Não, pois naquele tempo, o governo federal não repassou, emergencialmente, quase um trilhão de reais para os estados combaterem os problemas da saúde pública, como fez no último ano. Muita gente ganhou e ainda ganha dinheiro com a epidemia. Só em 2020, o governo do Rio Grande do Norte recebeu 18,3 bilhões de reais, entre valores diretos e indiretos.

A recomendação das autoridades sanitárias em restringir a circulação de pessoas parecem seguir mais o dinheiro do que a Ciência. Não precisa ser um César Lattes para perceber que as medidas restritivas só pioraram a situação, pois os países que mais endureceram essas medidas testemunharam o aumento de suas taxas de óbito. Na verdade, a experiência no mundo real (a verdadeira Ciência) indica que o lockdown matou mais pessoas onde foi mais rígido.

Um exemplo próximo é o caso da Argentina. Muitos entusiastas de um forte controle aplaudiram o presidente argentino pela atitude, mas isso não durou muito tempo. Durante um período, a Argentina ultrapassou o Brasil na taxa de óbitos (por milhão), a despeito dos aplausos e daquele lockdown, considerado por muitos como sendo o mais rígido da América Latina.

Alguém poderia contra-argumentar, afirmando que hoje, porém, o Brasil voltou a passar da Argentina (atualmente no 29º lugar do ranking mundial), encontrando-se no 25º. É verdade, mas quem eleva o Brasil nesse campeonato da morte é o estado de São Paulo, cujo governador, a exemplo da Argentina, tem imposto políticas severas de controle populacional, mas com resultados contrários à suposta intenção. Caso fosse um país, São Paulo estaria em 18º no ranking mundial de mortes por milhão. Sem ele, o Brasil, que hoje está em 25º, cairia para o 35º lugar.

Outro caso que ficou conhecido foi o da Bélgica, cujo controle era tão intenso que foram usados até mesmo drones de vigilância para impedir a circulação de pessoas. Apesar disso, a Bélgica já esteve em primeiro lugar no ranking mundial da morte e, hoje, ainda figura entre os quatro primeiros. O autoritarismo não funcionou. Portanto, diante desses dados reais, o que podemos afirmar é que as medidas restritivas são inúteis na redução de óbitos, apesar da tentativa patética de muitas autoridades classificarem tais políticas como sendo científicas. A palavra "Ciência" é usada para tentar transformar atitudes autoritárias numa verdade inquestionável. Magicamente, você também transforma-se num fascista genocida caso ouse questionar com base na realidade. Porém, sabemos que o questionamento é a natureza mais básica da Ciência, agora transformado num tipo de pecado. E agora? Quem são os verdadeiros negacionistas?

O que, de fato, salva vidas é o fortalecimento da saúde das pessoas. Atitudes simples e baratas: boa alimentação, luz solar, consumo de vitaminas e suplementos alimentares, práticas de exercícios físicos ao ar livre e tratamento preventivo e precoce, com cuidado especial aos mais vulneráveis.

A Índia, por exemplo, no lugar de adotar a ânsia mundial por vacinas, distribui para a população kits de tratamento precoce com hidroxicloroquina e ivermectina, ao custo de menos de 3 dólares por pessoa. Resultado: com uma população quatro vezes maior que a dos Estados Unidos, a Índia possui menos da metade das mortes relacionadas ao coronavírus, comprovando assim a eficácia do tratamento precoce à base desses medicamentos. Hoje, a Índia está no 117º lugar do ranking de óbitos por milhão, 99 posições abaixo do desastroso desempenho do estado de São Paulo. Em quem o rótulo de genocida adequa-se mais?

terça-feira, julho 07, 2020

Polícia Federal investigará jornalista que torce "para que Bolsonaro morra", disse Mendonça

O ministro da justiça André Mendonça informou hoje (07/07) que o artigo "Por que torço para que Bolsonaro morra", publicado hoje na Folha de S. Paulo, será alvo de inquérito da Polícia Federal por violação da Lei de Segurança Nacional.

Publicada no perfil do Twitter de Mendonça, a nota começa citando princípios básicos do Estado de Direito e lembra que as liberdades de expressão e imprensa são direitos fundamentais, mas que são limitados pela lei.

"Quem defende a democracia deve repudiar o artigo", escreveu o ministro, que justificou o inquérito com base num trecho da lei que define como crime "caluniar ou difamar o Presidente da República", imputando-lhe fato definido como crime ou ofensivo à reputação.

Escrito por Héio Schwartsman, o texto diz que o presidente "prestaria na morte o serviço que foi incapaz de ofertar em vida". O artigo pega carona na notícia de que o presidente Jair Bolsonaro estava com sintomas do vírus chinês (covid-19). Hoje, o presidente confirmou que testou positivo para o vírus e disse também que está sendo medicado com hidroxicloroquina e se sente bem.


quarta-feira, julho 01, 2020

"Cabe a nós a possibilidade do veto", diz Bolsonaro sobre o PL da Censura.

Em conversa com apoiadores, o presidente Jair Bolsonaro disse hoje (01/07) que, mesmo que a Câmara aprove a PL 2630/2020 (apelidado de Projeto da Censura), cabe à Presidência da República a possibilidade de vetá-lo. Bolsonaro ressaltou que o projeto passou no Senado com uma pequena diferença de votos e acredita que esse projeto "não vai vingar".

"Eu falei com um senador que votou favorável. Ele falou que, como estava na virtual, ele se equivocou", disse o presidente. Segundo ele, outros senadores podem ter se equivocado no voto pelo fato de estarem numa votação realizada virtualmente. "Ninguém mais do que eu é criticado na internet e nunca reclamei. No meu Facebook, quando o cara faz baixaria, eu bloqueio. Direito meu", finalizou Bolsonaro.

Ontem, com um placar de 44 votos a favor e 32 contra, o Senado aprovou o PL da Censura, que pretende estabelecer um maior controle, incluindo mais punições, sobre opiniões publicadas nas mídias sociais, como as plataformas Twitter e Facebook.

Agora, o projeto deve passar por nova votação na Câmara dos Deputados. Se for aprovado, será enviado à Presidência da República. Assim, Bolsonaro terá 15 dias para sancioná-lo ou vetá-lo. O veto do presidente pode ser derrubado, mas é necessário votos da maioria absoluta de deputados e senadores.

Segundo os críticos do projeto, a legislação brasileira já trata de qualquer crime contra a honra feito por meio da internet; e afirmam ainda que esse projeto é apenas uma forma que alguns políticos encontraram para censurar e punir críticas vindas do povo brasileiro.

segunda-feira, junho 29, 2020

No Twitter, 89% confirmam popularidade de Bolsonaro nas redes sociais

Uma disputa virtual contra e a favor do presidente Jair Bolsonaro, ocorrida ontem (28/06) no Twitter, mostrou que 89,4% das manifestações foram favoráveis ao presidente. O dado confirma um índice de popularidade digital, divulgado em fevereiro, que aponta Bolsonaro como terceiro chefe de governo mais popular do mundo.

O confronto de hashtags teve início com um ato antibolsonarista chamado "Stop Bolsonaro", o qual, segundo o site oficial do movimento, teria ocorrido em mais de 20 países, com atos presenciais e virtuais. Usando a tag #StopBolsonaroMundial, o movimento foi respondido pelos apoiadores do presidente com a #GoBolsonaroMundial. O placar foi o seguinte:

 Contra Bolsonaro              Apoio a Bolsonaro
            70 mil                                         596 mil

Os dados foram retirados do site trends24.in no momento em que as tags saíram da lista de tópicos mais relevantes. Segundo o índice de popularidade digital, elaborado pela consultoria Quaest a pedido do jornal O Estado de S. Paulo, Bolsonaro perde em popularidade apenas para Narendra Modi, premiêr indiano, e para o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

domingo, junho 28, 2020

Mesmo com Covid, RN presencia menos mortes por doenças respiratórias

No Rio Grande do Norte, apesar da epidemia do coronavírus, o ano de 2020 está presenciando 133 óbitos a menos por doenças respiratórias, ao comparar com o ano passado.

Os dados são do Portal da Transparência e referem-se ao período de 01/01 até 28/06, conforme a tabela abaixo.

ANO       Nº de óbitos
2019       7543
2020       7410

Os dados levantam um questionamento: se, em 2019 a situação estava mais crítica, por que só em 2020 as autoridades públicas parecem preocupadas com quantidade de respiradores e ocupação de leitos de UTI?

quinta-feira, junho 25, 2020

Pesquisa mostra que o Brasil é contra o PL da censura

Imagem criada pelos opositores do projeto de lei 2630/2020

Uma consulta pública realizada pelo Senado mostra que a maioria (54,3%) dos brasileiros é contra o Projeto de Lei 2630/2020, o qual pode ser votado ainda hoje. Apelidado de "Projeto da Censura", o texto impõe um maior controle do Estado sobre a liberdade de expressão nas mídias sociais, como o Facebook, WhatsApp e Twitter.


Imagem retirada da consulta pública da plataforma e-Cidadania, do Senado Federal, cujo resultado mostra mais de 54% dos votos contra o projeto de lei nº 2630 de 2020.

Segundo o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, a votação está confirmada para hoje (25/06). "Será um dia histórico", disse ele, durante sessão da última terça-feira. Para muitos críticos do projeto de lei, a fala de Alcolumbre vai contra a vontade popular ao sugerir que a lei seria um avanço para o país.

No dia 19/06, o site do Senado chegou a informar um dado bem diferente: 84% dos brasileiros seriam favoráveis à criação de uma lei que controla as mídias sociais. Porém, essa informação vai contra a consulta pública, mais recente, realizada pela plataforma e-Cidadania, do próprio Senado. A consulta ainda está aberta para receber votos da população no link: https://www12.senado.leg.br/ecidadania/visualizacaomateria?id=141944 .

terça-feira, abril 07, 2020

A maior mentira do mundo

No inverno de 2016-2017, mais de 20 mil pessoas morreram de gripe comum, em apenas em 11 semanas, na Itália. No mesmo período, coisa pior ocorreu em Portugal, onde morreram mais de 4.500 pessoas, também de gripe comum. Na época, a imprensa considerou esses números aceitáveis, apesar de 4.500 ser muita gente. Saiba que Portugal possui apenas 10 milhões de habitantes. Proporcionalmente, é como se tivessem morrido mais de  94 mil pessoas no Brasil, de gripe comum, só em 3 meses.

Pergunto: alguém se importou com os portugueses ou com os italianos? Fecharam países, escolas e confinaram as populações em casa por causa disso? São apenas algumas perguntas. É importante perguntar, pois agora, em 2020, em quase 10 semanas, morreram 17 mil de covid-19 na Itália; e o mundo se acaba. Na verdade, a histeria global já tinha começado antes de a Itália apresentar 3 mil mortes por covid, em 7 semanas.


Entendeu? Por que não houve histeria global quando a gripe comum matou mais de 20 mil pessoas na Itália, em 11 semanas, mas agora houve essa histeria com menos mortes? Medo seletivo? Como um vírus bem menos mortal que uma gripe comum pode provocar uma reação desequilibrada do mundo inteiro?

Talvez você considere que 17 mil também é um número muito elevado. E talvez a cobertura da imprensa tenha feito você pensar que uma terrível tragédia inusitada atingiu a Itália, mas, além de o número ainda ser inferior ao de uma gripe normal, tudo indica que a veracidade da contagem de mortes na Itália é duvidosa.

Segundo reportagem do The Telegraph, Why have so many coronavirus patients died in Italy?, publicada em 23 de março, Walter Ricciardi, o conselheiro científico do ministro da saúde da Itália, afirmou que apenas 12% das mortes divulgadas podem ser consideradas, com certeza, como causadas pelo covid-19.
“A maneira pela qual codificamos as mortes em nosso país é muito generosa, no sentido de que todas as pessoas que morrem em hospitais com o coronavírus são consideradas mortas pelo coronavírus."
“Na reavaliação do Instituto Nacional de Saúde, apenas 12% dos atestados de óbito mostraram causalidade direta por coronavírus, enquanto 88% dos pacientes que morreram têm pelo menos uma pré-morbidade - muitos tiveram duas ou três" ele disse.
É como alguém morrer de derrame e atribuírem a morte a uma gripe só pelo fato de detectarem o vírus da Influenza no organismo. Ou seja, as 17.000 mortes na Itália por covid, na verdade, seriam cerca de 2.000 mortes:


Erros desse tipo estão fazendo o número de mortes ficar muito acima da realidade, demonstrando ou uma grande falta de caráter ou um amadorismo extremo, e também fazendo outros cometerem erros do mesmo tipo. Por exemplo, quem usa os números distorcidos da Itália costuma prever cenários catastróficos no Brasil, que chegam a milhões de mortos. Uma dessas pessoas foi o Átila Iamarino, um youtuber e microbiologista, que, depois de um tempo, admitiu que estava errado nos números absurdos que havia defendido.

Além disso, também é um erro comum pensar que doenças comportam-se da mesma forma em países com características distintas. E é de admirar que pessoas que se dizem microbiologistas não considerem isso em suas previsões apocalípticas. Doenças respiratórias matam muito mais na Europa, com população mais idosa e clima frio, do que em países tropicais. Como exemplo, vamos comparar a França com a Malásia:


Comparando as taxas de mortalidade, podemos dizer que, no mesmo período de tempo, o covid matou 80 vezes mais na França do que na Malásia. Será que a população mais jovem da Malásia e seu clima tropical teve algo a ver com isso?

Há fortes indícios de que, no Brasil, especialmente no estado de São Paulo, também estão contando de forma semelhante à Itália. Um médico que preferiu não se identificar afirmou que um decreto do João Dória, governador de São Paulo, pode destruir as estatísticas:
"Isso destrói as estatísticas usadas para políticas de gestão em saúde. Os falecimentos por infarto, derrame, aneurisma etc. serão classificados como causa indeterminada ou Covid-19."

A prática da contagem de mortes por achismo, sem as devidas autópsias, parece ser a mesma em outros estados brasileiros. A primeira morte registrada no estado de Goiás era de uma senhora com vários problemas de saúde. A causa da morte foi o vírus? É só uma pergunta.


A imprensa não ajuda muito, divulgando casos não confirmados como se o fossem, provavelmente para ganhar mais cliques, visualizações e mais dinheiro de publicidade. Ou seriam casos confirmados pelo achismo? Ninguém mais morre de outras causas. Um exemplo é o falecimento de um desenhista que estava internado por causa de uma doença grave antes de falecer. Quem lê o título da matéria pensa que o indivíduo morreu por causa do vírus. Lendo o texto, vemos que ele estava internado por causa de uma leucemia.


Outro caso que ficou famoso foi o de um borracheiro que morreu num acidente de trabalho, mas em seu atestado de óbito constava pneumonia por covid-19. Por que estão fazendo isso?



O problema é que tudo indica que esses erros não foram corrigidos e ninguém parece preocupado em auditar quem realmente morreu pelo vírus chinês. E, mesmo com números de mortes inflados, os números brasileiros estão muito abaixo dos europeus e até os números europeus não parecem alarmantes se considerarmos a quantidade de óbitos desse ano em comparação com os anteriores. Sim, o covid-19 não foi sequer capaz de aumentar as mortes na Europa, comparando com o mesmo período de anos anteriores:


O gráfico acima é triste. Nele vemos as mortes ocorridas nos países europeus (por qualquer causa), por semana do ano, desde o fim de 2016 até hoje. Percebemos, pela linha verde, que o registro de mortes do inverno desse ano está muito abaixo dos registros dos anos anteriores, especialmente do ano de 2017, quando não houve histeria global nenhuma.

Logo, está claro que tudo isso é uma grande fraude e que muitos estão acreditando na maior mentira do mundo. Os médicos que ousam mostrar a verdade científica, refutando qualquer alarmismo e qualquer necessidade de quarentena total, são taxados como mentirosos e, às vezes, censurados ao vivo, como o Anthony Wong, durante uma entrevista na CNN.


É possível ouvir uma voz feminina sussurrando "corta" enquanto ele fala, por volta de 1 minuto e 10 segundos do vídeo. Após alguns segundos, a entrevista é interrompida pela jornalista Monalisa Perrone sob a desculpa de que o entrevistado não a estava ouvindo. Ninguém acreditou. O episódio é emblemático da situação em que estamos vivendo. Não trata-se de um grave problema de saúde, mas sim de um imenso problema de caráter que desmascara uma intenção política de controle:



Dessa forma, se ignorarmos o teatro apocalíptico e totalitário promovido pela OMS (Organização Mundial de Saúde) e transmitido 24h pela grande mídia de massa, e se considerarmos apenas os dados do mundo real (e não de modelos matemáticos irrealistas), estamos diante de um cenário que não justifica nenhum tipo de medida de quarentena total – ou qualquer tipo de quarentena na imensa maioria das cidades brasileiras, as quais não possuem nenhum caso da doença.

O pior disso tudo é que o mundo inteiro está morrendo de medo de uma doença que pode ser curada, nos poucos que podem ficar em estado grave, com medicamentos baratos, já conhecidos há muitos anos pela comunidade médica: Hidroxicloroquina + Azitromicina.

domingo, fevereiro 23, 2020

Machismo, assédio ou calúnia?


Em 16 de fevereiro, antes do jogo entre Atlético-MG e Caldense no Mineirão, o mascote do Atlético-MG, o Galo Doido, pegou na mão da jogadora Vitória Calhau e pediu que ela desse uma “voltinha" para a torcida. Ela consentiu. Então, o Galo voltou-se para a torcida e esfregou as mãos, aprovando com entusiasmo o corpo da jogadora.

Logo depois disso, a loucura começou. "Machismo! Assédio!”, gritavam alguns na internet, assim como todos os jornalistas televisivos que eu vi comentarem sobre o caso. A mais exaltada foi a jornalista Márcia Dantas, apresentadora do Primeiro Impacto (SBT), que pediu uma punição extra, além da demissão do rapaz que já tinha sido providenciada pelo clube.



Mas, há um problema aí: será que o Galo Doido cometeu assédio sexual, como os jornalistas disseram? Vejamos. Segundo o Código Penal brasileiro, o assédio sexual ocorre quando uma pessoa constrange outra pessoa com o intuito de obter vantagem ou favorecimento sexual, prevalecendo-se da sua condição de superior hierárquico ou ascendência inerentes ao exercício de emprego, cargo ou função.

Diante disso, o mascote praticou assédio? Não, nem a pau, mas nem de longe. Dar uma “voltinha” numa mulher para admirar seu corpo é algo bem longe de coagir e ameaçá-la profissionalmente em troca de favores sexuais. A atitude é considerada grosseira em vários círculos sociais, mas falta de respeito não é crime de assédio.

Uma estratégia perigosa
O perigo está no exagero em relação ao que realmente ocorreu. Recorda-nos da história do menino que fingia estar sendo atacado por uma onça, no intuito de fazer uma brincadeira com seus amigos. Ele fez isso tantas vezes que, quando a onça um dia apareceu de verdade ninguém acreditou, ninguém foi ajudá-lo e ele acabou morto. A imprensa e o resto da turminha esquerdista exagera há muito tempo a respeito de casos desse tipo. Alguns atores de Hollywood, como o Keanu Reeves, não encostam nas fãs ao posar para fotos, temendo serem falsamente processados judicialmente por assédio sexual.

O ator Keanu Reeves exibindo as mãos abertas, para não dar margem à processos judiciais de assédio sexual.


O mais engraçado é que grande parte da mídia elogia essa atitude, confundindo o medo de ser processado com o engajamento feminista de respeito ao corpo das mulheres. Será que as fãs realmente gostam de tirar fotos com um ídolo que desconfia delas a todo instante?

Outro exemplo recente ocorreu contra o ator e humorista Jim Carrey. A entrevistadora perguntou se ainda faltava ele conquistar algo de sua "lista de desejos". Ele respondeu: “Apenas você”; e ela caiu na gargalhada. Afinal, ele é um humorista. Porém, foi o suficiente para ser acusado de assédio por muitos.


Transformou-se em estratégia da esquerda usar termos incompatíveis com a realidade no intuito de demonizar o adversário político. Por exemplo, a palavra “homofobia”, na verdade, designa uma condição psicológica de pessoas que sentem “pavor de estar próximo a homossexuais – e no caso dos próprios homossexuais, auto-aversão”. Porém, atualmente, isso perdeu o sentido ao ser utilizada banalmente por razões políticas. Por exemplo, discordar de cotas para homossexuais em concursos públicos é motivo suficiente para ser considerado “homofóbico”, assim como dizer que prefere que seus filhos não sejam gays. Como eu disse, o verdadeiro problema foi banalizado. O mesmo ocorre com os termos “fascismo” e "nazismo", que são usados totalmente fora da realidade. As verdadeiras vítimas do fascismo e do nazismo saem perdendo, pois seus sofrimentos estão sendo usados irresponsavelmente por razões políticas.

Brincadeiras chatas
Voltando ao caso do mascote, podemos dizer que a brincadeira que ele fez com a jogadora seria grosseria em determinados ambientes, mas sabemos que é bastante comum no mundo midiático e bem previsível por parte de animadores de torcida e de auditório, como já o fez diversas vezes o apresentador Silvio Santos. Helen Ganzarolli que o diga.



Os participantes de programas de entretenimento já esperam alguma piada ou uma cantada inconveniente, sejam homens ou mulheres, por parte dos apresentadores, como também já fez inúmeras vezes o apresentador Luciano Huck, embora ele recentemente tenha usado de falso moralismo para acusar uma fala do Presidente da República sobre uma jornalista.



Os mascotes de times são apenas um tipo de Silvio Santos do esporte. Esse comportamento é chato? Muitos alvos das piadinhas e brincadeiras acham que sim, como a própria Vitória Calhau, mas nem todos. Vários entram na brincadeira, pois reconhecem que ali, no show business, o objetivo é entreter quem assiste: a torcida, a platéia, o público. Quem não gosta, melhor nem participar. Um exemplo muito bom disso é a diferença de atitude entre as cantoras Cláudia Leite e Ivete Sangalo diante do Silvio Santos, durante o Teleton.



Enquanto a primeira assustou-se e detestou ouvir as piadinhas do apresentador sobre seu vestido curto, a segunda deu em cima, descaradamente, do Silvio Santos, que nem precisou fazer comentários sobre a beleza da cantora, pois ela já estava animando a torcida, a platéia, o público, no lugar dele. Ivete sabia o que importava ali: ter muita audiência e doações para ajudar as crianças. A outra só estava preocupada em ser respeitada publicamente como uma cantora "empoderada" e não como uma mulher-objeto, embora ela mesma tivesse dado em cima, publicamente, de um dos participantes do programa The Voice Brasil, o qual era casado. A hipocrisia entre essa gente “empoderada" parece ser algo inerente.


O interessante é que, enquanto muita gente acusou Silvio Santos de ter assediado Cláudia Leite, ninguém acusou Ivete Sangalo de ter assediado Silvio Santos. Pense nisso. Mas, uma coisa é não gostar das brincadeiras e piadinhas “machistas" de apresentadores ou animadores de torcida. Outra coisa é a histeria coletiva de acusar falsamente os outros de ter cometido um crime. É esse o nível em que chegamos.

Em meio a essa e outras histórias de acusações levianas de assédio, o que poucos se lembram é que a atitude de parte da imprensa vai além da propaganda política feminista. Ela está cometendo um crime contra a honra, tipificado no Código Penal como calúnia, que é o ato de imputar falsamente a alguém um fato definido como crime. O mascote, no máximo, fez uma brincadeira chata, como era de se esperar de palhaços animadores de torcida e foi escarnecido pela “opinião pública". Já a mídia praticou calúnia e está tudo bem.

Falsas acusações de crime são tratadas com mais seriedade nos Estados Unidos, como percebeu a jornalista Patrícia Lelis. Diagnosticada com mitomania, ela já havia feito falsas acusações de estupro e de ter sido ameaçada, respectivamente, pelos deputados Marco Feliciano e Eduardo Bolsonaro. No Brasil, isso não deu em nada, além de uma grande dor de cabeça para os alvos de suas mentiras. Já nos Estados Unidos, ela foi presa justamente.

Em suma, diante do escarcéu que boa parte da imprensa fez contra o mascote, o homem fantasiado de Galo Doido, assim como todos os outros que já sofreram esse tipo de acusação, poderiam processar todas as pessoas que o acusaram publicamente de ter cometido assédio sexual. E, na minha opinião, ganhariam fácil. Não levar casos desse tipo para a justiça é o mesmo que um inocente ser acusado por um bandido e ainda ser obrigado a pedir desculpas ao bandido. É o mesmo que o poste mijar no cachorro e o fogo apagar a água.

segunda-feira, novembro 18, 2019

O mito da inteligência artificial

Ao ler "Origem", do Dan Brown, nos deparamos com a desenvoltura da conversa entre o personagem Robert Langdon e um programa de inteligência artificial chamado Winston. Essa conversa me fez lembrar dos meus 12 ou 13 anos, quando eu e meu irmão programamos uma simulação de conversa num computador para uma feira de ciências no colégio. O bate papo ocorria mais ou menos assim, enquanto o indivíduo respondia as perguntas digitando no teclado:

– Boa tarde. Qual o seu nome?
– Paulo.
– Prazer, Paulo. Meu nome é CP-500. Qual sua idade?
– 14
– Só 14 anos? Ainda é muito jovem! Aposto como gosta de video games. Gostaria de jogar um pouco?

E assim continuava a conversa. Nessa feira de ciências, alguns alunos e professores que experimentaram nosso projeto (por volta de 1992) tiveram a primeira experiência num chat virtual, conversando com uma máquina. Se, na época, a Internet ainda estava distante de nossa realidade, imagine os smartphones e o Whatsapp. No entanto, já era perfeitamente possível simular uma conversa ou uma consciência. Sim. Tudo não passa de uma simulação: cálculos e comparações que exibem mensagens e recebem informações do usuário para exibir mais mensagens, de forma a criar a sensação de estar conversando com uma pessoa de verdade.

Na obra de Dan Brown, Winston é um programa que fica preocupado, tem sentimentos de culpa e possui um bom senso de humor. Para leitores desavisados, parecerá que a humanidade está prestes a criar softwares com consciência própria. Não, não está. E, pelos meus cálculos, esse dia nunca chegará. Não importa a velocidade de processamento das máquinas, seu funcionamento básico continua o mesmo: um amontoado de zeros e uns sem nenhum espaço para emoções reais.

Cérebros positrônicos só existem na ficção de Issac Asimov e a consciência da Skynet nunca sairá do mundo do Exterminador do Futuro. Já a simulação de consciência… Essa sim é algo bem provável e que pode ser bem avançada. Basta que o programador consiga nos enganar.

sábado, outubro 13, 2018

A onda de violência

No último dia 12 de outubro, o jornal "O Globo" publicou um editorial que insiste na narrativa patética da “onda de violência” que estaria atingindo o Brasil. O tom do editorial tenta culpar, obviamente, os eleitores do Bolsonaro, ao afirmar que “o núcleo de estudos FGV-DAPP mapeou mais de seis milhões de postagens durante a campanha eleitoral e contabilizou, entre outras, 1,8 milhão de manifestações de discriminação aos nordestinos; 1,4 milhão de apoio ao nazifascismo; 1 milhão contra mulheres; 1 milhão contra minorias LGBT e outro milhão contra evangélicos, comunistas e negros."

Já era previsível que a Globo tentasse jogar o Nordeste contra Bolsonaro (apesar de o mesmo ter agradecido muito os votos da região) e tentasse dizer que todo eleitor do candidato é nazista, fascista, racista e homofóbico — muito embora seja "um pouco" difícil de acreditar que o Ronaldinho Gaúcho seja racista, que o Clube Hebraica (judeus) seja nazista e que o Augustin Fernandez, gay assumido, e maquiador de celebridades, seja homofóbico e defensor de regimes totalitários. Afinal, a emissora não quer perder o esquema que lhe garante 80% das verbas de publicidade governamental. "Ele não!”

O que decepcionou-me, em relação à emissora, foi usar factoides frágeis para sustentar essa narrativa da “onda de violência ultraconservadora e fascista”. A Globo poderiam fazer melhor, de forma que realmente nos enganasse, pois ninguém mais acredita, por exemplo, na história da mulher que teria sido agredida por “bolsonaristas” e marcada com uma suástica (ela nem soube desenhar a suástica direito, pois a inverteu). E há um vídeo no qual o assassino do capoeirista nega que ele seja eleitor do Bolsonaro e que a motivação tenha sido política, embora a Globo continue, insistentemente, divulgando isso como verdade. O desespero é óbvio.

Por outro lado, as lideranças do PT e de outros partidos de esquerda sempre apoiaram regimes ditatoriais em Cuba, na Venezuela e na Nicarágua, por exemplo. Sempre incitaram a violência e a morte contra seus opositores políticos. Sim, eles sempre alimentaram o ódio e nunca se arrependeram disso. Nem antes, nem agora. Existem diversos registros em vídeo nos quais eles falam em “matar conservadores”, em “derramamento de sangue”, em “pegar em armas para matar fascistas”. Seguindo as orientações desses líderes, os militantes cospem, xingam e agridem violentamente apoiadores do Bolsonaro pelo fato de esses usarem uma camisa e/ou uma bandeira do Brasil. Recentemente, o candidato Boulos (PSOL) incitou uma multidão a invadir a casa do Bolsonaro. Nem a Globo tem coragem de dizer que isso é “fake news”.

Para ver o nível de amor e compreensão das alas militantes esquerdistas, diante de uma pessoa que se prontifica a argumentar usando a lógica, a partir de fatos, basta ver alguns dos vídeos do Arthur do Val, do canal "Mamãe Falei". São inúmeras ocasiões de agressão física e verbal contra ele, vindo de pessoas que não suportam argumentações. Para eles, o melhor argumento é um soco. Onde estariam as agressões em vídeo de “bolsonaristas” contra esquerdistas?

Tanto para a Globo quanto para o PT, a população precisa esquecer que o próprio Bolsonaro quase foi morto, vítima da verdadeira onda de violência política, a qual sempre veio e continua vindo da esquerda (o agressor era filiado ao PSOL). Eles querem virar o jogo. Agora, é o Bolsonaro quem precisa ser colocado como a causa de uma “onda de ódio nazifascista”, embora todo mundo saiba que ela só existe no mundo fantástico do Projac e nas propagandas eleitorais do Haddad. Portanto, até o momento, esse intuito foi feito de forma medíocre (se muito), pois ainda falta muito para que a população acredite nisso. É mais fácil que as pessoas acreditem no coelhinho da Páscoa, que Lula é inocente ou que os abortistas Manuela d’Ávila e Haddad são, na verdade, católicos devotos. Afinal, como convencer a população de que tais "fake news", mesmo se fossem verdade, merecem mais atenção do que o medo cotidiano de ser assaltado, sequestrado, de morrer num latrocínio ou por uma bala perdida? Essa sim é a onda de violência que preocupa os brasileiros há anos.

terça-feira, outubro 09, 2018

As urnas sagradas

No último dia 07 de outubro, o Ministro da Segurança Raul Jungmann equiparou “denunciar fraudes nas urnas eletrônicas" com "fraudar o processo eleitoral", sugerindo, de forma preconceituosa, que essas denúncias são todas mentirosas e, portanto, passíveis de punição. Essa declaração, juntamente com pronunciamentos de outras autoridades, tenta nos convencer de que as urnas eletrônicas estariam envoltas numa aura sagrada que as torna infalíveis e imunes a críticas.

Porém, as urnas eletrônicas, que também são usadas na Venezuela para pôr uma máscara fajuta de democracia no rosto fascista do Maduro, estão muito longe de serem sagradas. As denúncias estão em vídeo, para quem quiser ver. Existem inúmeras reportagens, feitas por jornalistas competentes, que expõem a fragilidade desse tipo de máquina. Peritos, como o professor Diego Aranha (UNB), já esclareceram isso diversas vezes. No entanto, nos últimos dias, uma parte da imprensa insiste em ignorar esse fato, negando-o de forma patética ao utilizar o rótulo, já cansativo, de “fake news”. 

Escancarados ao vivo pelo candidato Jair Bolsonaro, nas fuças dos apresentadores do Jornal Nacional, os valores recebidos de publicidade governamental pela Rede Globo – que chegaram a cerca de 6,2 bilhões durante o governo petista (2003-2014) – já são de conhecimento público. Quem sabe somar dois mais dois, desconfia, compreensivelmente, que de “fake” essas denúncias não tenham nada.

Em um país democrático, o ideal seria que as instituições e seus representantes aceitassem denúncias desse tipo como o que elas realmente são: uma tentativa de manter a democracia, uma forma de reduzir a quantidade de fraudes e garantir que o sufrágio universal seja realizado com lisura. Sim, os cidadãos brasileiros – ao denunciar e reclamar de fraudes – estão contribuindo para com a democracia e não o contrário, como o Sr. Jungmann sugeriu. Existem cidadãos de má fé? Sim, e para isso existe uma coisa chamada investigação. Quando um ministro supõe que essas denúncias são tentativas de causar balbúrdia e descrédito do processo eleitoral, ele está sendo precipitado, fazendo qualquer um levantar suspeitas desagradáveis, questionando se há, de fato, democracia no Brasil.

Embora a Globo, por meio do site G1, tenha classificado a denúncia feita por Flávio Bolsonaro (PSL) como sendo um vídeo falso, essa tentativa mostrou-se infrutífera diante da própria realidade observada no vídeo, que de falso não tinha nada. Nessa e em outras tentativas absurdas de distorcer fatos óbvios, ocultando a verdade, não só é ferida a credibilidade da imprensa, como também a própria democracia, pois o papel social da mídia, de observadora e questionadora das instituições, é desviado, adquirindo mais uma função de relações públicas (ou de capanga) do poder público. É a famosa imprensa chapa-branca.

Algumas denúncias já foram comprovadas, nas quais as urnas estavam realmente adulteradas ou fraudadas, como afirmou o Delegado Francischini que, juntamente com a própria Justiça Eleitoral, realizou tal constatação. Não há como negar. Diversas urnas não aceitavam os votos para presidente da república quando os eleitores votavam no Jair Bolsonaro, de modo que não soube-se de problemas envolvendo votos para os demais candidatos. Seria mera coincidência que o prejudicado dessas "questões técnicas" seja apenas um dos candidatos?

É sabido que sempre ocorreram fraudes nas eleições brasileiras (em todo o mundo, na verdade), pois, como admitiu a própria presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a Ministra Rosa Weber, "sempre onde está o ser humano, há a possibilidade de fraude". Por ter dito isso, teria a ministra incorrido em tentativa de desacreditar o processo eleitoral? Não. Ela apenas foi sensata. “Fraudes podem existir e as denúncias serão apuradas" é uma afirmação bem mais sensata do que “Esses que estão denunciando estão tentando acabar com a democracia”.

Portanto, é contraproducente manter o tipo de discurso feito pelo Raul Jungmann diante de um problema real que está exposto à luz do dia e das câmeras, pois a credibilidade de certos setores do poder público decai na mesma medida em que cresce o medo de o Brasil estar se transformando numa versão de ditadura socialista venezuelana, onde os pleitos democráticos fajutos, auxiliados por urnas eletrônicas, não enganam mais ninguém.

Afinal, a óbvia resistência do TSE em relação à adoção do voto impresso – apontado por peritos como sendo uma forma de reduzir a possibilidade de fraude – é, sem dúvidas, bem pior para a credibilidade do processo eleitoral do que os vídeos e denúncias dos eleitores a respeito de suspeitas de fraude, denuncias essas que apenas clamam pela justiça e pela manutenção da democracia.

terça-feira, maio 22, 2018

Tolkien, Aragorn e Salomão

The Anointing of Solomon (1630), de Cornelis de Vos.

É possível que a coroação de Aragorn — personagem de "O Senhor dos Anéis" — seja uma referência à unção de Salomão como rei de Israel? Entre o trecho bíblico e a obra de J. R. R. Tolkien, que era britânico, temos um hino composto por Handel e entoado nas coroações britânicas desde 1727.



"Zadok, the Priest, and Nathan, the Prophet, anointed Salomon King". Assim começa o hino de coroação, baseado no relato bíblico de Reis I, que relata duas pessoas ungindo Salomão. Será coincidência que quem coroa Aragorn não é apenas Gandalf, como visto no filme de Peter Jackson, mas também Frodo? "(...) gostaria que o Portador do Anel trouxesse a coroa até mim, e que Mithrandir a colocasse sobre minha cabeça (...).", disse Aragorn na ocasião.




Ao saber a respeito da aplicabilidade das funções de Rei, Sacerdote e Profeta aos personagens principais da obra — como bem nos lembra o padre Paulo Ricardo, grande estudioso de Tolkien —, é plausível relacionar Aragorn ao Rei Salomão; Gandalf (Mithrandir) ao profeta Natã; e Frodo ao sacerdote Zadoque.
Se isso teria sido proposital, não sei, mas é possível que, ao escrever o momento da coroação do personagem, o autor teria sido influenciado fortemente pelo hino de coroação de seu país ou até mesmo pela própria Bíblia, já que o mesmo era católico, tendo sido pupilo de um padre após o falecimento de sua mãe. Inclusive, um de seus filhos tornou-se padre.
Curiosidade: O hino "Zadok the Priest" também serviu de principal inspiração para o hino oficial da Champions League. Basta ouvir os dois para constatar a semelhança.

sábado, abril 21, 2018

Ciência e desespero, o espírito do tempo

Caso seus sonhos e expectativas tenham descido pelo esgoto, isso já seria muito ruim, mas não há nada que piore seu humor do que um clima geral de pessimismo e desespero provocado por uma cosmovisão de mundo catastrófica. Não é à toa que hoje muitos estejam deprimidos, neuróticos e desesperados. Deprimidos por não haver esperança, neuróticos para encontrar a felicidade, desesperados em busca do prazer, antes da morte de seu corpo e sua alma.

Nos últimos anos, o que vemos por aí é uma exaltação do mundo científico, no qual a existência de Deus é minimizada, questionada e vista como um delírio da humanidade (como diria Richard Dawkins). Todos seríamos filhos do mero acaso quântico, nascidos sem qualquer propósito, num ponto azul e pálido no meio de um universo infinito, hostil e sem vida; estamos à mercê de um asteróide que pode nos extinguir a qualquer momento; somos apenas o vice-treco do sub-troço, como diria o filósofo Mário Cortella. Esqueça que o ser humano foi criado à semelhança de Deus. Você não é ninguém; quase nada.



Nossa consciência e nossa alma não passam de um amontoado de reações químicas no órgão cerebral, desenvolvido ao acaso durante nossa jornada evolutiva de milhões de anos na Terra. Não passamos de animais, um que teve um pouco mais de azar por ter alcançado um nível de consciência alto o bastante para ver o quanto estamos condenados.

Por fim, muito provavelmente, dentro de três ou quatro séculos, desapareceremos da Terra, aquecida de forma insuportável pelas temperaturas altíssimas do irrefreável aquecimento global provocado pela ação humana.

O mundo não tem sentido, mas não me culpe. Estou apenas repetindo o que a maioria do mundo científico divulga nas mídias, com a ajuda da indústria cinematográfica e de entretenimento (sitcoms, desenhos animados e video games); assim como nos telejornais e sites diversos.

Em meio a essas crenças da atualidade não resta muito espaço para a esperança. Alguns tentam encaixar Deus em meio a essa cosmovisão, afirmando que as recentes descobertas científicas apenas confirmariam a glória divina, pois a existência improvável de uma criatura como como o ser humano, num universo infinito e regido pelo caos, sugerem a existência de uma inteligência criadora. De fato, essa é uma posição confortável e até equilibrada, mas que esquece uma coisa: muitas das descobertas, modelos, teorias e hipóteses que permeiam o mundo científico podem estar equivocados. Obviamente, isso seria resolvido apenas mantendo as descobertas científicas num segundo ou terceiro plano de credibilidade, sem elevá-las ao status de verdades, mas não é isso o que ocorre.

É engraçado que justamente entre os cientistas, os quais deveriam saber que a ciência não produz dogmas, muitos se apeguem a modelos e crenças não comprovados. Por exemplo, muitos hoje têm fé na teoria do Big Bang, embora ela seja apenas uma teoria que, a qualquer instante, pode ser refutada. Acredito que mesmo quando alguém consegue conciliar teorias científicas aterradoras com uma cosmovisão religiosa, esse alguém está imerso em dúvidas e, invariavelmente — especialmente quando a fé não é suficiente — pode cair em pensamentos de desespero e horror.

Esse espírito desolador da atualidade pode ser visto na literatura. Por exemplo, boa parte dos escritores de terror mais influentes (Poe, Shelley e Lovecraft) surgiu numa época em que os antigos paradigmas religiosos e místicos começaram a ser corroídos pelo avanço de descobertas no mundo científico. Por exemplo, nas obras de de H. P. Lovecraft (1890-1937), seus personagens enlouquecem ao descobrirem a existência de seres alienígenas tão poderosos que consideram a humanidade da mesma forma como consideramos uma formiga. A humanidade não será dominada como parte de um plano dos marcianos, mas sim por mero acaso, talvez até sem que nossos aniquiladores o percebam.

Lovecraft era ateu e, ao adotar as teorias de Darwin e Einstein também como base de alguns de seus contos, enxerga um universo sem sentido capaz de causar horror e loucura diante de um mero vislumbre além da ilusão confortável de previsibilidade na qual a maioria dos humanos repousa.

Segundo o consenso científico, a verdade é essa e não podemos questionar. "O universo não tem obrigação de fazer sentido para você", como disse o astrofísico popstar Neil deGrasse Tyson. Basta a você aceitar.

O esquecimento do Tyson a respeito da verdadeira natureza da Ciência (a qual não admite verdades absolutas) é propo$ital. Sim, escrito com um cifrão. Boa parte da mensagem desesperadora que grande parte do mundo científico grita a todo instante serve principalmente para manter cargos, bolsas de pesquisa, equipamentos e prédios de alta tecnologia, como nos lembra o jornalista Tom Bethel. A teoria da relatividade, o heliocentrismo e o darwinismo dão dinheiro pra muita gente.

A moderna relação entre a negação de Deus e o mundo acadêmico criou uma conexão direta e esdrúxula entre ateísmo e esclarecimento intelectual, quando na verdade sabemos que crer peremptoriamente na veracidade de modelos científicos é tão dogmático quanto crer em verdades religiosas. No entanto, os religiosos são mais sensatos no sentido de serem dogmáticos apenas em sua área de atuação: a fé. Alguns acadêmicos são dogmáticos onde isso não cabe: nas universidades.

Diante disso, percebemos que muita gente está lucrando em cima do desespero que aterroriza o mundo, criando ilusões e incertezas na mente dos indivíduos, levando boa parte da sociedade a alimentar medos de coisas que podem ser tão absurdas quanto o bicho papão.

quarta-feira, novembro 08, 2017

Machismo é o verdadeiro problema da violência?

"Brasil tem 12 assassinatos de mulheres e 135 estupros por dia, mostra balanço”, diz matéria da Folha de S. Paulo [1] de 30/10/2017. O problema é sério, mas o jornalista esqueceu de colocar a quantidade de homens que morrem por dia: 156. Ou seja, segundo dados da mesma fonte [2] (Fórum Brasileiro de Segurança Pública), morrem 13 vezes mais homens do que mulheres por homicídio no Brasil. 

Alguém pode falar que a maioria dos culpados pelas mortes das mulheres pertence ao sexo masculino. No entanto, fazer isso é demonizar o homem, generalizando como se todos eles fossem assassinos e como se todas as mulheres fossem vítimas, quando sabemos que isso é uma falácia. Além disso, em outros países, esses números seriam inimagináveis, como é o caso dos Estados Unidos. Percebemos, então, que o problema está no comportamento do brasileiro como um todo e não no sexo do indivíduo.

Notícias com esse enquadramento nos fazem esquecer duas coisas: a) a natureza do problema e, consequentemente, b) qual a causa do problema.

Primeiramente, o problema da violência é de todos e não só das mulheres. Enquanto o jornalismo tentar jogar mulher contra homem, negro contra branco e pobre contra rico, continuaremos andando para trás, fazendo campanhas para reduzir a violência masculina e chamando todos os brasileiros honestos de machistas violentos.

Enquanto isso, os verdadeiros culpados não estão nem aí. As quadrilhas de bandidos que fomentam o narcotráfico continuarão aumentando a horda de viciados em seus produtos e ampliando suas práticas criminosas (assaltos, homicídios e latrocínios) para garantir esse mercado. Os usuários invariavelmente acabam entrando no mundo do crime e cometem crimes, incluindo homicídios, para aplacar dívidas causadas pelo vício [3].

A cultura das periferias (favelas e presídios) carioca e paulista — de onde nasceram as quadrilhas mais influentes, já espalha-se pelo Brasil, sendo um indício do aumento de sua influência não apenas na venda de drogas ilícitas, mas também no comportamento das pessoas, as quais cada vez mais adotam valores (ou a falta deles) inerentes ao que chamo de ralé moral brasileira.

Os indivíduos da ralé moral brasileira observam as mulheres como meros objetos sexuais (como é bem visível nas letras de certas músicas do funk carioca e nas danças), têm a ostentação material como objetivo maior na vida e tendem a usar da violência física no lugar de recorrer aos mecanismos sociais — como o auto-controle e a cortesia — que a civilização ocidental criou para reduzir drasticamente a quantidade de homicídios no mundo, conforme relatado por Steven Pinker na obra "Os Anjos Bons da Nossa Natureza: Por que a violência diminuiu".

Em outras palavras, a influência crescente do narcotráfico aumenta não somente comportamentos considerados machistas — tanto entre homens como entre mulheres — como também o número de assassinatos, latrocínios, roubos e assaltos. Nesse sentido, tentar culpar todos os homens pela violência no Brasil ou é uma grande ignorância de nossa realidade ou apenas uma grande falta de caráter.


_______

[1] Veja a matéria no link: http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2017/10/1931609-brasil-registrou-135-estupros-e-12-assassinatos-de-mulheres-por-dia-em-2016.shtml

[2] Veja o infográfico no link: http://www.forumseguranca.org.br/wp-content/uploads/2017/10/infografico2017-vs8-FINAL-.pdf

[3] Segundo a socióloga Alba Zaluar, a linha que divide traficantes de usuários é bastante tênue e muitas vezes os usuários escalam sua participação em organizações criminosas.

sábado, outubro 28, 2017

Cientistas brasileiros debatem o formato da Terra



O professor de Física da UFRGS, Fernando Lang, promove uma palestra intitulada “Sobre a forma da Terra”, que está sendo apresentada em diversos eventos científicos pelo Brasil. Só em outubro, a palestra foi apresentada em Porto Porto Alegre (19/10), Brasília (23/10) e Natal (25/10). Dedicada ao público acadêmico, as palestras são motivadas por um debate inusitado que tomou conta das mídias sociais a respeito do formato do planeta: a Terra seria uma esfera ou um mundo plano?

No site do Facebook, a página americana da Sociedade da Terra Plana (The Flat Earth Society) possui mais de 100 mil seguidores do mundo inteiro. Aqui no Brasil, a página “A Terra é plana” já possui 79 mil seguidores.

Disposto a combater as crescentes alegações de que a Terra seria plana, o professor é ativo em discussões na internet. Para Lang, o modelo de uma Terra plana é anacrônico e esdrúxulo, uma concepção que têm origem em interpretações literais de passagens bíblicas. “Atualmente, a internet, conforme notou Humberto Eco, deu voz aos idiotas da aldeia. Teorias negacionistas e conspiracionistas proliferam nas redes sociais. Terra Plana é apenas uma das tantas imbecilidades.”, destacou.

Num artigo intitulado “Sobre a forma da Terra”, Lang descreve algumas peculiaridades do pensamento terra-planista (termo que designa os adeptos da Terra plana): a Lua possuiria iluminação própria, o Sol estaria há poucos milhares de quilômetros da superfície terrestre, as viagens espaciais seriam impossíveis, o homem não foi à Lua; e até mesmo a existência dos satélites de comunicações é negada. Segundo Lang, o responsável pelo retorno dessa concepção foi o inventor britânico Samuel Rowbotham (1816-1884), que escreveu uma obra intitulada “Astronomia Zetética: a Terra não é um globo”. Muitas das ideias desse autor são adotados hoje pelos terra-planistas.

O OUTRO LADO
“A Terra possui todas as evidências de que é plana”, afirmou o doutor em geofísica e ex-professor da Universidade de São Paulo, Afonso de Vasconcelos Lopes. Num vídeo publicado na internet, ele reconhece ser o primeiro geofísico a admitir essa visão do mundo, embora ele ainda esteja estudando a “nova” concepção.

Para ele, a hegemonia da crença no modelo da Terra esférica ocorreu devido à propagação de um erro sobre a natureza de nosso mundo. Um engano inicial teria desencadeado outros erros; e o consenso entre cientistas e a grande mídia propagou-os até os dias de hoje. Portanto, segundo Afonso, não seria necessária uma “super conspiração” internacional para enganar o mundo inteiro, como acredita uma boa parcela dos terra-planistas.

Ele também destaca a falta de liberdade dentro do mundo acadêmico em questionar as teorias científicas mais aceitas. De fato, quando anunciou suas ideias na internet, o geofísico foi “bombardeado” por críticas e xingamentos. “Isso não é uma discussão de criancinhas”, enfatizou, revelando que também demorou a questionar o modelo vigente. “Eu também fiquei muito nervoso quando um amigo contou-me sobre o modelo da Terra plana, pois eu tinha como certa a ideia da Terra como um globo”, disse ele.

O geofísico mantém um canal no YouTube onde também questiona outras teorias amplamente aceitas dentro da comunidade científica, como a teoria da relatividade e o darwinismo.

O MODELO DA TERRA PLANA



Para os terra-planistas, a Terra seria estacionária, ou seja, ela não giraria em torno de si, nem em torno do Sol. Os adeptos dessa crença apontam para a estranheza no fato de a humanidade observar as mesmas estrelas no céu há milhares de anos, apesar de nosso planeta estar teoricamente vagando pelo universo a uma velocidade de mais de 870.000 km/h.

Se a Terra não é um globo, ela não teria polos. Ou seja, o que conhecemos como sendo o Polo Norte seria a região central do mundo; e a Antártida não é um continente no Polo Sul, mas sim a região gelada que cerca todo o mundo conhecido. Os terra-planistas alegam que uma das evidências disso seria a inexistência de vôos comerciais que sobrevoam o “suposto continente antártico” no sentido Norte-Sul. Para eles, o Tratado da Antártida (1959) impede que pessoas não autorizadas explorem a região e descubram que não vivemos num globo.

O Sol seria um pequeno luminar que circula sobre a superfície da Terra há apenas alguns milhares de quilômetros. Quando ele se distancia de uma região, ele ficaria tão longe que anoiteceria. Dessa forma, não existiria pôr do sol atrás da curvatura do planeta, como costuma-se pensar.

Os críticos desse modelo afirmam que ele é impossível, pois, se vivêssemos num mundo plano, o Sol e a Lua sempre poderiam ser vistos de qualquer lugar do mundo e em qualquer hora; mas não é só isso. Eles já apresentaram diversas contestações desde que essa teoria ressurgiu com mais força na internet, por volta de 2015. O prof. Fernando Lang, por exemplo, mantém um site na página virtual do Instituto de Física da UFRGS, com vários textos que objetivam refutar o modelo da Terra Plana.

TEORIAS DA CONSPIRAÇÃO
Uma foto da Terra tirada do espaço seria uma prova cabal do verdadeiro formato do planeta, mas — para muitos terra-planistas — a Nasa e as demais agências espaciais estão fora da lista de fontes confiáveis, pois demonstram inconsistências em suas informações, além de estarem comprometidas em enganar a população. Um dos fatos mais suspeitos seria que a Nasa afirma não mais possuir a tecnologia usada para ir à Lua entre 1969 e 1972.

Durante uma entrevista, o astronauta Donald Pettit afirmou que a Nasa destruiu essa tecnologia, de modo que hoje eles não conseguiriam repetir a viagem até a Lua. Além disso, em 2006, a Nasa informou ter perdido as 700 caixas da gravação original feita pelos astronautas da missão Apolo 11, da chegada à Lua. Os céticos afirmam que somente com a gravação original seria possível analisar as imagens em alta resolução e constatar a veracidade da viagem.

Essas suspeitas alimentam teorias da conspiração, nas quais os governos, juntamente com as agências espaciais, estariam enganando a população para ocultar a realidade a respeito da verdadeira natureza do mundo.

GLOBALISTAS VERSUS TERRA-PLANISTAS
Existem várias comunidades virtuais dedicadas ao tema. Enquanto algumas defendem que a Terra é plana, outras reagem, defendendo que ela é um globo (estes são chamados de globalistas). Por exemplo, no Youtube, destacamos dois canais que reúnem milhares de seguidores: o canal Sem Hipocrisia e o canal Sistemático. O primeiro é terra-planista e, em alguns de seus vídeos, apresenta experimentos tentando verificar se é possível detectar a curvatura da Terra, já que ela seria esférica. O segundo dedica-se a refutar os argumentos levantados pelo canal terra-planista, alimentando a polêmica e atraindo cada vez mais curiosos. Ambos os lados alegam adotar o método científico.

Tanto no Brasil quanto no exterior, os experimentos realizados pelos terra-planistas geralmente são feitos no mar, nos quais os responsáveis demonstram poder avistar formações geográficas e cidades que, segundo eles, não deveriam ser vistas caso a Terra fosse esférica, devido à grande distância entre esses locais e o observador. Enquanto os terra-planistas afirmam que seus experimentos não encontraram a suposta curvatura, os globalistas reavaliam os resultados, afirmando que a curvatura foi encontrada. Entre acusações de desonestidade intelectual e fanatismo religioso, a discussão entre os dois grupos segue acirrada.

CAINDO NO ABISMO
“Se a Terra é plana, por que você não vai até a suposta borda terrestre e se joga no abismo?”. Essa é uma das principais provocações feitas contra os terra-planistas nos debates pela internet. Porém, para os crentes no mundo plano, essa missão suicida seria impossível. Segundo eles, quando navega-se no sentido Leste-Oeste, o viajante está apenas circulando o centro da Terra, visto que o Norte magnético é o centro do mundo.

Um explorador que viajasse no sentido Norte-Sul depararia-se com a Antártida. Indo além dessa região, alguns terra-planistas acreditam que existiriam novas terras inexploradas. Outros acreditam que o explorador seria impedido de ir adiante por uma barreira de vidro fundido, o domo que envolve a Terra. Em outras palavras, não haveria um abismo de onde alguém poderia despencar.

A crença num domo gigantesco que envolve o mundo vem do conceito bíblico de “firmamento”, que seria uma estrutura rígida e intransponível que separa a atmosfera terrestre das águas que estariam acima, conforme descrito em Gênesis. Desse modo, o espaço sideral seria, na verdade, composto por água e não pelo vazio. O firmamento seria a estrutura protetora que impede que essas águas inundem a Terra.

No “Manual politicamente incorreto da ciência”, o ensaísta americano Tom Bethell denuncia o mito segundo o qual, durante a Idade Média, a maioria dos cristãos acreditava que a Terra era plana. Ele atribui essa crença a pensadores americanos do século XIX, como John William Draper e Andrew Dickson White. Segundo Bethell, foi deles a ideia de que a Igreja Católica seria inimiga do conhecimento e difundia a crença na qual navegadores que se afastassem demais da Europa cairiam nos abismos da borda da Terra. Bethel demonstra que, embora a viagem de Cristóvão Colombo tivesse sofrido algumas objeções, nenhuma delas foi relacionada à esfericidade da Terra.

Na obra, Bethell aponta vários mitos amplamente aceitos dentro e fora do mundo científico. Como exemplos, têmos a questão do aquecimento global como causa da ação humana; o darwinismo como uma verdade plena; a esperança nas energias ecológicas (solar e eólica); e a crença na epidemia alarmante da Aids no continente africano. Segundo o autor, muitos desses mitos são mantidos essencialmente devido a interesses financeiros de grande parte da comunidade científica. “Esse objetivo financeiro se traduz em obter mais verba para suas pesquisas, que se materializa em bolsas de pesquisas para eles e seus acólitos, e rios de dinheiro para seus equipamentos e edifícios”, escreveu ele.

quarta-feira, março 22, 2017

Ciência de verdade ou fé nos cientistas?


No final de um documentário, o físico Stephen Hawking afirmou que a origem do universo pode ser explicada sem a necessidade de um criador e que, por consequência, poderíamos dizer que não existe vida após a morte. Eu admirava o Hawking, mais pela imagem de genialidade que nos é transmitida pela TV, mas depois dessa conclusão ilógica, tive uma decepção, mas foi bom, pois eu pude ver o quanto de fé está impregnada no atual mundo científico.


Após o advento iluminista, os cientistas começaram a adquirir o status de novos sacerdotes. Se antes o que a Igreja dizia era considerado a verdade, hoje, cada vez mais pessoas simplesmente acreditam no que os cientistas dizem, até mesmo em homenzinhos do espaço [1], sem fazer questionamentos. Se antes as verdades eram imutáveis (dogmas religiosos), hoje, algumas crenças com base na ciência alteram-se de uma década para a outra, às vezes num ritmo até mais rápido, como podemos constatar perante descobertas nutricionais. Ovo faz mal? Colesterol faz bem? E o glúten? Vivemos em tempos de "verdades" líquidas, tomando aqui emprestado um termo do Bauman. E, mesmo perante tanta confusão e desmentidos, continuamos tendo plena fé neles.

A alteração das atuais crenças em pouco tempo é previsível, pois a ciência não produz dogmas, e seus métodos rigorosos podem destruir teorias consideradas verdadeiras pelos mais descuidados, a qualquer momento. Em outras palavras, é muita ingenuidade vestir de santidade uma descoberta científica que, em sua própria essência, é frágil demais para ser elevada ao nível de uma crença. No entanto, muita gente tem fé em muito do que a ciência afirma, sem saber das inúmeras trapalhadas, enganos e fraudes que são bem mais comuns do que imaginamos nesse meio, como apresentado na obra “Penso, logo me engano: breve história do besteirol científico”, de Jean-Pierre Lentin.

Dentro do darwinismo, temos exemplos como o embuste do Homem de Piltdown e o caso de fraude, em 2005, a respeito dos famosos Neanderthais [2]. Segundo Lentin, existiram outros problemas na história da busca por fósseis de ancestrais primatas dos humanos, uma caçada que teve seus primórdios em meados do século XIX. “O Ramapiteco, achado na Índia em 1934, é por muito tempo considerado um autentico elo pré-humano — até o início dos anos 80. Hoje em dia, prefere-se pensar que se trata de um ancestral do orangotango. O Sivapiteco, descoberto nos contrafortes do Himalaia, conhece o mesmo esplendor e decadência, pior ainda, pergunta-se hoje se o Sivapiteco é mesmo uma espécie. Ele é bem menor que o Ramapiteco e é frequente encontrar-se os restos de uma e outra espécie a pouca distância. E se fossem simplesmente machos e fêmeas? Quanto ao Gigantopiteco, encontrado no Sul da China, oferecia, com seu grande tamanho, um ancestral mais prestigioso que os demais. Mas não, é apenas um macaco grande, cuja linhagem se extinguiu (…).”, escreveu Lentin.

Hoje, temos nossa suposta ancestral mais célebre, “Lucy”, um conjunto de fósseis de ossos que seriam de um Australopithecus afarensis, e que assemelha-se bastante a um chimpanzé, de modo que nada impede que ela também sejam apenas membro de uma espécie extinta de macacos, sem parentesco com os humanos. Alguns criacionistas citam o caso de Ötzi, o "homem do gelo” que teria vivido há mais de cinco mil anos, como também sendo um engano, mas eu ainda não encontrei uma fonte confiável que indicasse isso.

Além disso, apesar de tantos fósseis e ossadas encontrados pelos cientistas, não há uma prova concreta de que a teoria da evolução se aplique aos seres humanos. É difícil de acreditar, não? Mas, dentro do método científico, é verdade, pois ainda não foi encontrado o elo perdido da suposta cadeia evolutiva, de modo que o próprio rigor do método deixa o darwinismo no nível de mera teoria em relação às origens da humanidade. Afinal, é estranho como conseguiram encontrar nossos supostos ancestrais mais antigos, mas não encontraram o mais recente.

A oposição criacionista à teoria da evolução é pregada nos colégios como sendo uma atitude patética, digna de fundamentalistas religiosos negadores do pensamento racional. Porém, o que percebi é que essa oposição não é feita apenas usando as Escrituras. Alguns criacionistas são sensatos e apresentam evidências e contestações bastante plausíveis ao que a maioria de nós foi condicionada a adotar como verdade plena e santificada. Existem cientistas de verdade — os quais são geralmente deixados de lado — que têm grandes razões para desconfiar de coisas como teoria da relatividade, darwinismo ou que a Terra teria 4,5 bilhões de anos. Não seria o caso de descartar tais teorias, mas sim de adotar uma maior cautela e não assumí-las como dogmas.

Por exemplo, esses cientistas mais cautelosos contestam os resultados da datação de rochas e fósseis, afirmando que os métodos utilizados chegaram a indicar a idade de fósseis de alguns mamíferos atuais como tendo vivido no mesmo tempo dos dinossauros, há mais de 65 milhões de anos, o que seria impossível segundo as teorias mais aceitas. Eles demonstram a falibilidade também do método de datação da idade da Terra, como podemos ver de modo simples numa série de vídeos do geofísico brasileiro Afonso de Vasconcelos Lopes [3]. A argumentação do geofísico não é baseada em fé religiosa, mas sim em artigos científicos de revistas bastantes conceituadas, como a Science e a Nature.

Existe até mesmo a suspeita de que alguns dinossauros co-existiram com os seres humanos, como podemos ver em artigos científicos [4], com descobertas sugerindo que eles teriam vivido numa época muito mais recente do que se imaginavam. Esses trabalhos relatam a existência de tecido mole (vestígios de proteínas, hemoglobina e colágeno) em fósseis de dinossauros, indicando que as amostras eram novas demais, e gerando a suposição autêntica de que os dinossauros — ao menos os das amostras — teriam vivido há uns poucos milhares de anos.

Um dos pesquisadores, o Mark Armitage, foi demitido pouco depois de ter publicado seu trabalho sobre o achado de tecidos moles num Triceratops, sob a alegação de que a religião dele não seria tolerada dentro do departamento de biologia da universidade. Como, desde que entrou na universidade, ele sempre declarou-se cristão (inclusive na entrevista de admissão), supõe-se que a demissão foi causada pelo fato de ele ter feito ciência de verdade e publicado seu trabalho.

A ineficácia dos métodos de datação e alguns indícios de que seres jurássicos teriam vivido há uns quatro ou cinco mil anos fazem algumas pessoas desconfiar legitimamente da idade de 4,5 bilhões de anos da Terra. Da mesma forma, não seria o caso de dizer que ela teria apenas seis mil anos, como dizem alguns criacionistas, mas sim de deixar essa questão em aberto para novas pesquisas.

No entanto, o que ocorre é o contrário. Boa parte dos cientistas apenas nega quaisquer evidências desse tipo, pois num modelo de Terra jovem não caberiam as evoluções/transformações de seres simples em espécies complexas dentro de tão pouco tempo. Os ateus, maiores devotos da fé cega nos dogmas da ciência, são os que mais sentem-se ameaçados. No entanto, questionar as teorias mais aceitas não implica em defender que a Bíblia ou os criacionistas estejam plenamente corretos sobre o mundo físico.

Mesmo assim, debates desse tipo são carregados de paixão, como numa briga de torcidas. Caso alguém comece a questionar o darwinismo ou a Teoria da Relatividade, mais do que um debate imparcial e ponderado, é mais fácil vermos medo, xingamentos e tentativas de ridicularização. Dessa forma, sem pretender fazer generalizações, podemos dizer que o dito mundo científico é mais um espaço religioso do que um lugar de produção de conhecimento em busca da verdade objetiva. Afinal, assim como em vários ambientes humanos, é um lugar onde o poder está em jogo.

Como ex-acadêmico de comunicação e sociologia, eu já conhecia a intolerância dentro das "ciências" humanas e enxergava o meio social das ciências da natureza como sendo bem mais imparcial, mas vejo agora o quanto eu estava equivocado. Se, nas humanas, Marx, Bourdieu e a Escola de Frankfurt compõem o panteão divino, nas ciências naturais ninguém pode tocar em Newton, Darwin ou Einstein.

A maioria das pessoas são preguiçosas e não gostam de reconsiderar suas visões de mundo (e muitas vezes nem precisam), mas os cientistas deveriam estar sempre abertos, já que a própria ciência não admite verdades absolutas e imutáveis. A curiosidade deveria ser uma das maiores virtudes de um homem da ciência, bem mais do que simples fé em teorias sobre coisas que só existem no mundo da imaginação e da matemática, como é o caso da Lei da Gravitação Universal e sua filha, a Teoria da Relatividade.

No entanto, as evidências estão aí e precisam ser verificadas, de modo que os atuais paradigmas e modelos de várias teorias e hipóteses sejam revistos, abandonados ou confirmados, dentro dos mesmos parâmetros rigorosos da ciência, claro. Por exemplo, há diversas evidências genuínas de que o modelo de uma Terra esférica (seja uma esfera perfeita, como nas belas fotos da Nasa [5], seja em forma de geoide, como dizem uns, ou em forma de pêra (?!), como falou o astrofísico popstar Neil deGrasse Tyson) apresenta inconsistências interessantes.

Se a Flat Earth Society não está plenamente correta sobre suas alegações a respeito de uma mundo plano, esse grupo e seus seguidores nos deram valorosas contribuições para contestar/corrigir o modelo atual, as quais devem ser verificadas seriamente, sem as paixões de um crente. Por exemplo, existem trajetos de voos comerciais que parecem ter mais sentido num mapa de uma terra plana do que num mapa do globo; são apresentadas inconsistências nos cálculos do atual modelo astronômico em relação à distância do Sol, à órbita dos planetas e à circunferência da Terra; além da desconfiança legítima de que algumas fotos da Nasa teriam sido manipuladas (comparando-se fotos da Terra tiradas do espaço em 1972 e em 2012, veremos que o continente americano aparece aproximadamente três vezes maior na foto de 2012).

Mapa da Terra plana: O Polo Norte estaria ao centro do mundo e o Polo Sul não existe. Segundo os adeptos da Terra plana, a Antártida na verdade é o gelo que cerca nosso mundo por todos os lados. O fato de não existirem voos por sobre a Antártida alimenta a crença entre os membros desse grupo.

Embora muitos físicos afirmem que a curvatura da Terra só possa ser vista de uma altitude muito elevada, o horizonte sempre permanece perfeitamente plano, mesmo em altitudes acima de 100 km (espaço sideral), como qualquer um pode ver no voo do foguete V2 em 1946, cujo vídeo está disponível na web. Isso não comprova que a Terra seja plana, nem que seja esférica, mas sugere que o atual modelo precisa de certos esclarecimentos.

Video do lançamento do foguete V2, em 1946, que alcançou a altitude de 104 Km (65 milhas).

É bom lembrar que uma coisa é o modelo adotado para representar a realidade e outra coisa é a própria realidade. Inúmeras vezes, na história da ciência, teorias e paradigmas amplamente aceitos por séculos foram corrigidos ou abandonados. Embora o astrônomo midiático Carl Sagan fosse um aficcionado por criaturas alienígenas, num momento mais lúcido ele escreveu isto na obra "O mundo assombrado pelos demônios": “(…) no início dos anos 50, comecei a entender um pouco como a ciência funciona, (…) como os padrões de evidência devem ser rigorosos para realmente sabermos se algo é verdadeiro, quantos pontos de partida falsos e becos sem saída atormentaram o pensamento humano, como os nossos viesses podem colorir a interpretação da evidência, e quantas vezes sistemas de crenças mantidos por muitas pessoas e apoiados pelas hierarquias políticas, religiosas e acadêmicas revelam estar não apenas um pouquinho errados, mas grotescamente equivocados”. É bastante provável que os atuais modelos estejam repletos de erros, talvez de forma que seja melhor criar novas teorias em alguns casos. Quem sabe? Humanos erram.

É claro que um debate contestando as atuais teorias da ciência atrai muitos lunáticos, e não demora para que esse tipo de coisa misture-se com invencionices de teóricos da conspiração. Segundo eles, as atuais teorias científicas (especialmente o atual modelo do sistema solar) seriam resultado de um plano diabólico orquestrado por sociedades secretas que desejam esconder a verdade da maioria da população mundial.

Entretanto, para que uma teoria seja amplamente aceita numa sociedade, não precisa existir uma campanha de desinformação patrocinado por elites ocultas satanistas. Basta que uma ideia seja aceita por boa parte da comunidade de cientistas (mesmo que tenha falhas) e, em seguida, que a mídia comece a divulgar isso em filmes de ficção científica, documentários com astrofísicos popstars repletos de animação computadorizada em alta definição, e desenhos animados para crianças. Star trek, Cosmos e Wall-E. Em alguns anos, isso aumentaria a rejeição a quaisquer ideias contrárias, seja no mundo científico, seja no mundo não científico. Ou seja, isso não passaria de um fenômeno sociológico que tem mais a ver com modelos de conformidade do que com planos diabólicos dos Illuminati.

Mesmo esses lunáticos, talvez por serem dedicados às suas paranóias, acabam por descobrir fatos bastante intrigantes. Por exemplo, em 2006, a Nasa admitiu ter perdido 700 caixas de gravação original, em alta definição, da chegada do homem à Lua em 1969 [6]. Esse fato, somado às incoerências verificadas no conteúdo de seus websites, fotos e vídeos, nos fazem desconfiar de que ou a agência é composta de amadores descuidados ou ela está mentindo.

Recentemente, a agência apresentou projetos de novas tecnologias que permitirão ao homem ir além da baixa órbita da Terra [7]. Se tais tecnologias forem realmente novidade, como teriam enviado o homem à Lua em 1969, se ela encontra-se muito além da baixa órbita terrestre? Tais coisas geram dúvidas e reacende a velha crendice de que o homem nunca saiu da Terra. Mesmo assim, se você experimentar questionar, publicamente, a credibilidade de uma agência espacial, não demorará para encontrar pretensos cientistas que, na verdade, idolatram a instituição.

O medo de alguns cientistas (e da maioria das pessoas influenciadas por eles) diante de certos questionamentos denuncia não uma colaboração para se chegar à verdade, mas sim um conflito de paixões e crenças não científicas. Em 2014, quando questionado pelo apresentador do programa Real Time, Bill Maher, a respeito da estranheza da Teoria do Big Bang, o astrofísico Neil deGrasse Tyson respondeu: “O Universo não tem obrigação de fazer sentido para você”, uma frase de efeito perfeita para fugir de maiores esclarecimentos. Na mesma entrevista ele também falou: “Você não precisa acreditar na ciência. Ela é verdadeira, quer acredite ou não.” Ficou bastante claro que, para o Sr. Tyson, deveríamos seguir cegamente o que alguns cientistas dizem, sem ousar fazer perguntas “idiotas”, sob a terrível pena de sermos ridicularizados em programas de televisão.


Todos esses indícios demonstram que a ciência de verdade está perdendo espaço para a religião da ciência ou talvez já tenha perdido há muito tempo e só agora estejamos percebendo. Diferentemente do que muitos pensam, a religião é intrínseca ao homem. Se ele não acreditar em Deus vai acreditar em outras coisas bem menos sacras e falíveis em sua própria essência, como o dinheiro, a ciência ou o próprio homem.

_______

Notas

[1] Leia a matéria "Stephen Hawking: Intelligent Aliens Could Destroy Humanity, But Let's Search Anyway”, publicada no site space.com, em 21 de julho de 2015; e "We could all be pets in an elaborate alien zoo, claims Neil deGrasse Tyson", publicado em 28/06/2016 no site wired.co.uk. É comum observar astrônomos e físicos famosos darem declarações a respeito da existência de extraterrestres. Isso não é feito porque encontraram novas evidências concretas sobre o tema, mas sim porque dá audiência para a imprensa especializada, já que trata-se de um assunto fantástico e que sempre atrai a atenção do público.

[2] Leia a matéria "History of modern man unravels as German scholar is exposed as fraud”, publicada no The Guardian em 19/02/2005.

[3] Ver o vídeo no YouTube, intitulado "A Idade da Terra (parte 2): A Meia Vida do Urânio 238”.

[4] Veja os trabalhos de Mary H. Schweitzer, “Soft-Tissue Vessels and Cellular Preservation in Tyrannosaurus rex", publicado em 2005 na Science; e o de Mark Hollis Armitage e Kevin Lee Anderson, intitulado "Soft sheets of fibrillar bone from a fossil of the supraorbital horn of the dinosaur Triceratops horridus", publicado na revista Acta Histochamica, em 2013.

[5] As evidentes inconsistências e manipulações em fotos da NASA, tiradas do espaço, nos fazem questionar qual seria a verdadeira função dessa agência. Por exemplo, a NASA possui um site que transmite, ao vivo, imagens de uma câmera na Estação Espacial Internacional, em órbita, e que indica sobre que lugar da Terra ela está sobrevoando, também ao vivo, por meio de uma animação do mapa mundi. Realizei um experimento, alterando a data e a hora do meu computador algumas vezes. Estranhamente, isso fez o site indicar outras localizações da estação espacial sempre que eu mudava a hora, sugerindo que os dados não são transmitidos ao vivo, mas baseados em informações dos computadores pessoais que acessam o site. Posteriormente, eles retiraram a transmissão ao vivo da localização e deixaram apenas o vídeo.

[6] Leia a notícia "Nasa perde gravação da chegada do homem à Lua”, publicada em 14/08/2006 no site de O Globo.

[7] Um dos exemplos vem de um vídeo da NASA sobre a nave exploradora Orion. No vídeo "NASA engineer admits they can't get past the Van Allen Belts", o engenheiro Kelly Smith afirma que sensores à bordo da Orion irão registrar os níveis de radiação do cinturão de Van Allen (um perigoso campo radioativo que encontra-se além da baixa órbita, mas bem antes da órbita lunar), de modo que tal desafio possa ser resolvido antes de enviar pessoas através dessa região do espaço.

Não é no Brasil

Com base no sociólogo Mark Granovetter (1978), podemos dizer que o comportamento violento de indivíduos durante algumas manifestações pode ...